6 lembretes úteis para pessoas em crise

Uma tendência enlouquecedora dos eletrônicos de bolso é que quando a bateria está prestes a acabar eles gastam a maior parte da energia remanescente bipando e piscando, nos avisando para carregá-los.

Da mesma forma, o corpo humano tem vários elementos que se autossabotam. Por exemplo, quando o oxigênio falta, digamos ao tentar resgatar o tal eletrônico do fundo de uma piscina, o corpo entra em modo de alerta, aumenta o batimento cardíaco, e assim queima o pouco oxigênio disponível ainda mais rápido.

A mente também exibe esse tipo de tolice. Ela tem o hábito cruel de esconder a sabedoria bem quando mais precisamos. Há certas verdades que, quando estou em pânico, preciso realmente lembrar, e é bem nesse momento que isso é mais difícil. Então pode ser útil manter alguns lembretes bondosos à mão, já que da próxima vez que sentir pânico, vai ser difícil lembrar esses pontos.

1. O mundo já acabou mil vezes

A dynamite time bomb in a cardboard box with 1 second left on the timer

Não seria possível eu contar o número de vezes que meu mundo já acabou. Pelo menos algumas dúzias de vezes na minha vida me encontrei numa situação tão emaranhada e desesperadora que não conseguia nem mesmo acreditar que algum dia voltaria a ser feliz.

De alguma forma, durante cada um desses apocalipses pessoais, esqueci que em todas as vezes anteriores de alguma forma as coisas se ajeitaram, e aqueles problemas hoje não são nem mais relevantes.

Ainda assim, quando a catástrofe vem, ela sempre parece prometer a morte ou pelo menos uma desfiguração completa da totalidade da minha vida, e assim me sinto obliterado pelo desespero e pela indignação. Se ao menos eu lembrasse que quase todos os problemas que tenho já foram solucionados, exceto talvez dois ou três desenvolvimentos mais recentes… Mas é assim que a vida segue.

São os problemas que seguem indo para a forca, não eu.

Tenho certeza que seu mundo também já acabou muitas vezes. A mente em pânico subestima a escala da vida humana e assim calcula lá em cima a importância de qualquer problema em vista. Não se engane.

2. Os problemas são os mesmos que todos os seres humanos sempre tiveram

Men from different eras

Você nunca descobrirá um jeito de sofrer que já não tenha sido plenamente explorado. Coração partido, a morte de pessoas amadas, doenças e velhice, dor crônica, vergonha, dependência de substâncias, fracasso, pobreza e pesadelos introspectivos são reinos já desbravados consistente e exaustivamente pelas pessoas ao longo de milhares de anos, e em graus muitos piores com que hoje nos deparamos. No fundo, há apenas alguns poucos tipos de problemas humanos, e todos eles já foram confrontados e sofridos em algum momento.

A experiência da humanidade com o sofrimento é um recurso disponível para cada um de nós, uma vez que para cada problema humano clássico há um universo de literatura sobre as melhores formas de lidar com as coisas que os outros humanos encontraram, e nunca foi tão fácil acessar essa sabedoria.

3. O desespero vem de uma crise dos pensamentos sobre a vida, não de uma crise da vida

If tomorrow starts without me from Camille Marotte on Vimeo.

O sentimento de desespero cria uma ilusão convincente. Nos faz pensar que tudo está acontecendo ao mesmo tempo, mas isso não é bem possível. Enquanto que diversas condições de uma situação na vida podem ocorrer ao mesmo tempo – digamos acúmulo de dívidas ao mesmo tempo em que um relacionamento se desfaz – a vida ainda assim transcorre um momento de cada vez, e é bem raro que se precise fazer mais do que uma coisinha a cada momento.

Cada questão pode exigir que se lide com vários momentos difíceis, mas via de regra só se precisa lidar fisicamente com um momento particular de cada vez. A sensação de que “tudo está acontecendo ao mesmo tempo” é um fenômeno mental que não espelha a forma linear na qual se desenrolam os problemas concomitantes.

Os pensamentos mudam muito mais rapidamente do que os acontecimentos da vida, assim, um minuto de pensamentos preocupados nos fazem vivenciar mentalmente uma dúzia de problemas.

É fácil se perder nesse reino abstrato, pensando que demasiadas coisas estejam acontecendo “ao mesmo tempo” para que nos decidamos sobre o que fazer, mas quando estamos prontos para realmente lidar com um problema no mundo físico, podemos seguramente ignorar os outros por um instante, enquanto lidamos com aquele específico.

4. É matematicamente improvável que os problemas sejam tão ruins quanto parecem

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A maioria das pessoas parece ser pessimista. Eu mesmo certamente sofro dessa tendência e tenho paulatinamente me recalibrado para um âmbito mais otimista.

De uma perspectiva evolutiva, é fácil compreender porque tendemos a engendrar catástrofes a partir de nossas dificuldades. Se fugimos de todas as cobras porque alguma delas pode ser venenosa, é menos provável que morramos de mordida de cobra, ainda que passemos 85% do tempo fugindo de criaturas que deveriam estar fugindo de nós.

