O que Deus tem a ver com os atentados em Paris?

Paris não dormiu. Atacada por terroristas em três pontos diferentes, com bombas e armas automáticas, a cidade não dormiu. Pelo menos 120 pessoas morreram e inúmeros ficaram feridos com atentados na cidade-luz.

Duas hashtags se espalharam pelo Twitter em apoio à situação. A primeira delas, #PorteOuverte, vem junto a um endereço, pois quer dizer “porta aberta” para quem precisa de refúgio e estava nas ruas durante os ataques.

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A segunda, #PrayForParis, conclama a humanidade que tem algum tipo de fé a orar por todos que estão sofrendo diretamente com a situação. Longe de ser um ato que possa resolver o problema da forma pragmática que o mundo espera, postar a hashtag e fazer uma oração, representa um ato religioso pelo menos de compaixão aos envolvidos na tragédia. Significa levar a Deus esse desejo e, a seguir, levar a mão que ajuda e o abraço que consola aos que precisam.

Ao acordar nesta manhã de sábado, além de ter de lidar com a ignorância sem tamanho de indivíduos que reclamam que “se silencia por Paris, mas não pelas milhares de crianças que morrem na África diariamente”, preciso me deparar com essa imagem:

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A imagem diz:

“Bush atacou o Iraque em nome de Deus. Daesh luta em nome de Alá. Nós já fizemos mal o suficiente em seu nome, então vamos deixar Deus fora disso. Obrigado” (*Daesh é o nome que a França utiliza para o grupo Isis)

Colocando um X exatamente na palavra “pray” e assinando com a data dos atentados a Paris, a imagem humanista acredita que o gesto religioso de nada serve, diante do mal causado pela religião. É o que também afirma este tweet:

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O texto diz “Por favor, não ore por Paris. Pense por Paris. Ame por Paris. Faça sexo por Paris. Nós já tivemos religião o suficiente por uma noite”.

Se ainda não ficou clara a ignorância preconceituosa dessas sentenças, vamos deixar mais claro.

Particularmente, não sei o que os livros sagrados do islamismo ou hinduísmo ou de qualquer outra religião dizem exatamente sobre usar o nome de Deus em seu benefício. Mas eu certamente sei o que significa para a tradição judáico-cristã o fato de usarmos Seu nome em vão ou proclamarmos nossos feitos como que assinados por Ele se não há registro de que Cristo teria feito aquilo.

Assim, para a lógica humanista-ateísta, orar por Paris significa endossar uma religião que mata. Assim, a “fé” do terrorista é colocada na mesma prateleira dos que certamente creem em um Deus que não deseja aquela violência, muito menos a endossa. Não orar por Paris, para a lógica humanista-ateísta é deixar “deus” de lado, já que ele (“criado pela humanidade”) é o corresponsável pela morte das dezenas de pessoas na noite de sexta.

Mas eu não vou ser como eles. Eu não vou colocar todos os meus amigos, conhecidos ou pessoas que eu admiro que são humanistas-ateístas, na mesma vala. Mesmo que discorde deles, eu acredito, ou quero acreditar, que nem todos pensam assim. Que muitos deles sabem distinguir entre o que significa sequestrar o nome de Deus para usa-lo a seu bem-querer ou usa-lo honestamente (e humanamente) como motivo para lançar minha fé por Paris.

A esta ignorância compartilhada e retuitada por franceses (ou grandes pensadores brasileiros), deixo não apenas minhas orações, como o agradecimento de continuar podendo orar por Paris, pelas famílias que sofrem a dor da perda, pelo mundo que vê o mal se espalhar e, sim, pelo humanismo-ateísta que pode ser tão cego quanto um fundamentalista religioso.

#PrayForParis
#PrayForTheWorld

~ Ricardo Oliveira para o Catavento*.

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Busque…

A maior habilidade que uma pessoa pode escolher para desenvolver nessa época em que vivemos, sem dúvidas, é a interpessoal, que nada mais é do que a capacidade de se relacionar bem com o seu semelhante. É evidente, que muitas pessoas encontram dificuldades em executar de forma eficiente essa questão, haja vista, que em qualquer tipo de relacionamento existem inúmeras variáveis que tornam essa questão um grande desafio para todos nós. Ciente dessas dificuldades, todos podemos exercitar pequenas atitudes para que possamos nos relacionar melhor diariamente.

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BUSQUE…

…gostar das pessoas: tenha interesse pelas pessoas, incite sua curiosidade por elas e principalmente, demonstre para as mesmas, que você aprecia aquilo que elas fazem. Em outras palavras, use sua simpatia para demonstrar para as pessoas a importância que elas tem para a sua vida e o quanto você valoriza isso.

