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Game of Thrones e a história da humanidade

Com a quinta temporada do seriado Guerra dos Tronos a ser lançado em breve, a maioria dos fãs não pode esperar para ver o que o autor George R. R. Martin preparou para estimular, perturbar e pressionar todos nós. Mas o que você pode não perceber é que muitos dos acontecimentos d’As Crônica de Gelo e Fogo foram retirados de um outro conjunto de livros, geralmente chamados livros de história.

Aqui estão algumas das maiores dotações de Martin:

1. O mapa de Westeros é a junção da Inglaterra com a Irlanda

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O mapa do continente de Westeros – onde se encontram os Sete Reinos em que todo mundo está brigando – não é nada mais do que a junção da Inglaterra com a Irlanda (de cabeça pra baixo), e algumas modificações como pode se notar na imagem acima. George R. R. Martin não é um cara super-high-tech (o computador onde ele escreve seu romance funciona com MS-DOS), então eu vou supor que ele projetou o mapa mais importante da literatura atual com um atlas, uma tesoura (sem ponta) e um pouco de fita adesiva.

Tome nota da localização da Muralha de Adriano, no Reino Unido, situada praticamente no local onde nos remete…

2. A Muralha = A Muralha de Adriano

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A Muralha de Adriano foi uma fortificação de 73 quilômetros, que se estende por todo o comprimento da Grã-Bretanha, desde o Mar da Irlanda até o Mar do Norte, em que Roma construiu durante o século II na fronteira setentrional do seu Império para manter os bárbaros escoceses (vulgo “selvagens”) na baía. Soa familiar? No mínimo deveria. George R. R. Martin concebeu “a sua muralha” muito maior e mais mágica, influenciado por uma visita à construção real, em que “tentou imaginar como seria ser um soldado romano a vislumbrar para dentro da baía, à distância, sem saber o que poderia emergir da floresta”.

É interessante notar que o seriado trouxe ao elenco a atriz Rose Leslie e seu forte sotaque escocês para representar Wilding Ygritte, o interesse amoroso de Jon Snow.

3. Casa Stark e Lannister = Famílias York e Lencastre

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Não é realmente um segredo que George R. R. Martin mergulhou pesadamente em livros de história sobre a Guerra das Rosas, a série de guerras dinásticas que durou décadas de abrangência sobre o trono Inglês para montar as linhagens d’As Crônicas de Gelo e Fogo. Mas o que você provavelmente percebeu é que Martin mal se preocupou em mudar o nome das duas maiores casas rivais.

Os Yorks, que eram os nortistas, tornaram-se os Starks, enquanto os Lencastres, que eram obscenamente ricos, tornaram-se os Lannisters.

4. Daenerys Targaryen = Henrique VII

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A Guerra das Rosas eram enormes lutas, uma prato cheio de complexos e abundantes personagens e tramas para Martin, com o qual ele fez pleno uso do mesmo, como você vai perceber. Um dos maiores spoilers (e, possivelmente, uma dica de como tudo isso vai acabar quando o sétimo e último livro for publicado em… 2043!) é a história de Henrique VII.

Este nobre exilado passou 14 anos, a maior parte de sua vida, através de um “mar estreito” na França, consolidando o poder e planejando uma invasão à Grã-Bretanha, que muitos seguidores impacientes provavelmente pensavam que nunca viria. Isso soa como alguém que você conhece? E aqui vai mais uma dica: seu escudo de batalha era um dragão vermelho.

Henrique VII estava lutando do lado dos Lencastres, e terminou no trono britânico, quando a Guerra das Rosas finalmente chegou ao fim.

5. Theon Greyjoy = Jorge Plantageneta

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Muitos dos fãs do seriado ficaram extremamente frustrados quando Theon Greyjoy traiu Robb Stark – uma pessoa que cresceu ao seu lado como um irmão, e decidiu lutar contra ele na Guerra dos Cinco Reis. “Por quê?! Por que ele faria isso?!” eles provavelmente bradaram. Bem, não há uma resposta simples para isso. Mas o que é interessante é que, no mundo real, o homólogo Jorge Plantageneta também fez isso.

Plantageneta começou a Guerra das Rosas do lado da Casa York, lutando ao lado de seu irmão Eduardo IV (que é simplesmente, Robb Stark), antes de “virar a casaca” e “pular na cama” com a Casa Lencastre e, eventualmente, tentou saltar de volta para a cama com os Yorks . Em última análise, foi considerado culpado de traição. E em vez de ser torturado até a quase total insanidade por um bastardo sociopata, ele foi simplesmente afogado em um barril de vinho. (O destino de seu pênis, infelizmente, se perdeu na história.)

6. Joffrey Baratheon = Eduardo de Westminster

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Joffrey Baratheon é o absolutamente o pior personagem da trama, certo? Estamos todos de acordo sobre isso? Bem, um forte candidato para o segundo lugar tem que ser Eduardo de Westminster, o psicopata da vida real que serviu de inspiração para o personagem da ficção. Falando do filho (possivelmente ilegítimo) sedento de sangue do rei Henrique VI, o embaixador Milanese escreveu certa vez: “Este menino, apesar de ter apenas 13 anos de idade, já não fala de mais nada além de cortar cabeças ou fazer guerra…”

Depois de ser capturado na batalha de Tewkesbury com 17 anos, Eduardo de Westminster levou um tapa na cara dada com a manopla de metal de Eduardo IV (que, novamente, é simplesmente Robb Stark), antes de ser cortada pelas espadas de seus inimigos.

