A diferença entre o voto branco e nulo

12 outubro, 2014 Deixe um comentário

Não, não irei te ajudar a escolher um candidato, mas irei discutir um dos pontos principais que ainda causam muitas dúvidas nos eleitores na hora de votar. Se liga:

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Primeiro, vamos acabar com o mito de que os votos brancos vão para o candidato que está vencendo. Não vão. Antigamente, o voto branco era contabilizado e dado para o candidato com mais votos. Na época, eles entendiam que, ao votar em branco, o eleitor se mostrava satisfeito com o candidato vencedor, enquanto que o voto nulo era tido como um voto de protesto.

Mas com a nova Constituição da República em 1988, passou-se a considerar apenas os votos válidos, cabendo a Junta Eleitoral proclamar eleito o candidato com a maioria dos votos válidos, sem computar os votos nulos e brancos. Passemos a diferença entre os dois tipos de votos.

O voto em branco é aquele onde o eleitor simplesmente não deseja escolher nenhum candidato. Assim, para votar em branco você deve pressionar a tecla BRANCO da urna e depois CONFIRMA. Simples né?

O voto nulo, diferente do branco, é quando o eleitor quer anular seu voto. Faz isso preenchendo os números com “0” (zero) ou colocando um número inexistente e logo em seguida pressionando a tecla CONFIRMA.

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Mesmo que os votos brancos e nulos representem mais da metade do total, não é possível anular uma eleição por este motivo. “Esta é uma grande lenda urbana difundida pela internet. Ambos não serão computados aos votos válidos e poderão até ajudar um candidato já que, quanto maior o número de votos nulos e brancos, menor a necessidade de votos válidos para eleger um candidato.

Isso também vale no que diz respeito às eleições para os cargos de deputado federal e deputado estadual. O pleito é realizado de forma proporcional, ou seja, para ser eleito a um desses cargos, o candidato precisa alcançar o “quociente eleitoral”, que é um índice que determina o número de vagas que cada partido vai ocupar nas câmaras, esse número surge com a divisão do número de votos válidos pelo número de vagas a serem preenchidas.

Assim, quanto maior for a quantidade de votos nulos e brancos, menor será o quociente eleitoral e mais fácil será para o candidato conquistar a vaga. É assim que a corja entra no legislativo. Portanto, aqui os votos nulos e brancos passam a interferir no resultado das eleições.

A parte fácil eu te ajudei, lhe dei a informação, agora com vocês só restou escolher um candidato. Boa sorte, vamos todos precisar!

~ Bruno Vallone para o Manual do Homem Moderno.

A gente podia ser mais gentil

2 setembro, 2014 Deixe um comentário

Todos os dias, penso em ser mais gentil, mais bondoso, e nas várias coisas que posso fazer para que eu efetivamente me torne essa pessoa melhor que tanto almejo ser. Mas, na prática, não é bem isso o que acontece.

No final das contas, sou repetidamente consumido pelo espírito de competição, pelo eterno cacoete de colocar meus interesses acima de tudo e, também, por um certo desprezo pelos outros. Eu sou esse cara que, volta e meia, mesmo cercado de boas intenções, acaba fazendo uma brincadeira, jogando ironia’zinha metida a besta, e encerro o dia tendo sido um idiota com alguém. Claro que, ainda por cima, se achando o máximo.

Mas eu também sou o cara que, volta e meia, me sinto acuado quando sou o alvo de alguma piadinha que diz uma daquelas verdades cruéis que só o humor é capaz de trazer à tona.

Alternando diariamente entre vítima e algoz, posso garantir que, quase 100,00% das vezes, eu só lembrei dos outros e da necessidade de ser gentil quando fui eu a parte humilhada. Não me orgulho disso, mas esse sou eu.

Hoje, no entanto, um pequeno milagre aconteceu. Encontrei esse vídeo, com um discurso oferecido por George Saunders, aos formandos da Universidade de Syracuse, no estado de Nova Iorque, em 2013, no qual ele fala sobre como a gente podia ser mais gentil, sobre como a cultura do sucesso consegue nos transformar em seres egoístas, incapazes de olhar pra outra coisa que não o próprio umbigo.