As tendências pessimistas ajudam na autopreservação de forma geral, ao longo de uma vida inteira de situações ambíguas, mas isso ao custo de elevar o estresse, e de nos fazer constantemente fugir das coisas sem necessidade.

Saber que se é pessimista é saber que as coisas geralmente são melhores do que parecem ser. Uma mente pessimista muitas vezes cria uma imagem mental da situação que é muito mais perigosa e difícil de resolver do que efetivamente se mostra na vida real.

E, para muitos entre nós, não se trata de pequenos exageros com relação a seriedade de nossos desafios. Nas muitas ocasiões em que percebi um erro no meu trabalho, geralmente isso se expandiu rapidamente até a certeza de que eu tinha cometido um erro, que eu seria descoberto e demitido, e que eu nunca mais conseguiria trabalhar nessa carreira. Em meio minuto sofro um filme mental inteiro com meu corpo se arrastando pelas calçadas num dia melancólico, entregando currículos para gerentes de restaurantes de fast food.

Se esse reflexo mental soa familiar – e se você entra em pânico frequentemente, é quase certo que soa – você provavelmente é um pessimista, e assim pode quase sempre contar com a situação ser bem mais fácil de lidar do que você inicialmente imaginou.

5. As coisas mudam bem rapidamente quando se começa a fazer e não pensar tanto

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A escuridão na mente da pessoa em crise vem do sentimento de desespero, e o desespero vem da crença de que nada que se faz importa. Embora esse sentimento seja comum, quase sempre não é verdadeiro.

Não importa o quão ruins acabem por ser as circunstâncias externas, provavelmente não serão tão terríveis quanto Auschwitz, e mesmo naquele local, você poderia deparar com a grande descoberta de Viktor Frankl — a descoberta de que ninguém pode nos tirar a liberdade de escolher como nos relacionamos com nossas circunstâncias.

Onde quer que se esteja, é possível fazer algo para tornar o resto do dia melhor, e isso quer dizer que não se está numa situação desesperadora. Não importa quão pequena seja a ação, uma vez que se reconheça que se é capaz de melhorar a situação, o sentimento de desespero não vai continuar, a não ser que se queira.

O desespero é uma aflição de pensamentos confusos, e não tanto de circunstâncias confusas, e isso se torna mais claro quando se começa a agir sobre as circunstâncias. Várias vezes ao longo de minha vida vi um dia infernal se tornar tolerável no instante em que dou um peteleco em pelo menos um de meus dilemas. Isso destrói a miragem de uma catástrofe total, e assim fica difícil permanecer um mero participante passivo do dia ruim.

6. É mais tentador não fazer as coisas quando mais se precisa

Office Worker Falls Asleep Under Pile of File Folders

Esse é outro hábito de autossabotagem da mente humana normal. Há uma tendência para congelar quando as coisas começam a parecer que vão descarrilhar, por duas razões.

A primeira razão é que tememos piorar as coisas. O chão está sacudindo por toda parte, e em nosso evidente torpor de incompetência não queremos pisar no lugar errado. Mas a razão principal é que ao tomar a decisão de fazer algo, essa é a decisão de tomar responsabilidade pela situação que nos encontramos, e isso não é um reflexo natural para a maioria de nós.

Particularmente, quando acreditamos que nosso problema é culpa de outra pessoa, é tentador esperar que pessoa responsável assuma enfim sua responsabilidade. Isso não ocorre frequentemente, e no mais das vezes estamos mesmo errados sobre quem botamos a culpa, de todo modo. Sei que sempre quero que a culpa seja de outra pessoa, e não acho que eu seja a exceção aqui.

Acreditar que o outro é responsável é tentador porque nos deixa fantasiar um fim de deus ex machina para sua crise, a cavalaria que chega bem na hora, o que acaba sendo um filme bem ruim porque faz o protagonista de bobo, e, na verdade, nunca acontece na vida real.

Desafie a tentação de cruzar os braços e esperar por alguma forma de salvação por justiça cósmica – ou pelo menos lembre que haverá uma tentação de não fazer nada, bem no momento em que se devia estar fazendo alguma coisa.

~ David Cain. Este artigo foi publicado originalmente no Raptitude e traduzido por Eduardo Pinheiro, sob autorização do autor, para o Papo de Homem. Imagens do Getty Images.

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Para entender o atual cenário político e econômico

Vai dizer que isso não acontece com você: não é possível dar um passo numa rede social sem tropeçar num textão falando do atual cenário político e econômico brasileiro. Cinéfilos, rockstars, blogueiros, filósofos, atores, jornalistas. Todo mundo quer dar o seu pitaco, expôr seu ponto de vista. E nada é tão simples que possa ser resumido num mísero parágrafo, não é mesmo?

Nós vivemos a era do textão. Ame ou odeie, ele funciona quase como um estado de espírito. Algo tão presente que é praticamente impossível viver alheio.

Mas se você está cansado do “Ver mais”, se é traumatizado com o “Continuar lendo”, se não aguenta mais a prática de exercícios localizados no dedo indicador, em scrolls que nunca chegam ao fim, chegou a hora de simplificar.

