O mundo está ficando melhor?

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A imprensa – e os seres humanos em geral – têm um viés forte baseado na negatividade. Notícias econômicas ruins ficam mais tempo na cobertura de um (tele)jornal do que uma boa notícia. As experiências negativas afetam as pessoas por mais e por mais tempo, do que as positivas! Portanto, é natural que situações atípicas como a incursão da Rússia na Ucrânia, ou a ascensão do terrorismo, ou o surto de Ebola, chamarem mais a nossa atenção do que, digamos, o fato de que a extrema pobreza caiu pela metade desde 1990, ou de que a expectativa de vida está aumentando, especialmente em países mais pobres. Mas vale a pena dar um pouco de atenção para esses últimos fatores. O mundo está ficando muito, muito melhor em toda uma variedade de dimensões. E aqui estão apenas alguns exemplos:

A pobreza extrema caiu!

Este é provavelmente o quadro mais importante nesta lista. A taxa extraordinária de crescimento econômico na Índia e na China – bem como o crescimento mais lento, mas ainda significativo em outros países em desenvolvimento – levou a um grande declínio na parcela da população mundial que vive com menos de US$ 1,25 por dia, a parcela de 52% da população 1981, caiu para 43% em 1990, e para 21% em 2010! Os índices ainda são altos, e mesmo assim, alguns especialistas em desenvolvimento estão argumentando que esse limite deveria ser aumentado para US$ 10-15 por dia, mas o que muito se debate é um sinal do enorme progresso feito nas últimas décadas.

A fome está diminuindo…

O mapa abaixo mostra o Índice Global da Fome – uma medida de desnutrição calculada pelo Instituto de Pesquisa de Política Alimentar Internacional – na maior parte dos países do mundo entre 1990 e 2014. O vermelho e o laranja demonstram países que possuem altos níveis de fome e desnutrição, enquanto os verdes têm taxas mais baixas. É encorajador ver o mundo gradualmente se tornar menos vermelho e mais verde ao longo dos últimos 24 anos.

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…e o trabalho infantil também!

Qualquer quantidade de trabalho infantil é demais para o trabalho infantil, e o ritmo em que ele está sendo reduzido não é rápido o suficiente para atender a meta de eliminar o trabalho infantil projetado pela Organização Internacional do Trabalho para o ano de 2016. Mas a taxa de declínio – reduzida em 1/3 entre 2000 e 2012 – não é trivial e merece ser comemorada.

A expectativa de vida aumentou.

A nível mundial, a expectativa de vida tanto para o sexo masculino quanto para o feminino, aumentou em seis anos de 1990 a 2012, mas os ganhos foram maiores em países de baixa renda, que percebram um aumento de cerca de nove anos para homens e mulheres. Ainda há uma desigualdade substancial entre países ricos e pobres; a expectativa de vida masculina é 16 anos mais elevada nos países de renda alta em comparação com as de baixa renda, e expectativa de vida feminina é 20 anos superior. Mas a diferença está lentamente se igualando.

A mortalidade infantil está decaindo.

A mortalidade infantil caiu quase pela metade desde 1990. Se você olhar para as regiões em desenvolvimento, os ganhos são ainda mais impressionantes. No leste da Ásia, América Latina, e no norte da África, a taxa de mortalidade de menores de cinco caíram mais de 2/3 no mesmo período, enquanto na África subsaariana caiu em 48%.

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A morte durante o parto é cada vez mais rara.

A mortalidade materna diminuiu 45% segundo a Organização Mundial de Saúde. E a queda têm sido especialmente dramática nos países africanos.

As pessoas estão ficando mais altas!!!

Este gráfico, retirado de uma pesquisa realizada por Gregory Clark, acompanha a altura dos esqueletos masculinos encontrados na Europa através de quase 2000 anos, e compara esses pontos de dados com as informações mais recentes. Por quase dois milênios, as alturas do sexo masculino permaneceram estáveis, mas com o advento da Revolução Industrial, elas começaram a subir abruptamente. Há muitos fatores determinantes para este aumento, mas padrões de nutrição e de vida em geral são os mais cruciais.

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Fumantes estão em baixa também!

De acordo com a Gallup (empresa de pesquisa de opinião dos Estados Unidos), após as Guerras Mundiais, uma grande maioria da população americana sempre foi fumante. Mesmo assim, já percorremos um longo caminho desde 1955, e enquanto naquela época 45% dos norte-americanos consumiam em média um maço de cigarros por semana, atualmente, esse percentual não é maior do que 21%.

As guerras estão em declínio.

Um século após o início da Primeira Guerra Mundial, pode ser difícil para as pessoas acreditarem que a guerra está em declínio. Mas, a longo prazo, as mortes por violência política organizada estão caindo, como enfatiza o psicólogo canadense Steven Pinker: “a taxa de mortes diretas e documentadas de violência política (guerra, terrorismo, genocídio e milícias locais) na última década é de apenas alguns centésimos de ponto percentual, uma número sem precedentes”.