…ser bem humorado: a maior característica de uma pessoa de marketing pessoal forte é o sorriso. Não há dúvidas de que, o bom humor conquista/seduz as pessoas, pois, é algo que faz com que as mesmas se sintam valorizadas e queridas.  Digo isso, porque você está lidando com seres humanos, cheios de dúvidas, medos, incertezas, inseguranças e instabilidade, sendo assim, transmita emoções positivas, para que assim, você consiga ganhar a confiança das pessoas.

…ouvir as pessoas: acredite, algumas pessoas não querem as soluções para os seus respectivos problemas, e sim que exista alguém que esteja disposto a ouvi-los. Sendo assim, uma das habilidades imprescindíveis  de relacionamento saudável é exatamente saber ouvir as pessoas. Algo valioso que aprendi em minha vida, foi que estimular as pessoas a falarem de si mesmas, é uma atitude ímpar para que as mesmas criem um vínculo afetivo comigo, fazendo de mim, uma pessoa interessante.

…perdoar as pessoas: somos seres muito diferentes uns dos outros, portanto, é natural que haja atritos, divergências e desgastes em um relacionamento. A questão é a seguinte: como você administra esses conflitos? O segredo é olvidar, pois, é preciso aceitar que algumas pessoas irão nos machucar de vez em quando, mas, por acreditarmos nelas, devemos praticar o ato de perdão.

…aceitar a diversidade: a heterogeneidade é algo que deve ser valorizado pelas pessoas, e não o contrário. Examine-te a ti mesmo e responda para si próprio, se você é uma pessoa que expede julgamentos por conta de religião, classe social, etnia, opção sexual, enfim, tudo aquilo que você discorda, e repare se é capaz de enxergar as pessoas de forma igualitária e justa.

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BUSQUE…

…desejar para as pessoas tudo aquilo que deseja para si mesmo: colhemos exatamente aquilo que plantamos, ou seja, se desejar sucesso para você, aprenda a desejar o sucesso para os outros também. Fazendo isso, esse desejo voltará para você multiplicado por cem. Além disso, busque agir em prol das pessoas e sempre esteja disposto a ajudá-las quando preciso, pois, o universo conspira a favor daqueles que praticam a bondade e a caridade.

…agradar as pessoas: busque, sem perder sua autenticidade, satisfazer as necessidades dos outros. Por exemplo: se for conversar com alguém que gosta de falar sobre futebol, procure se adequar a isso (conheça o time de coração dele, o último título conquistado, qual a posição do mesmo no campeonato, etc.) para que assim, você torne a conversa interessante para ambas às partes. Outro bom exemplo, é que você pode descobrir qual é o presente que uma pessoa gostaria de receber e fazer uma surpresa para ela. Enfim, busque ser uma pessoa sempre disposta a fazer a diferença de forma positiva na vida das pessoas.

…elogiar as pessoas: saiba reconhecer as qualidades alheias e apreciá-las, para que assim, as pessoas se sintam autoconfiantes ao seu lado, e principalmente, abertas para contar seus problemas e frustrações. Além disso, busque contar um pouco de suas experiências (positivas e negativas) para a outra parte, pois assim, você estará sendo transparente e sincero, e essas, são duas qualidades muito bem valorizadas pelas pessoas.

…ter empatia: tente se colocar no lugar da outra pessoa, buscando entender seus sentimentos e desejos, para que assim, você possa ajudá-la de alguma forma. Digo isso, porque muitas das vezes, somos egoístas e somente vemos o nosso lado, negligenciando os problemas da outra parte, sendo assim, devemos otimizar nossas habilidades de sentir e perceber o nosso próximo.

…valorizar mais os pontos positivos do que os negativos: com relação aos defeitos de uma pessoa, você deve entender que também é um ser errante, e que possui, inúmeros pontos negativos que a outra parte também percebe e despreza. Portanto, volte suas atenções para as coisas boas e esqueça as ruins (isso não quer dizer que você não irá dar um conselho para ajudar uma pessoa, se perceber um equívoco da mesma), haja vista, que todas as pessoas do mundo, possuem qualidades e aptidões únicas, que fazem com que o mundo seja múltiplo, e dotado de uma diversidade ímpar.

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BUSQUE…

…otimizar suas habilidades de comunicação: trabalhe sua linguagem verbal (dicção, eloquência, tom de voz, etc.) e também sua linguagem não verbal (postura atenta, olhos fixados na outra parte, etc.) para que assim, as pessoas consigam ter facilidade de compreender a sua mensagem. Algumas pessoas falam rápido demais, possuem um conjunto de palavras desordenadas, são ansiosos e não conseguem deixar de interromper a fala do outro, ou, até mesmo, demonstram falta de interesse pelo assunto em questão, enfim, fazem tudo errado.

