Sempre a postos

4 janeiro, 2015 Deixe um comentário

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Comentário do autor:

MONGE SHAOLIN: Sempre a postos

Esta citação já foi atribuída a tanta gente que preferi colocar ‘Forças Armadas’ por segurança. Já disseram que é de George Patton e que é o lema da Marinha (não é), mas não achei uma fonte confiável o suficiente para usar no cartum. Se alguém sabe quem foi a primeira pessoa que disse, me avise. É óbvio que esta frase é famosa entre militares e praticantes de artes marciais, mas se aplica a qualquer pessoa.

É o primeiro cartum em que usei Monge Shaolin do logo da Lápis Zen, e acho que de tempos em tempos ele pode aparecer em várias citações. Quando eu era garoto, eu tinha (ah, vai enganar outro, até hoje eu tenho) obsessão por qualquer coisa relacionada a kung fu, samurai e principalmente ninjas (putz, quem é que não gosta de ninjas?), por isso essa citação é perfeita para demonstrar meu amor por artistas marciais que chutam bundas.

~ Zen Pencils traduzido por Outros Quadrinhos.

 

10 coisas que você deveria desejar nesse começo de ano

4 janeiro, 2015 Deixe um comentário

Muito dinheiro no bolso e saúde para dar e vender! O brinde-jingle-de-ano-novo é aquele bom e velho clichê no qual mal pensamos, desejamos automaticamente sem entender o que queremos de verdade.

Afinal mesmo com saúde e dinheiro, não ficamos em paz, então eu queria fazer algumas sugestões mais relevantes para sua virada ano:

1. Liberdade interna

Diferente de aumento de espaço físico, viajar para lugares paradisíacos, fazer o que tiver vontade, euforia no meio da estrada ou não receber ordens, a liberdade é um tipo de capacidade de deliberar com o mínimo de condicionamento restritivo.

Uma pessoa que só vive fazendo mochilão pode estar tão asfixiada quanto um funcionário workaholic de multinacional. Alguém que vive praticando o “bem” pode estar tão preso nesse script quanto o bad boy cheio de opinião.

Liberdade parece mais uma habilidade de atravessar aquela tentativa da nossa mente de solidificar a vida num frasquinho de certeza. No ano que começa trabalhe nisso.

2. Desejos mais conscientes

Se você apenas ajoelha e obedece tudo o que passa no campo dos seus desejos então você será refém do consumismo, da sua gula, do egocentrismo, da sua arrogância e até da necessidade compulsiva de ficar pregando a paz na Terra e perdendo os amigos com sua chatice.

Qualquer tipo de desejo, dos mais nobres aos mais imediatistas, se passarem invisíveis ao seu radar consciente levarão você inevitavelmente de objetos em objetos sem parada só para que você fique satisfeito.

O resultado será só mais insatisfação.

3. Capacidade de gerar felicidade

Estar cercado de mimos é até fácil, mas conseguir captar um sorriso genuíno de alguém parece ter um efeito reverberante muito mais poderoso. Essa cadeia de gentilezas e de olhar atento ao caminho do outro cria um ciclo de cafuné coletivo.

O meio ambiente agradece e quem mora na sua casa também.

4. Resiliência para os dias difíceis

O ano certamente trará chances para você se agarrar naquilo que acha que o fará feliz, mas esconde uma dose grande de sofrimento pelo apego. Eu desejo que você consiga perceber que está idolatrando algo mais do que deveria para resistir ao impulso de ficar aprisionado na sua própria alegria e por isso ficar incapaz de usufruir a vida com leveza.

Ao conseguir resistir ao impulso de se fechar numa ideia, lugar ou pessoa, os dias difíceis tendem a ser mais fáceis.

5. Capacidade de negociar com seus próprios desejos

Se eu desejar muito dinheiro no bolso, posso afirmar que nem toda fortuna existente do mundo conseguirá pagar o que seu desejo.

Espero que você não tenha tudo o que deseja e possa ficar bem com isso.

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6. Saber reconhecer os movimentos internos

Quero que você consiga ter um GPS interno para se guiar nas suas rotas pessoais, que consiga não se perder em si mesmo com atitudes impulsivas, reativas e que estejam desconectadas de seus valores internos.