E não é apenas Pinker quem faz tal afirmação, analistas como: John Mueller, Joshua Goldstein e John Horgan são persuasivos em dizer que o fim da guerra está próximo. “A guerra é apenas uma idéia”, escreve Mueller, “ao contrário de respirar, comer, ou fazer sexo, a guerra não é algo exigido pela condição humana, ou pelas forças da história. Assim, a guerra pode murchar e desaparecer, e esse processo parece estar à ponto de se iniciar.”

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As taxas de homicídio estão caindo por toda a parte.

Não é só a violência entre nações que está em declínio. Como a pesquisa do criminologista Manuel Eisner mostra, o homicídio em países europeus tem diminuído ao longo dos séculos. Eisner estima que no ano de 1200 e 1300, a Europa tinha uma taxa média de homicídios de cerca de 32 por 100.000 habitantes. Nos anos 1900, essa taxa havia caído para cerca de 1,4 para cada 100.000.

Nós reduzimos drasticamente a fabricação de armas nucleares.

Os estoques de armas nucleares mundial atingiu o pico em 1986 (+69,000 ogivas atômicas), e desde então o que se tem visto é um declínio acentuado dos americanos e russos neste tipo de armamento. Houveram alguns lapsos no regime de não-proliferação internacional, com o Paquistão e Coréia do Norte desenvolvendo armas, mas a África do Sul e as pós-URSS Belarus, Cazaquistão e Ucrânia desistiram voluntariamente deste aparato militar. Ponto pra eles!

Mais e mais países hoje são democracias!

Na década de 70, autocracias mantinham uma desvantagem sobre as democracias por uma margem considerável. Países do bloco soviético foram uniformemente ditatoriais, e os Estados Unidos pós-Guerra Fria não fizeram promoção da democracia uma prioridade, aliando-se com uma série de ditaduras brutais, como a Coréia do Sul, Chile e Grécia. Mas, depois da queda do Muro de Berlim, as ditaduras comunistas praticamente desapareceram, e muitos ditaduras em países europeus orientais foram substituídos por sistemas democráticos. Governos militares apoiados pelos Estados Unidos na América Latina perderam o poder, e uma série de ditadores africanos caiu. O resultado foi que, em 2013, a média de pontuação mundial da Polity IV Score – uma medida utilizada pelos cientistas políticos para rastrear a prevalência da democracia – foi maior do que jamais foi.

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Mais pessoas estão ficando na escola por um período maior de tempo…

Nós ainda temos muito o que fazer para melhorar o acesso à educação, mas, mesmo em países como a China e Índia, que estão em desenvolvimento, a média de anos de escolaridade (padronizado aqui como o ensino fundamental e médio”) têm vindo a crescer rapidamente.

…e a alfabetização se deu muito bem com tudo isso.

O aumento do acesso à educação tem, sem surpresa, relação com o aumento da alfabetização. Um grande progresso foi feito também por se reduzir as diferenças raciais na alfabetização. Em 1870, 80% dos afro-americanos com idades entre 14 anos ou mais eram analfabetos, e em 1950 esse número caiu para apenas 11%. Por volta de 1979, de acordo com dados do Centro Nacional de Estatísticas da Educação, a taxa mundial de analfabetismo caiu para 1,6%!

A Lei de Moore ainda está em curso.

A Lei de Moore – a observação empírica, idealizada pela presidente da Intel, Gordon Moore, de que o número de transistores em um chip dobrariam aproximadamente a cada dois anos – tem alimentado o crescimento extraordinário do poder da computação ao longo do último meio século. E, embora alguns analistas argumentem que o progresso será lento na próxima década (ou que ele já é), as últimas décadas de progresso exponencial foram extraordinárias, e, mesmo que a tendência não continue, otimistas do setor argumentam que ela pode.

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O acesso à internet está aumentando.

Neste ponto, o uso da internet é bastante universal em países desenvolvidos – que ocorreram muito, mas muito rapidamente – e enquanto ela é menos prevalecente nos países em desenvolvimento e no mundo em geral, as linhas de tendência estão indo na direção certa.

E a energia solar está ficando mais barata.

A mudança climática é uma grande área onde nós não estamos fazendo progresso, e as coisas estão ficando consideravelmente ruins. Não vamos “tapar o Sol com peneira”. Mas um ponto positivo é a diminuição do preço da energia solar, o que está alimentando a um rápido aumento na adoção deste tipo de tecnologia. O preço se divide entre os painéis solares (módulos fotovoltaicos utilizaods para gerar eletricidade) e os custos do “sistema”, que o engenheiro Brad Plumer explica como “todos os pequenos passos ao longo da cadeia produtiva da fábrica até quando ele é colocado no seu telhado”. Este último está ficando mais barato, ajudando a alimentar todo o processo.

Abaixo, um vídeo em inglês com toda a matéria:


↬ Tradução livre do Vox, indicação da Fuck*** Homepage.

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