…ter iniciativa: seja uma pessoa que busca interagir com as outras, ou seja, demonstre para o mundo que você existe, haja vista, que é impossível estabelecer um networking inteligente se você for tímido, introvertido e comedido, sendo assim, busque ser alguém que toma iniciativa e procura interatuar com os outros.

…reconhecer seus erros: o problema não é errar, e sim não corrigir o erro. O homem que reconhece seu erro, demonstra, além de cordialidade e nobreza, uma grande humildade. Em outras palavras, não seja orgulhoso e prepotente, como um deus na terra, que não tem capacidade para reconhecer os próprios erros cometidos.

…sempre fazer com que a pessoa tenha a sensação de que teve participação ativa no sucesso de uma meta: você precisa aprender a dividir seus êxitos com as pessoas, haja vista, que em um relacionamento, é sempre mais benéfico dar do que receber. Além disso, partilhe seus conhecimentos e informações para as outras pessoas constantemente, afinal de contas, o que você fará com isso tudo sozinho?

…não constranger as pessoas: cuidado para não envergonhar uma pessoa, principalmente, se a mesma for tímida. Sendo assim, busque agir educadamente, sempre respeitando as pessoas e procurando ser gentil com as mesmas.

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BUSQUE…

…ter autocontrole: autocontrole significa a sua capacidade de gerir seus próprios sentimentos e pensamentos, de forma que o meio termo, é a chave para a consecução eficiente desse fator. Em outras palavras, a paciência deve ser um dos pilares da pessoa, para que assim, a mesma consiga suportar as objeções e importunações que a vida certamente trará.

…ser respeitoso com as pessoas: aprenda a respeitar as opiniões alheias, ou seja, não aja como um juiz, sempre pronto para julgar a causa do próximo. O negócio não é defender suas ideias, e sim ajudar as pessoas a entenderem as delas.

…abnegar de algumas coisas: sempre que possível, abra mão de algumas coisas para que uma pessoa seja ajudada por você, ou seja, às vezes, você terá que perder uma coisa no presente para ganhá-la no futuro. Vale lembrar que, sempre quando for praticar uma boa ação, faça de bom grado, nunca por obrigação, pois assim, estará agindo de maneira nobre e inteligente.

…copiar algumas pessoas: você conhece alguma pessoa que possui facilidades de relacionamento? Se sim, porque não observa o comportamento da mesma, e busca, tentar trazer para si, alguns atributos que fazem com que a mesma tenha tanto prestígio?

…atacar o problema, não a pessoa: se tiver que criticar uma pessoa, busque atacar os fatos, ou seja, não faça ataques pessoais. É evidente, que nossos amigos, por muitas vezes, precisarão de nosso auxílio, todavia, pense bem antes de externar um pensamento e quando o fizer, saiba ser sutil, para que a outra parte não se sinta atacada, pois, lembre-se, o que uma pessoa espera de um amigo é o sorriso e não a espada.

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A melhor maneira de crescer internamente e profissionalmente é investindo nos relacionamentos, pois, esse é o grande segredo para qualquer pessoa vencer não só no mercado de trabalho, mas também na vida, sendo assim, que possamos criar, dentro de nós mesmos, essa insigne habilidade.

~ Pablo de Paula para o Administradores.

O que aprendi com o silêncio

Compartilho com você um vídeo precioso da entrevista com Márcia Baja, no canal do lugar no YouTube:


Pare tudo por meia hora e deixe que sua mente ganhe clareza sobre a prática do silêncio:

A meditação não é um processo no qual vamos abandonar a vida ou criar algum tipo de vida paralela, mas ao contrário: ela vai nos tornar muito vivos. Porque ela vai nos colocar no coração das experiências. Não vamos mais ter uma sensação de estar lidando com coisas externas que tem poder sobre nós. Ela vai nos mostrar como as coisas acontecem e como participamos delas. Então a meditação eu diria que é científica, não tem nada de religioso nisso.

Sobre as relações:

Precisamos penetrar nessas regiões escuras da nossa carência, da nossa solidão, dos nossos desejos, dos nossos medos todos… e iluminar isso para que a gente não jogue isso em cima do outro, quando o encontrar.

Sobre o esforço para se tornar alguém:

Se você quiser evitar esse obstáculo da identidade, do esforço, das metas, você tem de ir direto para esse ponto onde você vai relaxar de você mesmo, relaxar disso que você acha que é.

E sobre as qualidades naturais que surgem espontaneamente da sabedoria:

Quando você olha para as coisas desde essa região livre, sem aflições, sem apegos, você vê a confusão das pessoas. Você vai ver as pessoas no mesmo lugar onde você estava, aí brota compaixão. […] Essas qualidades naturais de amor, de compaixão, de generosidade, de paciência, de conduta adequada, de energia disponível, constante, jorrando do seu coração, habilidades potencializando tudo e todos… Você se vê às vezes surpreso de sentir isso jorrando de seu coração sem você fazer esforço nenhum, simplesmente porque você está silenciado nesse lugar de sabedoria olhando para as coisas.