Quero que você saiba mergulhar com mais facilidade para dentro antes de sair desembestado tomando grandes ou pequenas decisões que fecharão seu caminho.

7. Lidar com a incompletude da vida

Desejo que você lide com o fato de que sempre haverá uma dimensão de incompletude na vida. Você só se torna esse poço de inconformação e insatisfação por que ainda tem uma esperança de algum dia isso ser saciado.

Não, não haverá algum momento em que você terá chegado no topo da montanha, não há topo e nem montanha.

8. Parar de sonhar com realidades mágicas

O que é uma realidade mágica? É aquilo que causa angústia só de pensar, por que é muito grande, descolado de qualquer senso de realidade, que carece de qualquer planejamento e está tão fora de sua área de influência que chega a doer.

Espero que você consiga olhar ao redor e consiga reconhecer quanta beleza já existe na sua vida, mesmo essa porção fragmentada, manca, incompleta, estranha e contraditória.

9. Assumir que nada acontece se você não gerenciar o medo

Se você ainda insistir que só uma meta vai salvar sua alma e seu ano, então desejo que aprenda a conviver com o medo constante do fracasso, da perda, do desapontamento, da rejeição e do “quase”.

Se quer garantia absoluta e nenhum medo então você não entendeu nada sobre atingir metas. Aquilo que você acha que deseja mais que tudo só tem essa magnitude pois está fora de sua zona de conforto.

Seu próximo passo já está calculado e pré-aprovado? Espere chegar no final do ano que vem.

10. Parar de achar que as listas são autorrealizáveis

Essa lista não tem o poder de se realizar porque você achou ela incrível ou disse no fundo do seu coração “vou realizar”. Não.

Ela precisa de pequenas doses de treino diário. São posturas mentais, muito mais do que flexões ou abdominais, mas que para terem resultado seguem a mesma disciplina de academia. Só boa vontade não resolve nada.

As perguntas que você deve se fazer, de acordo com essa lista são: eu realmente vou me limitar a isso? O que eu realmente desejo? Eu posso facilitar a vida de alguém? Estou preso ao meu sofrimento? Estou conectado aos meus valores? O que se passa dentro de mim? O que não aceito nessa vida? Estou mirando para muito longe de mim? Posso lidar com esse medo?

~ Frederico Mattos para o Papo de Homem.

Já parou pra pensar no que vai te fazer sofrer em 2015?

31 dezembro, 2014 Deixe um comentário

No final do ano passado eu escrevi um texto, desses que a gente faz pensando em como andou a vida.

Foi um pequeno apanhado do que passava pela minha cabeça e como eu me sentia em relação aos planos e promessas que estava fazendo pra mim mesmo naquele momento.

Agora, um ano depois, vejo que o raciocínio ainda se aplica.

Como fiz o exercício de voltar a esse texto, venho humildemente sugerir que você também olhe de novo (basta trocar as datas onde for necessário) e pense em tudo o que você sofreu tentando ser feliz, atingir sonhos, metas e objetivos.

Enquanto a gente segue nesse modus operandi, eu também vou junto, com uma pequena esperança de que a gente se libere desse ciclo.

Feliz 2015!

* * *

O ano, como as pessoas, têm seu momento de senilidade, quando o futuro é curto e o fim é inevitável.

2014 está nessa fase.

Seus últimos dias se aproximando e o hábito de fazer checagens ficando cada vez mais urgente. É quando a gente olha pra trás e começa a perceber que não emagreceu os quilos que prometeu, que a academia foi ficando pra depois, que não produziu os textos que queria, não conseguiu ler mais, nem ver filmes, muito menos viajar.

O tempo, esse danado, foi passando e não deu a mínima aos planos. Enquanto seguimos fazendo o que de mais urgente aparece na nossa frente, nossas ambições de melhoria da vida vão sendo deixadas de lado.

Além de mim e de você, quantas outras pessoas não devem ter passado pelo mesmo?

Talvez, o chefe escroto tenha prometido pegar mais leve. Talvez, alguém próximo tenha prometido assumir a responsabilidade sobre as próprias falhas, ao invés de colocar a culpa em alguém. Talvez, o casamento tenha sido foco da promessa de alguma das partes: “agora vai”!

