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9 questões desconfortáveis sobre ser pai e mãe

ATENÇÃO: abra seu coração antes de ler o texto.

Quando uma pessoa anuncia o nascimento de seu filho para o mundo isso vem embalado numa aura de santidade, o que tem seu charme misturado com certa “breguice”, a vida tem essa beleza estranha. Mas muitos pais só vão descobrir tardiamente que não existe nenhum manual de instrução.

Esquecemos de dizer algumas coisas importantes para os candidatos à pai e mãe.

1. Os filhos serão espelhos de suas virtudes e defeitos

Não adianta negar, mas quando alguém diz que uma criança está agindo de um jeito “mau educado” provavelmente é verdade.

Os bebês nascem com os cérebros mais sedentos que você jamais terá ao longo de sua vida, cada impressão, palavra, fisionomia e comportamento será espelhado como se ele fosse um mímico dos pais.

É até surpreendente notar que uma mãe extremamente geniosa e agitada não reconheça nos mimos do filho a sua versão mirim. A maneira arbitrária ou consistente que alguém age implicará diretamente no jeito que seus filhos se comportarão.

2. Os filhos não são troféus

Seu filho é doce, limpinho, educado, mas ainda assim ele é um ser humano que desenvolverá vontade própria.

Como todo ser humano ele deixará que suas tendências construtivas e destrutivas venham à tona. E você terá uma tarefa inicialmente primária nessa construção, mas pouco a pouco se tornará dispensável até o ponto da “inutilidade” pedagógica. Prepare-se para isso, eles se despedirão.

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3. Filhos que não são educados a questionar serão submissos a qualquer um…

…inclusive ao amigo que vai propor alguma ação que você não aprovaria.

Muitos pais tem um ponto cego sobre isso, ao educarem seus filhos da maneira mais obediente e submissa possível deixam de ensinar a capacidade dele se posicionar, questionar, confrontar e argumentar com os outros. Se ele segue como um robô suas ordens isso não impedirá que eleja no futuro outro guia cego para as ações dele.

Até os 7 anos de idade isso pode parecer bonito, mas quando o tempo passa é preciso acrescentar uma dose de complexidade na cabeça do pimpolho. Questionar é estratégia de sobrevivência em qualquer meio para que se desenvolva de maneira saudável e inteligente.

4. Seu filho crescerá

É bem comum que muitas pessoas ao pensar na ideia de ter um filho imagine uma criança linda e saudável perpetuamente. Seu bebê lindo vai crescer e se transformar numa pessoa com sonhos, medos e desejos próprios. Já ouvi a frase:

“filha minha não vai andar com vagabundo”

Vai sim, inclusive para provar que esse pai está enganado e que ela tem vontade própria.

O ideal de maternidade associado aos primeiros anos é um dos maiores auto-enganos que os pais cometem e que os levam a ter relações problemáticas com seus filhos na adolescência. Época que nunca imaginaram que chegaria.

5. Limite não mata ninguém

Dar limite para os filhos não mata ninguém, mas não dar limites pode matar muitas pessoas quando ele crescer e achar que não deve colocar um freio em sua impulsividade.

Muitos pais tem medo de limitar seus filhos, principalmente aqueles que se sentem ausentes de casa por causa do trabalho.

O raciocínio é o seguinte.

trabalho muito > meu filho sente minha ausência > quando estou com ele farei desse um momento especial > o momento especial é deixar ele alegre > para trazer alegria deixarei fazer ou comer tudo o que quiser > ele vai me amar muito

Não, querido pai e mãe, os filhos se contrariam quando recebem uma ordem mas ficam aliviados (sem saber disso) por sentirem que estão protegidos de seus próprios impulsos destrutivos. Limitar um filho com afetuosidade é que é um ato de amor.

6. Seja o tipo de pessoa que ele vai copiar

Milagres não existem. Depois de passar anos recebendo mensagens claras ou contraditórias sobre como agir não adianta imaginar que dando ordens seu filho irá obedecer cada palavra cegamente.

Pense bem, analise o padrão de regras que transmitiu. Foram regras claras, consistentes, amparadas em princípios mais profundos, ou foram regras aplicadas no calor do momento e dependendo do seu humor? Se o dia de trabalho dos pais foi bom a regra é sim, se foi ruim a regra é não.

“Pode isso, Arnaldo?”

Seu filho pode ouvir duzentas vezes que não deve tomar refrigerante, mas se ele observar você soltando belos arrotos gaseificados ele vai atrás da latinha dele também. Ele aprende imitando, muito mais que ouvindo.

7. Pagar as contas não resolve tudo

Se você acha que a provisão financeira é a única condição para uma boa educação, então você se esqueceu como foi seu próprio processo de educação. Certamente que o dinheiro pode expor uma criança a experiências enriquecedoras, mas outra pessoa pode não ter onde cair morta, e ter exemplos morais poderosos. Isso pode alavancar a vida dos filhos muito mais do que uma boa herança.

Herança sem amorosidade não funciona e precipita disputas patrimoniais dos filhos em vida, como urubus voando sobre o moribundo. Vai dar muito mais trabalho educar seu filho do que ter dinheiro para levá-lo para a Disney. Então, se para ganhar rios de dinheiro você vai se ausentar moralmente repense sua prioridade.

8. Colocar numa boa escola não tira sua responsabilidade

Bem que você pode tentar matricular seus filhos numa escola TOP, mas isso não irá torná-los educados ou cultos. Essa construção é feita à quatro mãos (seis, oito, dez), se você não lê, tem curiosidade por aprender ou se interessa realmente por avançar intelectual e emocionalmente não espere que isso seja despertado magicamente.

Brigar com os professores, mudar seu filho de escola caso ele repita de ano sem questionar se o clima emocional de casa é harmonioso ou produtivo emocionalmente será um remendo mal colocado. No momento irá funcionar até que o vazamento apareça em outro lugar.

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O Sr. Miyagi não vai salvar seu filho do bullying.

9. Ele não será sua companhia na velhice

Sua velhice é responsabilidade sua, de mais ninguém, portanto, imaginar que seu filho(a) abrirá mão da vida dele para cuidar de você em tempo integral na velhice quer dizer que você está esperando dele um papel de enfermeiro.

Como você se sentiria se fosse impelido a abrir mão de uma vida pessoal/profissional/amorosa satisfatória para cuidar de seus pais?

O maior presente que um pai pode dar para os filhos é pensar na sua aposentadoria e velhice, quanto mais independente melhor para todos. E é exatamente essa liberdade que tornará a relação tão agradável que os filhos estarão sempre rondando a casa dos pais. Já o fardo sempre afasta.

***

Tome com carinho esse alerta para que essa jornada tão enriquecedora possa ser produtiva para todos os envolvidos, pais e filhos.

~ Frederido Mattos para o Medium.

  1. 14 agosto, 2015 às 8:12 pm

    Excelente texto! Para todos os pais e mães.

    Curtir

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