~ Gustavo Gitti em texto recebido por e-mail.

Você só tem 3 problemas

Quando começa a doer e surge a necessidade de algum tipo de reorientação, a maioria das pessoas busca por uma técnica isolada, por um terapeuta, por um curso, por um medicamento. Isso é equivalente a começar a listar companhias aéreas antes de saber qual cidade queremos visitar.

Como nunca antes tivemos acesso a tantas abordagens que se dizem transformadoras, é muito fácil nos perdermos, ficarmos reféns, dependentes — e distraídos, cada hora pirando em um novo método.

Em vez de pensarmos em técnica, deveríamos pensar em processo. O que acontece internamente quando uma pessoa reduz o ciúme, a ansiedade, a depressão, a raiva? E como eu posso entender mais e me apropriar desse processo sutil?

Quando eu me proponho a fazer uma viagem, eu faço uso de companhias aéreas, guias, hotéis, livros, mas sei que meu caminho não se restringe a tais apoios. Sem tal clareza, sou facilmente enganado por alguma empresa de turismo. Do mesmo modo, quando eu me aproprio de minha própria transformação, aí sim as técnicas e os métodos ganham sentido.

“Estamos transferindo nosso equilíbrio para medicamentos. Ou para outras pessoas cuidarem de nós: a gente precisa fazer massagem, precisa de um terapeuta… Quando na verdade nós precisamos ser doutores de nós mesmos. Quando sento e o corpo não querer parar, eu não entendo nada do meu corpo, eu não sei como acalmá-lo… Fazendo essa experiência, deveríamos sair daqui bastante inquietos. Como é que eu não sei ficar parado? Isso é muito curioso.” ~ Márcia Baja

Você é convidado para um fim de semana com um cara barbudo que se diz iluminado e coloca sua autoridade em um professor indiano de nome estranho que ninguém nunca viu. Você encontra mais de 200 pessoas cantando “Om” com os braços para cima, fazendo ásanas, estudando apostilas… Se você não tem clareza do processo que realmente pode transformar sua mente, se você não tem esse referencial interno, como saber se esse indiano barbudo — com suas técnicas, ensinamentos e comunidades — pode ajudá-lo?

Se a gente entende o trabalho a ser feito, fica fácil trucar alguém supostamente iluminado nos dizendo o que devemos fazer. Se a gente entende o que é o ciúme e mais ou menos quais tipos de práticas nos ajudariam a liberá-lo, por exemplo, fica mais fácil encontrar essas práticas. E assim por diante. É um jeito de nos empoderarmos nesse subterrâneo do florescimento humano.

Tenho visto que muita gente sequer começa a praticar porque não tem noção de que tal transformação é possível. O que chega para as pessoas nessa condição são práticas isoladas, muitas envoltas de crenças e linguagens específicas que acabam confundindo. Mesmo alguns que alegam ceticismo infelizmente só dialogam com os discursos empacotados que chegam sobre espiritualidade, felicidade etc. Ao fugir dos embustes, eles criam aversão a qualquer percurso. Jogam o bebê junto com a água do banho.

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Três problemas

Se é tão importante compreender quais seriam os processos que estão por trás do florescimento humano, por onde começar? Um jeito simples é investigar as raízes mais básicas de qualquer problema. A porta de saída fica mais visível quando mapeamos a estrutura da prisão. São duas faces da mesma coisa.

Quando sofremos, não importa o conteúdo da situação (as histórias, os pensamentos, as razões aparentes), podemos observar bem nitidamente três movimentos:

1) Não conseguimos parar e repousar. Reagimos e condicionamos nossa energia aos movimentos dos outros e da vida.

2) Entramos em algum jogo sutil e perdemos contato com a realidade.

3) Não conseguimos olhar para o outro em seu próprio mundo e agir para beneficiá-lo.

Descrevendo de outro modo, nossa mente normalmente está: 1) reativa, agitada, fixada, emocionalmente dependente, tensa, aflita, alternando entre torpor e distração; 2) deludida, crente, séria, condicionada, enganada em jogos, identidades e bolhas; 3) autocentrada. Para resumir ainda mais: sofremos por ausência de equilíbrio, sabedoria e compaixão.

Todos os nossos sofrimentos são causados por uma combinação dessas três causas. Eis uma afirmação ousada e revolucionária que não vem de mim, mas das mulheres e dos homens mais sábios e amorosos que já andaram nessa terra.

É possível descrever tudo como apenas um problema: uma espécie de ignorância de nossa natureza, uma cegueira que gera todo o resto. Ao mesmo tempo, é possível refinar e desdobrar cada problema ao extremo, gerando uma ciência incrivelmente detalhada de como a operação de uma mente sem equilíbrio, sem sabedoria e sem compaixão acaba produzindo 84.000 aflições sutis, que por sua vez produzem os trilhões de problemas grosseiros que tanto conhecemos.