Aqui, coloco um vídeo com um dos trechos mais tocantes do discurso, onde ele conta a história de Ellen, uma amiga de infância por quem ele nutria um grande carinho, mas por quem fez muito pouco quando teve a chance.


Caso você não entenda inglês, traduzi o discurso inteiro abaixo. Para quem compreende o idioma, recomendo o discurso completo da mesma forma.

Quem sabe, ele ative em você uma fagulha de generosidade e doçura que pode acabar tornando o seu dia, e de mais alguém, um pouco melhor.

* * *

Um conselho aos graduados

Através das eras, uma forma tradicional evoluiu nesse tipo de discurso, que é: algum velhote, seus melhores anos atrás dele, quem, pelo curso da vida, cometeu uma série de erros terríveis (esse seria eu), dá um conselho de coração a um grupo de jovens brilhantes, enérgicos, com todos os melhores anos a frente deles (esses seriam vocês).

E eu pretendo respeitar essa tradição.

Agora, uma coisa útil que você pode fazer com uma pessoa velha é, além de emprestar dinheiro a eles, ou pedi-los para fazer umas das suas danças antigas de forma que você possa assistir enquanto ri, é perguntar: “Olhando pra trás, do que você se arrepende?” E eles vão dizer. Algumas vezes, como você sabe, eles vão contar mesmo que você não tenha perguntado. Algumas vezes, mesmo quando você especificamente pedir para eles não contarem, eles vão contar.

Então: do que eu me arrependo? Ficar pobre de tempos em tempos? Não exatamente. Trabalhar em empregos horríveis, como “separador de juntas em um abatedouro”? (Nem pergunte no que isso implica) Não. Eu não me arrependo disso. Nadar pelado num rio em Sumatra, um pouco chapado e vendo como cerca de 300 macacos em um cano cagavam dentro do rio, rio esse no qual eu estava nadando com a boca aberta e nu? E ficar mortalmente doente depois, estado que se manteve pelos sete meses seguintes? Nem tanto. Eu me arrependo da ocasional humilhação, como uma vez que, jogando hockey, em frente a um grande público, incluindo essa garota de quem eu realmente gostava, quando eu de alguma forma, consegui emitir esse grito esquisito, fazendo um gol contra e arremessando o taco direto na plateia, quase atingindo essa garota? Não. Eu não me arrependo disso.

Mas aqui tem algo do que me arrependo:

Na sétima série, essa menina nova se junta à nossa classe. Em nome da confidencialidade, seu nome de chamada vai ser “Ellen”. Ellen era pequena, tímida. Ela usava esses óculos estilo olho de gato, azuis, que na época apenas senhoras mais velhas usavam. Quando nervosa, o que era frequente, ela tinha o hábito de pegar uma mecha de cabelo e colocar na boca para mastigar.

Então, ela veio até a nossa escola e vizinhança e foi bastante ignorada, ocasionalmente provocada (“Seu cabelo é gostoso?” – esse tipo de coisa). Eu podia ver que isso a machucava. Eu ainda me lembro do jeito que ela ficava depois desses insultos: olhos baixos, um pouco chateada, como se tivesse acabado de ser lembrada de seu lugar; e ela estava tentando, tanto quanto possível, desaparecer. Depois de um certo tempo, ela tinha se afastado, com o cabelo ainda em sua boca. Em casa, eu imaginei que depois da escola, sua mãe dizia, você sabe: “Como foi o seu dia, querida?” e ela respondia: “Ah, bom.” E a sua mãe dizia: “Fazendo amigos?” e ela prosseguia, “Claro, muitos”.

Algumas vezes, eu a via andando sozinha em seu jardim, como se tivesse medo de deixá-lo.

E então – eles se mudaram. Foi isso. Sem tragédia, nenhum grande trote final.

Um dia ela estava lá, no outro não estava.

Fim da história.

Agora, por que eu me arrependo disso? Por que, quarenta e dois anos depois, eu continuo pensando nisso? Em comparação às outras crianças, eu era, na verdade, bastante legal com ela. Eu nunca disse uma ofensa a ela. De fato, eu até a defendia (levemente) de vez em quando.

Mas esse sentimento continua. E isso me aborrece.

Então aqui está algo que eu sei ser verdade, apesar de um pouco brega, e eu não sei bem o que fazer com isso:

O que eu mais me arrependo na vida são falhas de bondade.

