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A “Lista Vermelha”

De acordo com o jornal Guardian, espécies ao redor do mundo estão desaparecendo em quase 1.000 vezes a taxa natural – o que significa que estamos perdendo em torno de 150-200 espécies todos os dias. Perto de 15% de todas as espécies de mamíferos e 11% de todas as espécies de aves estão atualmente listadas como ameaçadas de extinção.

E enquanto a população humana não mostra sinais de abrandar, continuamos a apropriar mais terra para desenvolver cidades, adquirir recursos naturais, e construir fazendas, não percebendo nossa capacidade de destruir os habitats naturais de outras criaturas (isso sem mencionar desastres como derramamentos de petróleo, mudanças climáticas, chuva ácida, e excesso de caça e pesca).

Estes animais são apenas uma fração dos milhares em perigo de extinção…

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A ONG norte-americana Mother Nature Network listou 15 animais que podem entrar em extinção a partir de 2015. No topo da lista está o Rinoceronte-de-Java (Rhinoceros sondaicus). A caça e a perda de habitat ameaçam todas as cinco espécies sobreviventes de rinocerontes, mas nenhuma é mais crítica que o Rinoceronte-de-Java. Duas de suas três subespécies já estão extintas. Cerca de 40 Rinocerontes-de-Java vivem no Parque Nacional Ujung Kulon, na ilha de Java, único reduto da espécie, que não vive mais em cativeiro.

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Com aproximadamente 121 cm e pesando 40 quilos, o Vaquita (Phocoena sinus) é o menor boto da Terra. A espécie, composta por apenas 97 indivíduos, aperece na segunda colocação do ranking dos animais que podem entrar em extinção em 2015, segundo a ONG norte-americana Mother Nature Network. Todos os Vaquitas remanescentes vivem no Mar de Cortez, no México, onde são frequentemente enredados por caçadores de Totoaba [peixe raro cuja barbatana tem suposto valor medicinal na China].

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Na terceira colocação do ranking das espécies ameaçadas, está o Lêmure-Esportivo-do-Norte (Lepilemur septentrionalis). Dados da IUCN (International Union for Conservation of Nature) apontam que a espécie perdeu 80% de sua população nos últimos 21 anos. Sua maior ameaça é a perda florestal para as queimadas, para a produção de carvão e plantação de eucalipto, assim como a caça por humanos para consumo de sua carne. Atualmente, o habitat dos 50 membros restringe-se a uma área de cerca de 8 quilômetros quadrados no norte de Madagascar.

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A população global de Tartarugas-de-Pente (Eretmochelys imbricata) diminuiu em 80% no século passado, esgotada por décadas de caça, urbanização de praias e capturas acidentais. Apesar de seus números gerais ainda estarem em declínio, algumas populações estão se recuperando graças aos esforços de preservação locais, mais notadamente no Caribe. A contagem de ninhos da espécies na costa leste da Nicarágua detectou um aumento de 200% de 2000 a 2014, por exemplo, enquanto a caça decresceu em 80%.

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A 5ª colocação é ocupada pelo Leopardo-de-Amur (Panthera pardus orientalis), uma subespécie extremamente rara, com cerca de 20 adultos e 6 filhotes na natureza. Embora esses animais já tenham rondado pelo leste da China e da Coreia, agora estão limitados à Primorye, na Rússia, onde enfrentam uma série de ameaças, incluindo a caça por suas peles, perda de habitat, tráfego rodoviário e mudanças climáticas. Sua minúscula população ainda está em declínio, de acordo com a IUCN, e tem a mais baixa diversidade genética de todas as subespécies de leopardos.

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A Arara-de-Garganta-Azul (Ara glaucogularis), que aparece no 6º lugar do ranking da ONG norte-americana Mother Nature Network, está criticamente ameaçada devido ao comércio internacional de animais para companhia. Ainda que a Bolívia tenha proibido a exportação de papagaios em 1984, o desmatamento continuou a pressionar as aproximadamente 120 sobreviventes.

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Com uma população de cerca de 300 membros, que vivem em Uganda e na República do Congo, os Gorilas-das-Montanhas (Gorilla beringei beringei) adultos também integram a lista de animais que podem entrar em extinção a partir de 2015. Imensamente ameaçados pela perda de habitat e pela caça, eles também foram vitimados nas décadas recentes por conflitos armados entre humanos.

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O Elefante-Asiático (Elephas maximus), ou Elefante-de-Sumatra, que perdeu aproximadamente 70% de seu habitat potencial desde 1985. A caça pelo marfim contribuiu com a diminuição da população total desses elefantes, que atualmente é compsota por 2.600 indivíduos. A espécie ganhou inclusive um upgrade na lista vermelha da IUCN e passou de “ameaçada” para “criticamente ameaçada”.

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O Ganso-do-Havaí (Branta sandvicensis) é típico do estado havaiano, descendente do Ganso-do-Canadá que voou para a ilha há milhares de anos atrás. Um número aproximado de 25.000 viveram lá quando os europeus chegaram em 1778, mas uma mistura de caça, perda de habitat, colisões em rodovias e animais invasivos reduziu a espécie para apenas 30 pássaros por volta de 1950. Ele foi declarado uma espécie ameaçada em 1967, e um programa de reprodução em cativeiro foi lançado nos anos 70. A espécie cresceu para aproximadamente 2.000 desde então -incluindo um casal que gerou três filhotes em Oahu em 2014, o primeiro nascimento da espécie na ilha em três séculos.