Para um ser livre desses três problemas pode acontecer qualquer coisa que não haverá uma grande complicação. Haverá espaço para lidar com qualquer que seja a situação, mesmo as mais extremas, como no exemplo de Palden Gyatso, preso e torturado por 33 anos. Quando Sua Santidade o Dalai Lama perguntou “Qual foi o pior momento nesse tempo de prisão?”, Palden Gyatso respondeu: “O pior momento foi quando eu quase senti raiva, quando quase perdi o amor e a compaixão pelos meus irmãos e irmãs da China.”

O bom de encarar 10.517 problemas como apenas três é que não precisamos de 10.517 novos hábitos e mudanças. Precisamos de apenas três tipos de treinamentos.

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Três frentes de práticas transformadoras

Se observamos uma pessoa que está florescendo (cada vez mais presente, livre, generosa, leve, alegre, estável, benéfica, disponível), também podemos enxergar alguns movimentos bem nítidos. Por didática e para facilitar a conversa, aqui vou descrever três processos e as frentes de prática que os favorecem. São antídotos perfeitos para nossos três problemas fundamentais.

Não mencionei cultura de paz, ética e organização da vida, pois isso está implícito. E deixei apenas um exemplo de cada frente pois uma lista completa exigiria um trabalho gigantesco (peguei duas práticas seculares e uma que é encontrada no Advaita Vedanta) — a ideia é apenas mostrar como é possível ganhar clareza sobre esses processos.

1) Equilíbrio. Como parar? Aprendemos a soltar, respirar, repousar, relaxar, pacificar, serenar, aquietar, não responder, não reagir, estabilizando corpo e mente sem flutuar tanto com as condições externas. Sem parar, é impossível mudar nosso movimento: nascemos, somos levados daqui pra lá, e morremos. Aqui entram os métodos e práticas que nos levam a cultivar a atenção, o equilíbrio emocional e a energia autônoma.

2) Sabedoria. Quem sou eu? Onde realmente estamos? O que está acontecendo? Quanto mais paramos, mais conseguimos olhar. Aqui entram os métodos que nos levam a investigar o funcionamento da mente e das emoções, as bases de cada relação, as causas do sofrimento e da felicidade, a natureza dos fenômenos, dos sonhos, da realidade, de todas as questões existenciais. Ganhamos clareza sobre os processos mais sutis do viver ao morrer. Como um pensamento surge, se mantém e cessa? Nossa visão se amplia além dos referenciais, identificações e condicionamentos, livre de delusão e ignorância, quebrando a rigidez das concepções arbitrárias sobre quem somos ou sobre o que é a vida, sem qualquer tipo de jogo ou alucinação. Qualquer construção é vista a partir do espaço amplo da realidade, qualquer situação se torna trabalhável, flexível, plástica, aberta. Começamos a brincar, a sorrir mais.

3) Compaixão. Como podemos nos ajudar uns aos outros? Como posso ser útil? O que tenho a oferecer? O olho da sabedoria torna a compaixão inevitável. Aqui entram os métodos que nos levam a realmente cultivar (em prática formal e também no cotidiano) empatia, amor genuíno, generosidade, alegria, equanimidade, ação lúcida no mundo, motivação de reduzir o sofrimento e aumentar felicidade genuína, capacidade de se relacionar com a liberdade do outro, capacidade de entrar em qualquer mundo, não se abalar, acolher, espelhar, estimular, direcionar, cortar, dançar, liberar, operar em rede, beneficiar por infinitos meios hábeis e linguagens, favorecendo o florescimento de qualquer pessoa que se aproximar.

“Como repousar?” abre as práticas de equilíbrio.

“O que está acontecendo?” abre as práticas de sabedoria.

“Como posso ajudar?” abre as práticas de compaixão.

Imaginem uma pessoa se debatendo em um lago. A primeira coisa que ela precisa fazer é parar de se debater. Depois, ela pode usar essa calma para olhar ao redor, ver o que tem no fundo da água, por que os outros se debatem tanto etc. Vendo que qualquer um ali tem o potencial de viver de modo mais amplo, sem tanto sofrimento, com equilíbrio e sabedoria é natural que brote compaixão, que ela se relacione com as outras pessoas ajudando quem continua a se debater.

As práticas de equilíbrio nos preparam para as práticas de visão, que nos preparam para as práticas do coração. Podemos também começar pela compaixão: se quisermos ajudar alguém, vamos precisar de equilíbrio e sabedoria. E podemos entrar em qualquer situação com sabedoria porque ela também nos leva a equilíbrio e compaixão.

