E agora?

Olá, querido!

140 caracteres ficaram pequenos, então respondo seu tweet por aqui.

“O povo vai voltar ficar caladinho”. Isso é uma triste certeza que você tem.

“A morte vai chegar a qualquer momento”, “homens usam mulheres e as descartam como coisas”, “empresários exploram o trabalho de seus empregados para ficarem ricos”… São outras tantas tristes certezas que nós temos…

Isso nos impede de seguir vivendo e amando as pessoas? Isso impede que você mesmo se apaixone e ame sua esposa? Isso tudo são “protestos” diários que a gente faz, para mostrar que somos diferentes.

A certeza triste não pode impedir ninguém de agir diferente do que esperam. Se você e eu vivemos e não desistimos dos nossos sonhos, nem de amar os outros, isso faz diferença? Que diferença isso faz?

Gosto de pensar que a pequena conquista nossa a cada dia, são os nossos 20 centavos.

Mas não posso nunca desprezar o esforço dos outros! Não acho que eles vão mudar tudo. Mas é bom saber que eles estão acordados. “O povo” vai ficar caladinho amanhã ou depois. Essas pessoas, não.

O mundo delas mudou com isso. E os filhos delas talvez sejam pessoas diferentes por isso também.

Se olharmos por fora e superficialmente, não vão conseguir muito. Mas é muito melhor do que ficar em casa e assistir novela.

Pense nos empresários que exploram os empregados, outra triste certeza que temos… Se você olhar para a exploração de agora, sentirá que não vale a pena lutar pelos direitos dos empregados, e adotará o famoso “se não gosta de ser humilhado, procure outro emprego”…

Mas pense nos trabalhadores do século XIX. Pense na diferença de antes e o que conseguiram hoje. Se você pensar no que falta, se olhar a montanha do progresso olhando só para cima, você sentirá um pouco de desânimo de lutar para chegar no topo. Vai querer ficar parado, “quietinho”, onde parou.

Você precisa pensar em tudo que já foi feito antes. Ver todo o caminho trilhado e toda a escalada. É preciso sonhar com o grande, com o fim da maldade, da guerra, da corrupção. Mas esse resultado depende de uma revolução muito maior. Uma revolução dos corações.

Mas até lá, a gente deve lutar para conseguir o pouquinho de cada vez… E se não puder lutar, torça, apoie, sonhe junto com aqueles que vão na frente e conseguem aquele “nada”, que juntando-se a todos os outros “nadas” se soma às conquistas daqueles que se atreveram a se atrever.

Esse movimento pode não mudar o país. Mas isso vai significar muito no coração de quem participou, seja de corpo presente, gritando, lutando, seja por aqueles cujo coração estava junto com eles, rezando para que a polícia não os machuque, como eu fico.

Por fim, quero que se lembre do movimento “diretas já”. Não foram eles que terminaram com a ditadura. Eles só queriam poder votar diretamente. Hoje isso não parece nada, vendo como as pessoas disperdiçam seus votos.

Naquela época já havia tanta corrupção! Você lembra do “bolo” dos generais e tudo que eles roubaram, né?

Mas, pense. Imagine se aquelas pessoas deixassem de lutar, entrassem no clima do “daqui a pouco o povo volta a ser indiferente, deixemos os generais seguirem”.

É preciso ter cuidado para não exigir demais das pessoas. Não apoio essas pessoas porque acho que elas vão mudar o Brasil. Eu as apoio porque houve uma mudança no coração delas.

Gostaria que os professores, policiais, outras classes e tantas outras pessoas fossem unidos assim. Mas eles não são. Eles se acovardam e se separam, porque boa parte deles pensa como o seu tweet. E isso doí no meu coração.

Quando as pessoas se separam, porque uns ficam com preguiça de lutar, eles ficam fracos e ninguém os escuta. Nem sei se eles vão conseguir algo. O importante para mim, é saber que eu os escuto. E eu os escuto com amor.

E quer saber do que mais? Acho que no fundo no fundo… Seu coração quer ser convencido de que vale a pena lutar… Senão, por que você perderia seu tempo falando sobre isso? Até porque, como já dizia Allan Kardec, somente as ideias verdadeiras são combatidas… As falsas se destroem sozinhas…

Queria poder explicar melhor… Talvez eu possa, mas outro dia… Por enquanto, os sentimentos estão meio atropelados.

~ Francine Markova, em mensagem recebida por e-mail.

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