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Na 10ª colocação do ranking das espécies que podem entrar em extinção está a Girafa (Giraffa camelopardalis), que não é frequentemente citada como exemplo em risco da fauna africana. Em 15 anos, sua população teve uma queda de 43%, passando de 140.000 em 1999, para 80.000. Não só os trechos de seu habitat estão sendo roubados pelo homem para a agricultura, como também a mudança climática promove longos períodos de seca que compõem outras pressões, como o influxo de caçadores de elefantes que buscam alimento fácil e renda extra a partir da carne de girafa.

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O Morcego-de-Indiana (Myotis sodalis), que aparece em 11º lugar no ranking de animais que podem entrar em extinção a partir de 2015, existe em todo o leste dos Estados Unidos, mas abarrota a maior parte de sua população em poucas colônias. A espécie entrou para a lista de ameaçadas em 1967, que sofre com a “Síndrome do Nariz Branco” (White-Nose Syndrome), uma doença fúngica que varreu a América do Norte à partir de 2006. Apesar da taxa de mortalidade de até 100%, cientistas descobriram recentemente pistas de que alguns morcegos são capazes de desenvolver resistência à doença.

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O Lince-Ibérico (Lynx pardinus) é uma espécie criticamente ameaçada com apenas duas populações reprodutoras conhecidas, ambas na Espanha, e que somam cerca de 200 indivíduos. A dependência de 75% da dieta do Lince em coelhos pode ser a sua ruína, uma vez que as populações locais de coelhos têm sido escassas desde surtos de vírus Myxoma nos anos 50 e da doença hemorrágica em coelhos nos anos 80.

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Eis o Sapo Pulverizador de Kihansi (Nectophrynoides asperginis), que vive na zona de cachoeiras de Kihansi Gorge, na Tanzânia. Eles já somaram cerca de 17.000, mas diminuíram após a construção de uma barragem em 2000, que cortou 90% do volume de água do desfiladeiro. Embora um sistema de aspersão tenha tentado ajudar, as espécie sucumbiu ao fungo Quitrídio, um grande ofensor de anfíbios em todo o mundo. Estes sapos foram declarados extintos na natureza em 2009, mas os cientistas iniciaram um programa de reprodução em cativeiro, desde então a população cresceu de 500 para 6.000, o que permitiu o início da reintrodução na natureza em 2012.

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O Kakapo ou Papagaio-Mocho (Strigops habroptilus), um papagaio que não voa, pode ser o pássaro mais longevo da Terra – a sua expectativa média de vida é de 90 anos – mas também está entre os mais raros. Uma vez comum em toda a Nova Zelândia, a espécie foi destruída nos últimos séculos por caçadores humanos, e por outros animais predadores. Os esforços de resgate começaram na década de 90, com a realocação das aves pelos cientistas para duas ilhas remotas onde os predadores não nativos haviam sido removidos. A população de hoje conta com cerca de 125 espécimes e ainda é considerada criticamente em perigo.

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A Foca-Monge-do-Havaí (Monachus schauinslandi) foi caçada a ponto de quase chegar ao esquecimento nos século 19 e início do século 20. Os Estados Unidos declararam-nas em perigo em 1976, e estabeleceu um grande habitat crítico em 1988. Isso protegeu a espécie da caça, mas os 1.200 indivíduos restantes ainda enfrentam ameaças como o lixo marinho, os barcos, a erosão da praia e a escassez de alimentos. No entanto, os esforços de preservação parecem estar fazendo a diferença: elas tiveram 121 novos filhotes em 2014, um crescimento que representa 10% do número de indivíduos sobreviventes de toda a espécie.

E a lista se estende bem além destes 15 animaizinhos, e pensar que antes da industrialização humana eles eram senhores de seu próprio habitat, e enquanto a “espécie” humana aumenta sua população verticalmente, outras não possuem mais “onde morar”:

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Foca-de-Crista ou Foca-de-Capuz (Cystophora cristata): população estimada em 1997: ~24.000.

Canguru-Arborícola (Dendrolagus ursinus): sem dados estatísticos.

Abutre-Barbudo (Gypaetus barbatus): população estimada em 2004: 1.300 ~ 6.700.

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Axolote (Ambystoma mexicanum): população estimada em 2003: 42.

Saiga (Saiga tatarica): população em 2004: 50.000 (pode parecer muito, mas já houve mais de 1,2 milhões de espécimes na natureza; o que configura um animal em risco de extinção não é muitas vezes a população atual, mas o percentual com que a mesma diminui, ou a destruição de seu habitat natural).

Macaco-Dourado (Rhinopithecus roxellana): população estimada em 2008: 600 ~ 1.000.

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Gavial (Gavialis gangeticus): população estimada em 2006: 220.

Macaco-Narigudo (Nasalis larvatus): população estimada em 2000: ~100.

Golfinho-do-Irrawaddy (Orcaella brevirostris): população estimada em 2007: ~6.100.

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Tarântula-de-Gooty (Poecilotheria metallica): sem dados estatísticos.

Markhor (Capra falconeri): população estimada: ~5.700.

Ocapi ou Girafa-da-Floresta (Okapia johnstoni): população estimada em 2008: 1.600 ~ 3.800.

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[BÔNUS] [?] O coelho Ili Pika (Ochotona iliensis), uma das criaturas mais raras do mundo, foi visto pela primeira vez há 20 anos, em montanhas chinesas. O pesquisador Li Weidong foi o responsável por ter descoberto a espécie e fotografado o pequeno animal, que inspirou o personagem Pikachu, em Pokémon. A população do Ili Pika é estimada em menos de mil animais na China.

↬ Compilado dos sites: UOL Notícias, Mother Nature Network e 22Words. [N. do E.: Os dados estatísticos de população estimada foram retirados da Lista Vermelha disponibilizada pela IUCN, o que pode conter erros de interpretação, uma vez que não sou especializado no assunto.]

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