São esses cultivos do mundo interno que mexem nas bases mais profundas da vida, não importa qual seja sua cara externa. Sem essa clareza, é muito comum detectarmos o problema do ciúme, digamos, e dizer “Vou tentar ser menos ciumento”, sem saber como de fato treinar uma mente menos ciumenta.

Olhe seu caminho e veja se está avançando nessas três grandes frentes. Veja se você conhece práticas específicas para cultivar equilíbrio, sabedoria e compaixão, uma combinação de corpo parado (relaxado, estável, atento, não perturbado), olhos lúcidos (livres de enganos, referenciais, seriedades, condicionantes) e coração aberto.

Há ótimos métodos de equilíbrio que quase não falam em compaixão e em sabedoria, por exemplo. Você encontra ensinamentos muito sábios que às vezes foram desconectados das práticas que poderiam abrir tal clareza. Há abordagens muito compassivas, de bom coração, mas que não enfatizam tanto a necessidade do treino da atenção e do desenvolvimento de sabedoria. Há métodos mais completos que incluem todos os treinamentos com bastante profundidade. E assim por diante…

Olhe também para as pessoas ao redor. Quando alguém vem dizendo que está há 10 anos fazendo “tal coisa”, observe se a prática de “tal coisa” a levou a aprofundar os processos de equilíbrio, sabedoria e compaixão. Ela está cada vez mais estável e não reativa? Ela está cada vez mais com a visão ampla, sem tanta seriedade, sem tanta fixação a bolhas e jogos, sem tantas teorias sobre como a vida deveria ser — ou está pirando cada vez mais em alguma ideologia? Ela consegue ouvir os outros em seus próprios mundos, beneficiando todo mundo que alcança, oferecendo mais do que pedindo? Não observe com a intenção de julgar, mas para ajudar e para você mesmo saber onde focar seu caminho.

Conversando assim, agora temos um referencial interno para saber o que funciona. Não é mais um papo abstrato e exteriorizado sobre técnicas, que não faz muito sentido (“Terapia funciona ou não funciona? Meditação funciona ou não funciona?”), mas um papo sobre processos, sobre o nosso próprio caminho, sobre a nossa vida.

~ Gustavo Gitti para o Papo de Homem.

15 práticas para 2015

Por mais que a mudança de ano seja uma construção onírica, vamos admitir: a maioria das pessoas fica mais aberta, tanto é que em vez de “Tenha um bom dia!” ou “Boa semana para você!”, expandimos nossa percepção: “Que você tenha um ótimo ano!”

Para aproveitar esse momento, convidamos várias pessoas para contar qual prática têm testado e que poderiam sugerir de coração para reorientar outras vidas. A lista abaixo é um compilado do que elas enviaram.

Esta não é uma lista de curiosidade, apenas para ler e compartilhar. Se você, por exemplo, realmente parar todo dia e não mais compartilhar inutilidades (duas das 15 práticas), é certo: sua vida vai ficar mais leve e sua presença mais benéfica às pessoas ao redor.

Vamos lá?

Para ilustrar, as novas tirinhas de André Dahmer na série "Para viver 120 anos"
Para ilustrar, as novas tirinhas de André Dahmer na série “Para viver 120 anos”

1) Escutar um a um

“O maior presente que podemos dar ao outro é nossa atenção” ~ Laurence Freeman

Começar a fazer uma coisa tão simples quanto realmente ouvir as pessoas, com interesse, sem pressa e julgamento, é uma coisa que pode, aos poucos, impactar toda a forma como vivemos, conduzimos as relações e vemos o mundo.

É simples. Todos tem o que falar. Quando sentimos que o outro tem algo a dizer, que tem alguma dificuldade, nós apenas ouvimos — paramos para isso, chamamos para um café, para um Skype, oferecemos nossa presença. Não fazemos como se fosse uma coisa que já fazemos (para um barzinho etc.), chamamos para fazer isso, explicitamente, especialmente, fazemos uma coisa nova.

Para isso, não precisamos ser mestres e sempre saber o que fazer. Ouvimos e então falamos com o coração: “Olha, eu não sei o que é o melhor para se fazer, mas eu queria muito ajudar, de verdade, queria muito aprender. Podemos descobrir juntos como destravar isso…”

2) Parar cinco minutos a cada dia

“Numa era de velocidade, nada é mais revigorante quanto ir devagar. Numa era de distração, nada é mais luxuoso quanto prestar atenção. E numa era de constante movimento nada é mais urgente quanto se sentar quieto.” ~ Pico Iyer

Apenas sente. Exerça a liberdade radical de tomar nas mãos 5 dos 1440 minutos do seu dia. Faça a experiência, sente-se, pare, relaxe, respire. E se achar difícil, desconfie: de quanta liberdade você realmente desfruta?