7. Fogovivo = Fogo Grego

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Se lembra do fogo verde mágico que Tyrion usou para derrotar a Marinha de Stannis Baratheon na Batalha da Água Negra? Bem, tirando a parte mágica e verde, ele é praticamente um análogo exato do fogo que os gregos criaram, e que tinha a capacidade de continuar queimando mesmo quando era jogado numa superfície líquida, como a água. Os habitantes de Constantinopla utilizaram-no para lutar contra os exércitos árabes invasores durante o cerco à sua capital bizantina.

8. Caminhantes Brancos = Feiticeiros Celtas

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Os sobrenaturais Caminhantes Brancos – ou, Os Outros como são denominados nos livros – que emergem do extremo frio induzindo o terror ao ressuscitar os mortos e atormentar os vivos parecem ser baseados, em grande parte, aos Aos Sí, ou Sídhe, uma raça de seres sobrenaturais semelhante às fadas ou duendes na mitologia irlandesa.

Nos livros, porém, Os Outros não se parecem com as formas envelhecidas utilizadas na versão televisiva (acima). Na verdade, eles são formas belíssimas, como a Katy Perry! Em uma tentativa de descrevê-los a um artista gráfico, Martin disse: “Os Outros não estão mortos. Eles são estranhos, lindos… deixe-me pensar, oh… feitos de gelo… um tipo diferente de vida… desumanos, elegantes… perigosos.”

9. R’hllor, o Senhor da Luz = Ahura Mazda, o Deus do Zoroastrismo

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Um dos aspectos mais estranhos da religião que a mulher vermelha Melisandre evangeliza em Guerra dos Tronos é a sua divindade solitária, R’hllor. A maioria das pessoas de Westeros adoram um panteão de deuses conhecidos como Os Sete, uma variedade indescritível de divindades sem nome chamados de velhos deuses.

Martin reconheceu que a fé de R’hllor é uma reformulação aproximada do culto de Ahura Mazda, ou Zoroastrismo, que é amplamente considerado como sendo uma das mais antigas religiões monoteístas do mundo, se não a mais velha. Como contraparte de ficção, seus adeptos mantêm a ideia de que o fogo é sagrado, e muitas vezes vão orar em sua presença na tentativa de adquirir sabedoria e discernimento espiritual. Mas o crédito para os “monstros” criados por Melisandre vai para Martin.

10. Lobos Gigantes = Lobos-Pré-Históricos

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Você pode imaginar que a ideia de grandes lobos, assustadores e cruéis, seria uma ideia fácil o suficiente para Martin chegar por conta própria, mas não. Os lobos encontrados pela família Stark – como Fantasma, Vento Cinzento e Nymeria – são baseados em animais terríveis que já habitaram nosso mundo há +16.000 anos atrás, um primo dos lobos que conhecemos. Outro fato curioso é que a loba de Sansa, chamada Laidy, possui o mesmo pseudônimo do primeiro exemplar fóssil deste animal, encontrado em 1858.

11. Petyr “Mindinho” Baelish = Oliver Cromwell

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Em Guerra dos Tronos, Petyr Baelish, ou Mindinho, é o tesoureiro real que começa uma ascensão até a escada do caos graças inteiramente aos seus talentos perspicazes e conspiratórios. Até onde ele vai? Quem (além de Martin) posso saber?

Sabemos que Oliver Cromwell, o nobre e líder militar sobre quem Mindinho é claramente baseado de alguma forma, conseguiu tornar-se Lord Protector do Protectorado. Então, realmente, o céu é o limite.

(Para uma biografia completa de carne e osso (hoje só osso), escutem a música Oliver Cromwell da banda Monty Python)

12. O Casamento Vermelho = O Jantar Negro e o Massacre de Glencoe

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Sendo o caso mais chocante de toda a série, o Casamento Vermelho foi a junção de dois eventos cronológicos e históricos distintos da história escocesa. Um deles era um caso chamado de Jantar Negro, em que o rei da Escócia convidou o seu inimigo, o Conde de Douglas para um jantar em seu palácio, enquanto prometia-lhe absoluta segurança. Como você provavelmente pode imaginar, ele estava mentindo. Depois que toda a comida foi servida, um músico real começou a tocar um único cilindro, com um brasão representado pela cabeça de um javali preto – “o símbolo da morte”, como explica Martin. “E assim que ele o viu, sabia o que significava. Arrastaram-no para fora e o executaram no pátio.”

Em seguida, o outro evento foi o Massacre de Glencoe, nas quais o Clã Campbell convidou seus adversários, o Clã MacDonald, para ficarem durante a noite e dormirem em seu castelo. Escusado será dizer que os Campbell levantaram-se no meio da madrugada para o matar todos os MacDonald’s em suas camas. Desnecessário dizer.

“Não importa o quanto eu a disfarce”, Martin explicou, “há coisas na história que são tão ruins, ou piores.”

Isso é… reconfortante.

– Eu vou matar todos eles. Cada um deles… – Meu garoto, eles estão com suas irmãs. Vamos trazer as garotas de volta. – E depois nós vamos matar todos eles.

↬ Tradução livre do artigo original em Distractify.

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