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Existe uma lição para ser aprendida aqui. Mas eu não sei o que é…

 

Mas nem tudo é desastre, nem tudo é catástrofe. Às vezes as coisas dão certo.

Um filho pode ter nascido. Um casamento pode ter se feito com uma bela cerimônia. Muitos amigos podem ter sido visitados. Ou, quem sabe, até aquelas promessas mais bobas que a gente nunca cumpre podem ter sido levadas a cabo, até o fim. Empregos, carros, casas novas, mudanças. Você pode ter conhecido alguém que fez esse coraçãozinho bobo sacolejar no peito. Sim, bons desfechos podem ter ocorrido.

Mas, também devemos lançar um olhar mais sincero a essas histórias que vamos contar sobre o ano que vai nos deixando. Sabemos que cada felicidadezinha, cada pequena vitória, cada suspiro de alívio vem acompanhado de algumas gotas de suor escorrendo pela testa. A gente sofre tentando ser feliz.

É aí que a gente começa a se ver repetindo aquilo que fez no começo do ano e as promessas de 2014 se transformam nas promessas de 2015. Afinal, é uma nova chance que surge.

Nada mais justo do que tentar outra vez.

Mas, aqui, queria propor um lembrete, para antes de girarmos novamente a roda do tempo.

Já parou pra pensar que as suas apostas e promessas serão as razões pelas quais você vai sofrer em 2015?

Luciano Ribeiro para o Papo de Homem.

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Você se lembra de tudo o que aconteceu em 2014?

28 dezembro, 2014 Deixe um comentário

Com o fim do ano, vários vídeos de retrospectiva surgem por aí. Afinal, embora o ano “tenha passado rápido” – frase que mais se escuta em elevadores e em salas de espera em dezembro –, há fatos relevantes que aconteceram em 2014 dos quais você nem se lembra mais. E se a memória nem sempre ajuda, imagine como é a retrospectiva de quem sofre com doenças neuro-degenerativas.

Em uma campanha simplesmente genial e no melhor estilo Google Zeitgeist (o resumo do ano feito pela Google), o vídeo abaixo vai deixar você com a pulga atrás da orelha desde o primeiro segundo, para deixar você estupefato no último. Apenas dê o play e bata palmas para os holandeses na N=5, responsáveis pela campanha.


~ Hypeness.

Para entrarmos juntos no Ano Novo ali em frente

28 dezembro, 2014 Deixe um comentário

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Tem um Ano Novo ali em frente. Você já viu? Nós já podemos entrar. Mas vamos com calma. Todos nós cabemos lá. Tem espaço e tem tempo pra você e para mim e todo mundo. Os mesmos trezentos e sessenta e cinco dias que nos cabem estão lá, esperando. O Ano Novo está no ponto, os motores ligados, os dias organizados em fila indiana, as estações aguardando sua vez de acontecer.

Tem um Ano Novo ali em frente. Olha como é bonito em sua roupa nova, seu cheiro de tinta fresca, seu hálito doce de cachorro filhote lambendo o nariz da gente. Olha! Esse entusiasmo sincero de aluno novo, essa beleza de gente esforçada. Porque pouca coisa nesse mundo tem a graça honesta de quem se empenha no trabalho como quem dá jeito na vida! O Ano Novo ali em frente é uma delas. Está pronto, o coração aberto, as mãos operosas ansiando pelo que será.

Fácil não há de ser. Nunca é. Vai doer. Sempre dói. E talvez a dor piore com o tempo e a idade. Mas tentar ainda é o único jeito de fazer. Tem um Ano Novo ali em frente e eu tenho uma porção de votos para nós. Não repare no jeito, na pressa, mas daqui a pouco é meia-noite do dia 31 e se a gente não corre o prazo acaba e a mágica se perde.

Primeiro, eu desejo a você e a mim um pouco mais de leveza. Aliás, “um pouco” não. Eu desejo que a vida seja muito mais leve para nós. Não estou pedindo menos trabalho, menos afazeres e compromissos e prazos mais brandos. Nada disso. Eu só quero que vá longe o peso morto e inútil das picuinhas que grudam na vida feito carrapatos famintos. Então, libertos de tanta intriga e tanto fardo e tanta bobagem, você e eu seremos simplesmente mais leves e soltos em nosso caminho.