Aqueles momentos quando um outro ser humano estava lá, em frente a mim, sofrendo, e eu respondi… sensivelmente… reservadamente… levemente…

Ou, olhando pra isso pela outra ponta do telescópio: quem, na sua vida, você se lembra mais afetuosamente, com o mais inegável e cálido sentimento?

Aqueles que foram os mais bondosos com você, aposto.

É um pouco fácil de dizer, talvez, e certamente difícil de implementar, mas eu diria, como um objetivo de vida, que você não poderia fazer nada menos do que tentar ser mais bondoso.

Agora, a pergunta de um milhão de dólares: qual o nosso problema? Por que não somos mais bondosos?

Aqui vai o que eu penso:

Cada um de nós nasce com uma série de confusões embutidas que são de alguma forma Darwinianas: (1) nós somos o centro do universo (isto é, a nossa história pessoal é a principal e mais interessante história, a única história, na realidade); (2) nós somos separados do universo (há NÓS e então, lá longe, todo o outro lixo – cachorros e balanços, e o Estado do Nebraska e nuvens baixas e, você sabe, outras pessoas), e (3) nós somos permanentes (a morte é real, OK, claro – pra você, mas não pra mim).

Agora, nós não acreditamos de verdade nessas coisas – intelectualmente a gente sabe – mas nós acreditamos nelas visceralmente, e vivemos por elas, e elas fazem com que nós priorizemos nossas próprias necessidades sobre as dos outros, mesmo quando o que realmente queremos, nos nossos corações, é ser menos egoístas, mais conscientes do que está acontecendo no momento presente, mais abertos e mais amáveis.

Então, a segunda pergunta de um milhão de dólares: como nós fazemos isso? Como nos tornamos mais amáveis, mais abertos, menos egoístas, mais presentes, menos delirantes, etc. etc.?

Sim, boa pergunta.

Infelizmente, eu só tenho mais três minutos.

Então, deixem-me dizer isso. Há jeitos de fazer. Você já sabe disso por que, na sua vida, houveram períodos de alta e baixa bondade, e você sabe o que o aproximou de um e afastou do outro. Educação é bom; aprofundar-se em um trabalho de arte: bom; rezar é bom; meditação é bom; uma conversa franca com um amigo querido; engajar-nos em algum tipo de tradição espiritual – reconhecendo que houve incontáveis pessoas realmente espertas antes de nós que se perguntaram as mesmas questões e deixaram respostas para nós.

Porque a bondade, por acaso, é difícil – ela começa com arco-íris e filhotinhos de cachorro, e se expande para incluir… bem, tudo.

Uma coisa a nosso favor: algumas dessas coisas de “se tornar mais bondoso” acontecem naturalmente, com a idade. Deve ser uma simples consequência do atrito: enquanto vamos envelhecendo, percebemos o quão inútil é ser egoísta – quão ilógico, na verdade. Passamos a amar outras pessoas e, de certa forma, nos contradizemos na nossa própria centralidade. Nossas bundas são chutadas pela vida real, e as pessoas vem em nossa defesa, e nos ajudam, e nós aprendemos que não estamos separados, e não queremos estar. Vemos pessoas próximas e queridas nos deixando e gradualmente nos convencemos que nós também iremos (algum dia muito distante de agora). A maioria das pessoas, quando envelhecem, tornam-se menos egoístas e mais amáveis. Eu acho que isso é verdade. O grande poeta de Syracuse, Hayden Carruth, disse, em um poema escrito perto do final de sua vida, que ele era “predominantemente amor, agora.”

E então, uma profecia, e meu desejo de coração para você: que enquanto você envelhecer, seu ego diminua e seu amor cresça. Que VOCÊ vá gradualmente sendo substituído por AMOR. Se você tem filhos, isso vai ser um grande momento em seu processo de auto-diminuição. Você realmente não vai se importar com o que acontece com VOCÊ, contanto que isso os beneficie. Essa é a razão pela qual seus pais estão tão orgulhosos hoje. Um de seus sonhos mais ternos se tornou realidade: você conseguiu algo difícil e tangível que fez você crescer como pessoa e vai tornar sua vida melhor, daqui até a eternidade.

Parabéns, aliás.