3) Não compartilhar bobagem e conteúdos danosos

Vale para o Facebook, mas também para a vida: lembre-se que o tempo e a atenção, nossas e dos outros, são as coisas mais valiosas. Ao compartilhar algo, pense: isso poderá causar maior benefício e abertura ou maior dano e fechamento? Poderá ajudar a quem e de que forma? Com qual motivação estou fazendo isso — raiva, orgulho, inveja… ou compaixão, empatia, generosidade, cuidado?

Nós temos responsabilidade sobre o mundo e sobre as pessoas. Melhor lembrar o quanto antes que todos desejamos estar bem e nos apoiarmos nisso, enfim, mais e mais. Melhor parar de prejudicar e distrair os outros e a nós mesmos o quanto antes e de todos os jeitos.

4) Entender o dinheiro como energia

Assim como o tempo, os projetos para os quais direcionamos nosso dinheiro são (ou deveriam ser) os projetos em que realmente acreditamos. Nosso extrato diz muito sobre nossas crenças. Não adianta postar no Facebook sobre como nossos políticos erram ao direcionar a verba que lhes é confiada, mas não conseguir direcionar minimamente nosso próprio recurso financeiro.

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5) Parar de ignorar a morte

A clareza de que a morte é certa e inesperada reorienta nossas prioridades e traz à tona o que realmente importa. Além de lembrar diariamente de que vai morrer, você pode começar a preparar tanto a logística do processo quanto sua mente, pode começar já a se despedir das pessoas queridas e não resistir tanto à realidade da impermanência — do corpo, das ideias, do jeito como passamos os fins de semana, de cada momento que parece estável…

Marcar o fim, ritualizar as passagens nos deixa mais confortáveis nesse mundo de despedidas. Pouco a pouco, vamos incorporar o hábito de falar abertamente sobre a morte, para que ela se torne cada vez menos um tabu.

6) Quebrar a diferença entre estranhos e conhecidos

Num grupo de estudos realizado em São Paulo, muita gente se surpreendeu com o quanto cada um sem querer acaba se estreitando em um grupinho de amizades. Ao se dispor a falar com estranhos sobre questões íntimas (relacionamento, trabalho, dinheiro, morte, tempo…), descobrimos que quase não fazemos isso, não colocamos nossas visões e ações na mesa para serem contestadas, entendidas, revisitadas, muito menos entre desconhecidos.

Olhe ao redor: é cada vez mais difícil para adultos abrirem novas amizades. No fundo, mais do que amigos, queremos ser parceiros de absolutamente cada e toda pessoa, então já podemos começar mesmo antes do primeiro “Oi”, ao não mais pensar em termos de estranhos e familiares.

7) Fazer um caderno de seres

Escreva o nome de todas as pessoas que você já encontrou na vida, adicione as recentes sempre e leia com alguma frequência. Isso nos ajuda a acompanhar, se alegrar e ajudar mais vidas, além de evidenciar quais relações precisamos pacificar, quais pessoas estamos excluindo ou olhando de modo inferior.

Assim que escrevemos um nome inteiro a cada linha, começa a parecer absurda nossa tendência a ver uma pessoa como “ex-namorada”, outra pessoa como “vizinho com quem nunca converso”, outra pessoa como “cliente de tal empresa”… E assim fica mais fácil ampliar a relação que temos com ela, unilateralmente, sem precisar necessariamente entrar em contato.

8) Parar de culpar pessoas e situações

Podemos nos debater e encontrar mil justificativas, mas a realidade é a seguinte: nosso sofrimento e nossa felicidade não surgem de algum evento externo, mas de uma presença interna. Tanto é que depois de alguns anos somos capazes de sorrir ao lembrar de uma situação que na época parecia completamente densa e intransponível — mesmo quando nada mudou, como no caso de uma relação paralela (“traição”) que deu origem a um outro casamento duradouro.

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9) Cultivar compaixão consigo mesmo

A medida de compaixão que temos com os outros é exatamente a mesma medida que conseguimos ter com nós mesmos. Quando não temos compaixão conosco, não temos com mais ninguém. E se agimos como se tivéssemos, é provável que, em alguma medida, seja uma farsa, algo que demande grande energia e esforço, feito por entendermos que agir desse modo será bem percebido.

Muitas vezes nós somos nossos piores inimigos, principalmente quando buscamos algum tipo de autoestima (algo bem diferente de autocompaixão). Somos duros, impacientes, não aceitamos o ponto em que estamos e não confiamos em nosso potencial de transformação.

10) Agradecer e apreciar

Se você não tem a quem agradecer, desconfie: você não está olhando direito ou você está isolado.

É muito saudável agradecer (às vezes explicitamente) pelas coisas que geralmente tomamos como certas. Isso vale para o jantar preparado pelo marido ou pela esposa, para o garçom que nos serve, para alguém que me ajuda quando deixo algo cair, para o lixeiro, para o carteiro… enfim, oferecer um “Obrigado” de coração pelas pequenas gentilezas burocráticas que acontecem vez ou outra.