Que nesse caminho sobrem trabalho e saúde, amor e amigos. Que o solzinho manso do sábado de manhã e o vento amoroso do domingo à tarde escorreguem gentis para o resto da semana. E que as noites sejam carinhosas conosco. Que cada dia seja bom de lembrar como o primeiro encontro perfeito entre duas almas gêmeas ou, pelo menos, muito parecidas. Sabe esses encontros memoráveis em que a gente se pega, horas depois de se despedir, repassando mentalmente diálogos inteiros, e com um sorriso descarado na cara? É o que eu desejo para nós!

Depois, eu desejo que para cada idiota em que tropeçarmos por aí, a vida nos traga um dia inteiro de boas notícias. E como nunca faltam cretinos em qualquer canto, que o Ano Novo ali em frente seja para nós uma sequência infinita de boas novas.

Que na esteira de cada porrada que nos sobre no meio dessa briga feia de um dia depois do outro, apareça sempre alguém pedindo ajuda e que nós possamos ajudá-lo.

O ódio, a intolerância, o preconceito, a empáfia, a maldade, a indiferença, nada disso será bem-vindo! Melhor se ajeitarem no passado lá atrás.

Que os insultos e as esculhambações se percam na brisa fresca e franca da esperança. Que o mal desista de uma vez por todas. Para o bem de todos nós. E que as balas perdidas prossigam assim, perdidas, até se tornarem inofensivos pedaços de chumbo exaustos do disparo, despencando vencidos no fim. E que esse fim seja nada senão um muro duro, uma montanha vazia, o tronco de uma árvore centenária e sobrevivente, alheia a qualquer intempérie, nunca alguém de carne e osso e sonhos. Para que ninguém mais se machuque.

Quanto àqueles que querem ver você na rua da amargura, que sejam atropelados por um caminhão de amor na avenida dos afetos.

E que apesar de todos os nossos erros, você e eu sigamos levando a vida com correção e decência.

Eu desejo tudo isso, sim. Desejo profundamente. Porque vontade rasa não realiza nada.

E, sobretudo, eu desejo que a gente sonhe, sonhe muito. Sonhe juntos. E se o sonho não virar realidade, que a realidade vire sonho!

Tem um Ano Novo bem ali. Vamos a ele. Vamos a nós.

~ André J. Gomes para a Revista Bula.

DC Comics faz mês de homenagem a cartazes de filmes

14 dezembro, 2014 Deixe um comentário

A cada mês a DC Comics dedica as capas alternativas de suas principais séries mensais a um tema diferente. Em março de 2015, serão cartazes de filmes produzidos pela Warner Bros. – companhia que hoje é dona da editora.

Veja abaixo a leva de 22 capas inspiradas em pôsteres. Tem de Superman com Bill & Ted a Batman com Matrix:

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Batman-40

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~ Omelete

Foi sem querer, querendo…

8 dezembro, 2014 1 comentário

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Chaves uma vez disse que preferia morrer que perder a vida, talvez hoje isso faça sentido. Roberto Bolaños, o Chespirito foi o incrível ator que deu vida para Chaves, Chapolin Colorado, Chompiras, Dr. Chapatin, Pancada Bonaparte e mais outras várias figuras que ganharam nossa audiência e aos poucos conquistaram nosso coração.

Chespirito morreu, mas não perdeu a vida – nossa admiração pelo seu trabalho é tão grande que faz a gente perder as contas de quantas vezes assistimos o mesmo episódio de seus programas e ainda assim achamos graça. Tenho certeza que Chespirito conseguiu arrancar ao menos um sorriso, de todo mundo que viu Chaves fazendo bobeiras ou quando Chapolin se atrapalhava com sua Marreta Biônica.