Quando jovens, ficamos ansiosos – compreensível – por descobrir se nós temos o que é preciso. Será que vamos ter sucesso? Podemos construir uma vida viável para nós mesmos? Mas você – em particular vocês, dessa geração – devem ter notado uma certa qualidade cíclica da ambição. Você vai bem na escola, com a esperança de conseguir uma boa faculdade, então, se você for bem na faculdade, espera conseguir um bom emprego, de forma que se for bem no bom emprego você possa…

E está tudo certo com isso! Se vamos nos tornar mais gentis, esse processo tem de incluir nos levar a sério – como executores, como realizadores, como sonhadores. Nós temos de fazer isso, ser o nosso melhor.

Ainda, realização não é confiável. “Ter sucesso”, seja lá o que isso signifique, é difícil, e a necessidade de fazê-lo constantemente se renova (sucesso é como uma montanha que continua crescendo à sua frente enquanto você a escala), e há o risco de que “ter sucesso” tome toda a sua vida, enquanto as grandes questões seguem não respondidas.

Então, rápido, fim do conselho de discurso: Já que, de acordo comigo, sua vida será um processo gradual de tornar-se mais bondoso e amoroso: apresse-se. Corra. Comece agora. Há uma confusão em cada um de nós, uma doença, sério: egoísmo. Mas há também uma cura. Então, seja bom e proativo e mesmo de certa forma desesperadamente paciente em sua própria busca – procure os remédios anti-egoísmo mais eficazes, energicamente, pelo resto da sua vida.

Faça todo o resto, as coisas ambiciosas – viajar, ficar rico, famoso, inove, lidere, apaixone-se, faça e perca fortunas, nade em rios selvagens na floresta (depois de ter checado se não tem merda de macaco) – mas enquanto faz tudo isso, o quanto puder, erre na direção da bondade. Faça coisas que o inclinem pelas grandes questões, e evite as coisas que possam reduzi-lo e torná-lo trivial. Essa parte luminosa de você que existe além da personalidade – sua alma, se assim preferir – é tão brilhante quanto qualquer outra que já existiu. Tão brilhante quanto Shakespeare, brilhante como Gandhi, brilhante como a Madre Teresa. Limpe tudo que o mantém separado desse lugar secreto e luminoso. Acredite, ele existe, conheça-o, nutra-o, compartilhe seus frutos incansavelmente.

E algum dia, daqui há 80 anos, quando você tiver 100 e eu 134, e ambos formos tão gentis e amáveis que seremos quase insuportáveis, me conte como foi, me deixe saber como sua vida passou. Eu espero que você diga: foi tão maravilhoso.

Parabéns, Classe de 2013.

Eu desejo a vocês grande felicidade, toda sorte do mundo e um belo verão.

~ Luciano Ribeiro, para o Papo de Homem.

#TeveMuitaCopa

18 julho, 2014 Deixe um comentário

Utilizando uma série de técnicas para se extrair um sentido de um conjunto de textos, em um método conhecido como análise de conteúdo, a AG2 Publicis Modem, em parceria com a pesquisadora e professora do curso de comunicação social da UCPel Raquel Recuero, criou um infográfico interativo que destaca quais foram os principais temas e assuntos debatidos no Twitter durante os jogos do Brasil na Copa do Mundo.

Depois de remover o ruído e organizar o falatório digital, foi possível selecionar quais foram os principais momentos das partidas em que a seleção canarinha esteve em campo – como a desaprovação da vaia ao hino do Chile, a crítica à arbitragem durante o jogo contra a Holanda, a aprovação de Fernandinho como um possível titular e até mesmo a reprovação às vaias contra a presidente Dilma Rousseff, que aconteceram algumas vezes nos estádios.

A praticamente ausente cobertura midiática sobre o Exoesqueleto de Miguel Nicolelis também foi um assunto que chamou a atenção na rede social, assim como a grande defesa do goleiro Ochoa, os pênaltis defendidos por Júlio César, o abraço de David Luiz no oponente, e a vergonha da goleada no jogo contra a Alemanha.