Abrir o olho da gratidão naturalmente desvela o universo de bondade no qual estamos imersos. E a bondade nos leva a apreciar a riqueza da nossa condição presente, seja ela qual for. Depois é mais fácil ver qualidades, elogiar, agir para que floresçam, desejar a felicidade de mais e mais pessoas (treinando na arte rara do amor genuíno), e criar relações a partir dessas qualidades amplas uns dos outros.

11) Boicotar iniciativas danosas

Pesquise e pare de apoiar pelo menos uma empresa ou marca que piora nossa vida ou age contra suas visões de bem-estar coletivo. Se você não boicota nenhuma organização, é fácil começar: pare, por exemplo, de tomar refrigerantes e instale um adblock no seu navegador de internet. Se você já boicota e quiser uma inspiração adicional, veja essa lista de corporações e a lista de boicotes do Eduardo Pinheiro.

12) Parar de falar mal dos outros

Por mais “espiritualizados” que alguns se considerem, ainda não superamos esse mal hábito coletivo de fofocar e falar mal, congelando as pessoas e nos afastando uns dos outros. Melhor ficar quieto ou experimentar um outro tipo de fofoca: “O outro está passando por tal obstáculo, o que podemos fazer?”

Além disso, podemos fazer o voto de evitar piadas, discursos e comportamentos que reforcem preconceitos contra grupos dos quais não fazemos parte. Podemos reconhecer o racismo, a homofobia ou o machismo e a cultura do estupro, por exemplo, e apoiar iniciativas focadas em reduzir o sofrimento.

13) Substituir o “Tudo bem?”

Ao retomar contato com alguma pessoa, veja se um “Como vai?” funciona sem que você se abra primeiro, não apenas listando fatos, mas falando de seu mundo interno sem pés atrás. Experimente brincar com a pergunta clássica, trocando-a por algo como “Você está sonhando e avançando em que direção?”, “O que você realmente tem feito?”, “Qual foi o momento mais importante dessa semana?”, “Aflito por algo?” ou o que fizer mais sentido na hora.

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14) Não exigir

Exigir é talvez a ação que mais destrói uma relação. Exigir é um tipo de violência. Exigimos com o olhar, exigimos com atitudes indiretas, exigimos incessantemente até ao pensar nos outros. Quem somos nós para interromper uma pessoa no meio da rua e forçá-la em alguma direção? E o que muda quando essa pessoa vive conosco há 10 anos?

Guardem isso no coração: o outro é livre, o outro é criativo. Antes de ligar para a esposa (marido, filha, funcionário, amiga…), lembre-se que naquele exato momento a pessoa está seguindo com sua vida; antes do “oi”, depois do “tchau” e até durante a conversa, ela não é sua esposa. Melhor liberar o outro, dispensá-lo do trabalho de nos fazer feliz. E assim nos desobrigar de fazê-lo feliz, intensificando a alegria em ajudá-lo em seu florescimento, sem a sensação de cobrar ou pagar dívidas.

15) Ter um sonho claro para 2015

Diferente de fazer um planejamento, apenas permita-se sonhar o que você gostaria que acontecesse de realmente relevante e positivo para este ano. E então bote no papel, liste 5, 10, 15 itens, coisas que te causam alegria só de pensar.

Por relevante e positivo, podemos entender as coisas que são mais condizentes com nossa aspiração fundamental por felicidade genuína, ainda que sejam simples — entrar em tal curso, fazer tal formação, iniciar um encontro semanal para chá, conversa e silêncio, ir a três retiros, se empoderar das finanças e fazer as mudanças de trabalho, cidade ou casa…

Ao sonhar, consideramos que as circunstâncias podem mudar a qualquer momento e que sito não é um problema. A lista pode sempre ser refeita, como um GPS que nunca se cansa de encontrar a melhor rota. Para algum lugar nós vamos de qualquer jeito, então é melhor que tenhamos algum direcionamento.

~ Gustavo Gitti reuniu este texto colaborativo escrito também por Fábio Rodrigues, Eduardo Amuri, Leiliane Abreu, Daniel Gisé, Marcos Bauch, Isabella Ianelli, Guilherme Valadares, Tatiana Monnerat, Mel Oliver, Rafael Peron, Paulo Carvalho, Vítor Barreto, Alan Nakano, Mirian Hasegawa e Daniela Godoi, para O Lugar.

[Nota do Editor: Já se passou 1/3 de 2015, mas é daí? Das suas “resoluções de Ano Novo”, quantas conseguiu colocar em prática até este exato momento? Não seria este mais um estímulo para tentarmos ser alguém melhor?]