Abaixo, uma compilação do que encontrei nos melhores sites da internet, a não ser, é claro, que você queira evitar a fadiga:

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O adeus de Edgar Vivar, o Sr. Barriga:

As lembranças de Chiquinha:

A admiração de Ruben Aguierre, o Professor Girafales:

O amor pelo Chavinho tomou conta da internet, que relembrou as frases de todos os personagens e contou como ele foi uma figura única na infância da gente:

E as últimas palavras de Bolaños no Twitter foram pra dizer que amava o Brasil:

E esse é de laranja, que parece de limão, mas tem gosto de tamarindo. ~ Chaves vendendo suco

O senhor quer o que é de limão, o que parece limão, ou o que tem sabor de limão? ~ Chaves insistindo em fazer milagre com a água da chuva

Eu jamais me engano! Só me enganei uma vez: quando acreditei estar enganado! ~ Profº Girafales para os seus alunos

Já chegou o disco voador! ~ Chaves informando ao Seu Madruga que o Sr. Barriga havia chegado na vila

Ai, que burro! Dá zero pra ele! ~ Chaves mencionando algum de seus colegas de aula

Alguma vez eu lhe disse alguma mentira que não faltasse a verdade? ~ Chaves, sempre íntegro

Eu prefiro morrer do que perder a vida. ~ Chaves brincando com o Quico

A vida é labuta, disse a formiga. ~ Chiquinha sobre o trabalho

A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena. ~ Seu Madruga filosofando

Teria sido melhor ir ver o filme do Pelé. ~ Chaves descontente com o filme que foram todos assistir

Não há trabalho ruim. O ruim é ter que trabalhar. ~ Seu Madruga tirou as palavras da minha boca

Vola o cão arrependido, com as suas orelhas tão fartas, com seu osso roído e com o rabo entre as patas. ~ Chaves em sua apresentação para a Festa da Boa Vizinhança (o verso é repetido 44 vezes!)

Eu amo… O Seu Madruga ama… Nós dois nos amamos… ~ Dona Clotilde (a.k.a. Bruxa do 71) para o Seu Madruga

Ninguém tem paciência comigo… ~ Chaves e suas travessuras

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Minas anteninhas de vinil estão detectando a presença do inimigo. ~ Chapolin e seu “sentido Aranha”

Chega! Se eu quisesse ouvir idiotices, me bastaria as que eu mesmo digo! ~ Quico ensimesmado

Se aproveitam de minha nobreza. ~ Chapolin e suas indiscutíveis qualidades

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Em 30 anos de exibição no Brasil, aprendemos mais do que bater nos vizinhos ou desenhar porcos com letras “W”. Aprendemos também alguns conceitos filosóficos, por mais que não tenhamos reparado nisso.

Cinismo: A filosofia vive em um barril

Assim como Chaves, o filósofo pós-socrático Diógenes vivia em um barril. E todo o desprendimento do garoto com a vida não poderia ter outra influência senão o maior representante do cinismo. Não, não é o cinismo das tias que perguntam “E os ‘namorado’?” para sobrinhas encalhadas. Mas, sim, o conceito filosófico que foi levado ao extremo por Diógenes, que, segundo dizem, andava nu e “não tinha propriedade alguma para não ser propriedade de nada”, como lembra o filósofo Mario Sergio Cortella, no programa Agora é Tarde:


O Eterno Retorno: Nietzsche de calça jeans

Na obra A Gaia Ciência, Nietzsche propõe uma ideia mais perturbadora do que o amor de Dona Clotilde para o Seu Madruga. Ele sugere a possibilidade de termos de viver outras vidas repetidamente, fazendo as mesmas coisas que fizemos nesta. É o conceito do Eterno Retorno. Assim, imaginando que cada episódio da vila seja uma vida diferente, as ações que lá acontecem ocorrem repetidamente porque estão condenadas a este conceito. O pobre coitado do Seu Madruga, então, seria o melhor exemplo da ideia, uma vez que sempre é cobrado a pagar os mesmos 14 meses de aluguel; e sempre será condenado a apanhar da Dona Florinda, ainda que não tenha culpa. Se incorporasse a ideia proposta por Nietzsche, ele poderia tentar romper o ciclo de sofrimento para ficar bem consigo mesmo. Mas arrumar um emprego e enfrentar a mãe do Quico não parece uma opção.

Filosofia do Absurdo: Albert Camus só quer evitar a fadiga

Olhando pelos olhos do escritor e filósofo Albert Camus, o carteiro Jaiminho poderia ser um revoltado. Sempre com a desculpa de “evitar a fadiga”, o habitante mais ilustre de Tangamandapio poderia, na verdade, ter tomado consciência da inutilidade de seu trabalho e criado, assim, uma metáfora sobre a vida moderna, na qual as pessoas são obrigadas a realizar tarefas sem sentido. A ideia está no ensaio O Mito de Sísifo, que apresenta os conceitos da filosofia do absurdo, no qual Camus faz uma referência à lenda grega do mortal que prendeu a morte e, como castigo dos deuses, foi obrigado a rolar uma pedra morro acima, que, ao chegar no topo, despencaria novamente. E seguia assim por toda a eternidade. Para Camus, a solução, no lugar do suicídio, seria a revolta. E quem paga são os outros habitantes da vila que precisam procurar por suas próprias cartas.