Para Gabriela Silva, coordenadora de mídias sociais da AG2, a profecia de que a Copa poderia ser uma catástrofe para as empresas associadas ao evento acabou não se concretizando, e a participação mas mídias sociais foi bem significativa e, em geral, com repercussão positiva. “Em contextos desse tipo, análises profundas e focadas no comportamento do usuário são ferramentas-chave para tomada de decisões e direcionamento da abordagem dos conteúdos e interações”, enfatiza ela.

Sobre a escolha de acompanhar mais o Twitter, Raquel Recuero acredita que a rede foi a melhor ferramenta para circular informações durante o mundial, por não haver direcionamento de audiência. “Como o Facebook tem um grande direcionamento de audiência (aquilo que você publica não fica disponível imediatamente e para todos os seus amigos por conta do algoritmo), o Twitter acabou sendo a ferramenta mais apropriada para discutir o evento onde a instantaneidade e a velocidade da interação (para comentar o jogo ao vivo) são cruciais”, explicou, fazendo também uma referência a canais de chat das antigas. “Dava um aspecto quase “canal de IRC” para quem lembra dos “velhos” tempos da Internet brasileira”, brincou.

No site da AG2 é possível navegar por algumas das informações e observar os gráficos das análises de conteúdo relacional.

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~BrainStorm9

Carta a uma seleção derrotada

14 julho, 2014 Deixe um comentário

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Meninos,

(sim, meninos, porque quando uma seleção é eliminada na Copa do Mundo, não há mais homens no gramado. Há meninos. Com olhos vazios, sem rumo e sem qualquer indício de vergonha ou de pudor.)

Escrevo só para agradecer.

Agradecer porque vocês nos fizeram sentir o que há muito tempo não sentíamos.

O nervosismo. A voz embargada. Tensão. Alegria. Nó na garganta. Dor de garganta. Explosão. Tristeza. Desilusão. Um turbilhão de sentimentos condensados em 4 semanas.

Agradeço porque vocês conseguiram mexer com muitas emoções que andavam paradas. Bandeiras na janela por amor a um país (e não apenas a uma seleção), acima de qualquer outra questão.

Porque vocês fizeram mais do que colocar corações para bater mais forte. Vocês colocaram corações absolutamente brasileiros para bater.

Agradeço porque a cada jogo que passava, me sentia mais parecida com os desconhecidos na rua. Mais próxima do meu país, da minha gente.

Agradeço porque o desfecho traumático não anula a alegria vivida.

E por saber que vocês vão ter que encarar aqueles brasileiros de momento, que até ontem tinham orgulho e hoje já acham que “isso é Brasil”.

Mas não se preocupem, para nós também é difícil suportá-los. Tamo junto.

E o fato é que a tristeza é geral: do campo, do banco de reservas, da arquibancada, do sofá da sala, do banco do bar, da sarjeta.

Mas, por favor, entendam, nós não estamos tristes com vocês, estamos tristes JUNTO com vocês.

E tanto é assim que posso garantir que milhares de brasileiros queriam poder dar em vocês hoje o abraço que o David Luiz deu no James depois da eliminação da Colômbia.

Obrigada, meninos.

Obrigada por me lembrarem que eu nunca quis ser europeia. Alemã, holandesa, francesa, belga… Nem que me dessem um belo par de olhos claros.

Que o que eu quero sempre é minha camisa amarela, minhas emoções escancaradas, quero o choro embriagado de hoje, esquizofrenicamente orgulhoso de ser quem somos até quando estamos apanhando como apanhamos.

Abracem seus pais. Seus filhos. Suas mulheres. Seus amigos.

Façam isso por nós, que queríamos abraçá-los talvez até mais do que iríamos querer se ganhássemos a Copa.

E continuem sendo assim, brasileiros, acima de tudo.

No cabelo enrolado, nas danças no vestiário, nos abraços verdadeiros, nos choros sofridos, na oração sincera e na certeza de que, bem ou mal, a gente segue em frente.

7 a 1? Dane-se.

Vocês me representam. E não é pela bola que jogam, é pelos caras que são.

~ Ruth Manus para O Estadão.

Quanta verba “extra” foi destinada aos estádios da Copa?

