Paul McCartney e o Segundas Sem Carne

Tenho um jantar toda segunda-feira com meu pai, quando cozinhamos (ou tentamos). […] Semana passada ele comprou um livro chamado “Segundas sem carne”. O livro é resultado de um projeto iniciado em 2009 por Stella Mary e Paul McCartney, que também existe no Brasil.


No site do projeto há um textinho que resume:

Ao abrir mão de carne por um dia por semana, você economiza dinheiro, reduz seu impacto ambiental e vive de modo mais saudável.

Em 2006, um relatório da United Nations Food and Agricultural Organization, destacou o impacto ambiental de se comer carne e a importância de se fazer escolhas alimentares ambientais e sociais mais conscientes. Em 2009, nós lançamos a campanha Meat Free Monday (segundas sem carne) como uma ideia simples e direta de mostrar a todos o valor de se comer menos carne – e tornar isso mais fácil para nós fazermos isso também.

Não estamos pedindo que você pare de comer carne completamente. Estamos o encorajando a fazer um pouco para ajudar a proteger o planeta. Ao se unir a nós e ter um dia sem carne a cada semana, estaremos dando grandes passos rumo à redução dos problemas ambientais relacionados à indústria da carne. Você também estará dando uma empurrão a sua própria saúde e com o benefício extra de que os vegetais custam menos do que carne. Ter um dia sem carne por semana significa coisa boa para o bolso também.

Junte-se a nós e veja como um dia sem carne por semana pode fazer diferença para o mundo.

Paul, Stella and Mary McCartney

Antes que venham os xiitas, o que proponho neste texto não é que todos sejamos vegetarianos. O ponto é termos mais consciência com nossa alimentação, sendo mais responsáveis.

Não comer carne por um dia na semana pode nos ajudar a pensar sobre algo que muitas vezes nem refletimos. Preciso comer tanta carne? Eu sei o que como? Estou ciente do impacto que minha alimentação tem no mundo, na própria saúde e nos animais?

Comida é só comida. Só que não.

É muito comum nem prestarmos atenção ao que comemos. Sentimos fome, sentamos apressados, comemos e pronto, manda um cafezinho. Quando muito, pensamos em como estava gostoso (ou não).

Viver preocupado e raciocinando sobre tudo o que se faz pode ser cansativo, eu sei.

Mas e se durante um dia na semana, você se propuser a pensar por alguns segundos na sua comida?

Quantas pessoas precisaram trabalhar para que aquela comida estivesse ali, no prato?

O arroz não veio do saco, nem o leite da caixa muito menos o bife veio só do açougue
O arroz não veio do saco, nem o leite da caixa muito menos o bife veio só do açougue

Não importa se a comida veio de um pequeno produtor ou de uma grande indústria. Dezenas de pessoas se envolveram em trabalhos que resultaram naquele arroz quentinho ou mesmo na pimenta do reino com que você tempera seu prato. Sabe o trabalho que você ama (ou odeia) fazer todos os dias? Pode ser que o de alguém seja plantar, colher, descascar…

Quem prepara sua comida?

Se você come em casa ou na casa de parentes, deve saber reconhecer o esforço de quem cozinha, certo? Se a vovó está triste, parece que falta tempero. Se está alegre, está tudo gostoso (o mesmo deve acontecer com todo mundo que cozinha).

E o camarada cujo trabalho é colocar frangos no caminhão ou operar uma máquina de processar tomates? As emoções dele não influenciam a comida, mas seu trabalho sim.

Que bom que há pessoas fazendo isso, né? Assim posso comer nuggets com catchup.

Houve alegria?

A avó da minha esposa tem uma horta.

É uma alegria só quando ela vê que a batata-doce está docinha, enorme e ficará uma delícia com melado na hora do café ou acompanhando o almoço, com arroz e feijão. Ela colhe e traz da horta até a casa, num carrinho de compras, bem devagarzinho. Feliz da vida.

Boa colheita e preço justo é motivo de alegria para o agricultor. Você pode fazer parte dessa alegria, valorizando o que come (ou pelo menos não fazendo pouco caso).

Existem pessoas com fome

Comer é um privilégio para muitas pessoas no planeta. A mãe de todo mundo já deve ter dito que deixar comida no prato é feio porque há pessoas que não tem o que comer. Ela estava certa quando brigava com você na hora que você fazia guerra de comida, cara de nojo e outras pirraças de criança mimada.

Valeu a pena um animal ter morrido pra que eu pudesse comer um bife? Eu valorizo isso nessa refeição?

Alguns amam um bom filé. Outros um camarão. Outros tantos adoram coxinhas de galinha. A existência inteira de um ser culminou no seu prato. Ele pode ter sofrido ou sido bem tratado. Fato é que viveu e morreu para ser seu alimento.

Se não dá para fazer sempre, dedique um dia na semana para pensar nisso. Não desperdice comida. Não coma com displicência.

Sabe aquela cena de filme em que a família reza antes de comer?

Conheci um cara que fechava os olhos e abaixava a cabeça por alguns segundos antes das refeições. Tão sutil e brevemente que demorei a perceber, mas achei bonito.

Eu não faço isso, mas procuro (sempre que lembro), pensar na origem de cada coisa do meu prato e na minha vontade de comê-las.

Uma segunda-feira sem carne pode ajudá-lo a ser mais consciente, a diminuir sua pegada no planeta e a começar a semana mais leve.

Não vai doer nada.

Autor: Vitor Barreto, pro Papo de Homem.

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Um comentário em “Paul McCartney e o Segundas Sem Carne”

  1. […] As Segundas Sem Carne são uma excelente maneira de experimentar uma dieta vegetariana sem muito comprometimento. Há diversas razões relacionadas à saúde, às finanças e ao meio ambiente pelas quais as dietas vegetariana e vegana são benéficas, e as Segundas Sem Carne – um compromisso semanal com uma vida livre de carne – é um bom lugar para começar. […]

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