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Nada é mais difícil que unir a América Latina: nem o futebol consegue isso, que o digam os brasileiros com Pelé e os argentinos com Maradona. O Chaves do Oito e o Chapolin Colorado conseguiram: são idolatrados de Tijuana a Ushuaia, mesmo com 30 anos sem gravar um episódio.

Vários experts em televisão já explicaram os motivos: é uma comédia que não subestima a inteligência do espectador, mesmo sendo uma criança; é um local que faz parte da infância rural/suburbana de muita gente; são relações de poder que se refletem no cotidiano; os trejeitos se repetem.

Acima de tudo isso existe um sentimento estranho de fraqueza e auto-ironia que une a nós, latino-americanos, como nenhuma outra coisa. A fraqueza das nossas posses, das nossas instituições, a fraqueza da justiça e das pessoas desfavorecidas; a auto-ironia de saber debochar de si próprio como alternativa de resignação às derrotas constantes.

Tudo isso nos une, de Tijuana a Ushuaia; sempre vai ter um vizinho com uma bola que queremos e não podemos ter, sempre vamos apanhar por algo que não fizemos, às vezes seremos expulsos da nossa vila por um crime que não cometemos, e sempre terá Acapulco para irmos nos divertir mesmo sem pagar 14 meses de aluguel.

Essas contradições são tipicamente latino-americanas. Bolaños pode não ser o melhor roteirista do mundo, nem do seu país. Poderia ter ideias que não condizem com a sua prática – mas qual outro conseguiria trazer realidades tão caras a nossa situação política e social?

E que outro professor nos ensinou as histórias de Colombo, de Fausto, de Napoleão, de Chopin, de Guilherme Tell e até astronomia básica – “não são pedras, são aerólitos!” – de forma tão divertida e tão grudenta, para não esquecermos nunca?

Sempre vão ter aqueles para dizer que é apenas uma valorização da “cultura trash“, do “ruim divertido”, o “ruim cult“. Assim como os estádios da América Latina, repletos de cachorros em campo, sinalizadores, arquibancadas de madeira, papel higiênico no gramado – ora, não gostam? Fiquem com sua assepsia de arenas multiuso e comédia hospitalar. Ninguém é obrigado a gostar. Respeitem quem se identifica com aquilo que está perto da sua realidade, ou é difícil encontrar uma criança abandonada com um saco de roupas, na sua esquina?

Bolaños se despede com a contradição maravilhosa de ter a sua morte anunciada no intervalo da sua vida, em uma das tantas reprises que o representam como completo no SBT. Bolaños se despede como nós, na dúvida entre a morte e a não-morte, na comoção e no choro generalizados daqueles que, mais que admiraram, mais que amaram, sentiram o que Chaves sentia.

Bolaños se despede para seu descanso merecido, enquanto aqui seguimos fazendo suco de tamarindo com a água da chuva.

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…traduzida em desenho:

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A dubladora de Chiquinha gravou uma mensagem de despedida para o Chaves, dê o play abaixo:

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No final do episódio da viagem para Acapulco/Guarujá, um dos mais famosos e queridos pelos fãs de Chaves, Roberto Bolaños canta uma música composta por ele mesmo, “Boa Noite Vizinhança”. Creio que seus versos são o modo mais apropriado de dizermos “até breve” a alguém que alegrou e inspirou tantas gerações ao longo de décadas: “Prometemos despedirmos, sem dizer adeus jamais…”

~ Este artigo é uma junção dos posts publicados pelos sites: YouPix, Impedimento, Exame, Pensar Enlouquece, UOL Entretenimento, Sem Profetada, Galileu, Circus Circus, comentários no Jovem Nerd e Designerd. E um agradecimento super especial à Kelyanne Costa, a colaboradora Premium deste blog, sem a qual este post não seria possível.

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