Reunimos alguns tuítes que explicam o atual cenário político e econômico melhor que qualquer textão. Sim: 140 caracteres, uma boa dose de despretensão e o mais fiel retrato do momento que vive o país.

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~ Spotniks.

Verdades que ainda não compreendemos

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“Nós não vemos as coisas como elas são, vemo-las como nós somos.” ~ Anais Nin

Há uma diferença entre saber algo e viver como se isso fosse verdade. E essas verdades sempre ficam se prolongando naquele limiar esquisito para todos nós:

1. Quanto mais cedo você começar a fazer algo, mais tempo da sua vida você vai passar com essa coisa feita, mesmo que deixar para depois seja a alternativa mais fácil. É o investimento mais certeiro de todos, e que vivemos deixando passar.

2. Nunca nos arrependemos de trabalhar. Consegue contar quantas vezes negociou consigo mesmo para trabalhar no dia seguinte ao invés de fazer hoje, por que estava preocupado em ter um “dia de trabalho ruim”. Raramente temos dias ruins quando trabalhamos.

3. Sempre que estamos jogando no celular, estamos jogando nossas vidas fora. Um smartphone é útil se você tem uma tarefa específica para fazer, mas 99% do tempo não queremos fazer algo que seja mais difícil do que passear no Facebook. Durante esse tempo, a única coisa que podemos dizer, é que estamos morrendo…

4. Nada nos deixa mais produtivo e conectado com o momento do que uma casa limpa. Há toda uma magia na limpeza. Acordar numa casa onde está tudo organizado é um sentimento glorioso. É como se mais coisas pudessem ser feitas, e tudo parece mais útil.

5. Minuto a minuto, nada do que façamos é mais recompensante do que a meditação. Mesmo após uma sessão curtinha, é certo que isso nos fará melhor em tudo, especialmente na tomada de decisões. E ainda assim, são raras as pessoas que o fazem.

6. Trabalho criativo é algo que pode ser feito a qualquer momento. Não é diferente de qualquer tipo de trabalho. Inspiração é bacana, mas é totalmente opcional. Podemos contornar isso inteiramente.

7. Agir da forma que você quer se sentir geralmente funciona. Se decidirmos agir como uma pessoa feliz (mesmo que não estejamos), vamos acabar ficando felizes depois de algum tempo, ou, no mínimo, menos pior. É algo extremamente poderoso de se tentar, e Gretchen Rubin escreveu sobre isso em seu livro The Happiness Project.

8. 95% da nossa felicidade provêm de ter uma casa, um corpo funcional e algo para comer. Vivemos no luxo absoluto, independente do que “luxo” signifique. Se estamos tristes é por que não temos noção das dimensões dos outros 5%.

9. Nossas mentes são feitas para administrar muito menos informações do que geralmente administramos. Pessoas modernas tem tantas opções que elas acabam não sabendo administrar tudo isso. Quanto menos coisas tivermos, mais gostaremos delas. Quanto menos objetivos tivermos, melhor os faremos. Quanto menor a porção de comida, mais saborosa ela é.

10. O caminho mais rápido e mais confiável em busca do desenvolvimento pessoal é fazer as coisas que mais relutamos fazer. Resistência interna deve ser tratada como um enorme sinal vermelho bloqueando o crescimento rápido e novas habilidades.

11. Para terminar as coisas, só precisamos mantê-las “começando” até que elas estejam completas. A ideia de fazer algo por inteiro sempre parece difícil, mas é facilmente alcançada se você simplesmente começar, daí boa parte da resistência some. Continuar é ridículo de fácil!

12. Quando achamos que estamos com raiva de alguém, na verdade, estamos com raiva da situação. Exemplo: Eu estou com raiva, pois de repente a vida requer algo novo de mim, e é muito mais fácil passar a culpa para quem contribuiu com isso. Eu quero que a situação se conserte sozinha, então eu atribuo a culpa à falha de moral de alguém para que eu não precise lidar com a responsabilidade desse novo problema.

13. Definitivamente, para terminar algo nós precisamos esquecer todo o resto. Nossa mente está sempre agitada, com 85 coisas gritando… e que precisamos terminar todas elas. Independente de como as emoções reajam a isso, temos que resolver um problema de cada vez, e deixar o resto pegando fogo.

14. Se estamos no meio de uma briga, cometemos algum erro. Não importa qual posição faz mais sentido, por que quando uma briga começa, toda a comunicação deixa de existir. Porém, às vezes, nos esquecemos disso completamente.

15. Poucas coisas realmente importam mais a longo prazo do que relacionamentos, saúde, finanças pessoais e desenvolvimento pessoal. Crises nas outras áreas deixam de existir tão rápido que nem há tanta razão assim para se chatear. É interessante notar também que essas 4 áreas são as que provavelmente mais contribuem para a felicidade a curto prazo.

↬ A ideia principal veio do Tatudobem?, que também o adaptou do Raptitude. Revisado por Kelyanne Costa.