5 julho, 2014 Deixe um comentário

Título

O estouro de orçamento com reforma e construção das arenas que sediarão os jogos é de R$ 2,175 bilhões. O valor previsto no início das obras para todos os estádios seria de quase R$ 6 bilhões. Na última atualização, de setembro de 2013, os custos já somavam R$ 8,15 bilhões. Os destaques negativos ficam com Porto Alegre (que estourou o orçamento em 158%) e Brasília (cujo estádio é o mais caro da Copa). a boa notícia é que houve uma cidade-sede que conseguiu poupar: parabéns Fortaleza!

Arena Corinthians

Arena da Amazônia

Arena da Baixada

Arena das Dunas

Arena Pantanal

Arena Pernambuco

Beira-Rio

Castelão

Fonte Nova

Mané Garrincha

Maracanã

Mineirão

CONSIDERAÇÃO FINAL
Em 2007, quando o Brasil foi anunciado como sede da Copa do Mundo 2014, a expectativa era que o evento fosse um catalisador de investimentos em infraestrutura. De fato, a realização do Mundial no Brasil exigiu investimento pesado em infraestrutura, transporte e, principalmente, na construção das novas arenas esportivas. Obedecendo a normas da Fifa, muitas obras interferiram na vida da população do entorno das construções. Desapropriações forçadas de moradias e comércios, transtornos no trânsito, investimentos e gastos de recursos públicos de forma inadequada e desnecessária são alguns dos problemas que o Mundial propiciou a nós brasileiros. Hoje, além do título de país do futebol, o Brasil estampa em sua galeria de troféus o título de maior gastador de dinheiro público em uma Copa do Mundo e é dono das arenas esportivas mais caras da história da competição. Em um país no qual a saúde e a educação ainda são deficitárias, o mais adequado seria investir o dinheiro público em escolas e hospitais. Na véspera da abertura da Copa, a presidente Dilma Rousseff, em um pronunciamento oficial, disse que o evento beneficiaria os brasileiros nos próximos anos e que os gastos com saúde e educação foram muito maiores do que os do evento esportivo e que “O resultado e a celebração final valem o esforço”. Que assim seja. ~ Kelyanne Costa

~ Informações retiradas da Revista Mundo Estranho, edição 153, págs. 50-51. Colaboraram com demais informações e imagens: Globo Esporte, FIFA e Google Imagens (hehehe). Gráficos criados com o auxílio do Microsoft Excel.

Brasões flat da Copa do Mundo 2014

28 junho, 2014 Deixe um comentário

O designer brasileiro Leandro Urban criou um projeto minimalista muito legal onde ele fez uma versão flat dos brasões das seleções da copa de 2014, vale a pena conferir! Quem aí se lembra do projeto dele com os brasões dos times brasileiros?

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Indicação do Abduzeedo.

Usuários brincam com “embromation” e criam placas da Copa na web

10 junho, 2014 Deixe um comentário

Casa da Mãe Joana

Às vésperas da Copa do Mundo, o inglês está mais presente na vida dos brasileiros: placas de sinalização do torneio, em pontos turísticos e em estações de metrô ganharam versões para facilitar a vida dos turistas estrangeiros. O problema: como nem toda tradução é trivial, muitos erros são cometidos, e versões bizarras viram piadas nas redes sociais. É o caso, por exemplo, de um cardápio de uma rede de hotéis que circulou na semana passada no Facebook. O menu trazia a tradução “bread and cold” para “pão e frios”.

Para ironizar os tropeços das versões para o inglês, o programador João Paulo Apolinário Passos, de Brasília, criou o site Gerador de Placas da Copa do Mundo. O “serviço” permite aos usuários criar traduções engraçadas de forma prática e fácil: basta digitar na lacuna superior o texto em português, e no espaço inferior a tradução — no maior estilo “embromation”, é claro.  A imagem pode ser baixada para o computador do usuário ou compartilhada no Facebook.

Com a repercussão da ferramenta na internet, o desenvolvedor brasiliense criou uma página na rede social para reunir, de forma colaborativa, os frutos da brincadeira. O site tem registrado uma média de 5.000 visitas diariamente. Segundo o programador, a ideia surgiu de uma placa em Brasília que vertia “setor hoteleiro norte” para “southern hotel sector”. Confira algumas placas criadas com a ajudinha do site:

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~ Renata Honorato para Veja.com

E, se quiser esticar as pernas pelo interior, não deixe de conhecer minha “cidadezinha”:

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