DC Comics faz mês de homenagem a cartazes de filmes

A cada mês a DC Comics dedica as capas alternativas de suas principais séries mensais a um tema diferente. Em março de 2015, serão cartazes de filmes produzidos pela Warner Bros. – companhia que hoje é dona da editora.

Veja abaixo a leva de 22 capas inspiradas em pôsteres. Tem de Superman com Bill & Ted a Batman com Matrix:

Wonder-Woman-40

Teen-Titans-8

Batman-40

Aquaman-40

Justice-League-40

Justice-League-United-10

Justice-League-Dark-40

The-Flash-40

Action-Comics-40

Green-Lantern-40

Batman-Superman-20

Superman-Wonder-Woman-17

Grayson-8

Sinestro-11

Superman-40

Catwoman-40

Batman-and-Robin-40

Batgirl-40

Green-Lantern-Corps-40

Harley-Quinn-16

Supergirl-40

Detective-Comics-40

~ Omelete

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Foi sem querer, querendo…

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Chaves uma vez disse que preferia morrer que perder a vida, talvez hoje isso faça sentido. Roberto Bolaños, o Chespirito foi o incrível ator que deu vida para Chaves, Chapolin Colorado, Chompiras, Dr. Chapatin, Pancada Bonaparte e mais outras várias figuras que ganharam nossa audiência e aos poucos conquistaram nosso coração.

Chespirito morreu, mas não perdeu a vida – nossa admiração pelo seu trabalho é tão grande que faz a gente perder as contas de quantas vezes assistimos o mesmo episódio de seus programas e ainda assim achamos graça. Tenho certeza que Chespirito conseguiu arrancar ao menos um sorriso, de todo mundo que viu Chaves fazendo bobeiras ou quando Chapolin se atrapalhava com sua Marreta Biônica.

Abaixo, uma compilação do que encontrei nos melhores sites da internet, a não ser, é claro, que você queira evitar a fadiga:

Chaves

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O adeus de Edgar Vivar, o Sr. Barriga:

As lembranças de Chiquinha:

A admiração de Ruben Aguierre, o Professor Girafales:

O amor pelo Chavinho tomou conta da internet, que relembrou as frases de todos os personagens e contou como ele foi uma figura única na infância da gente:

https://twitter.com/dioei/status/538455783290466304

E as últimas palavras de Bolaños no Twitter foram pra dizer que amava o Brasil:

E esse é de laranja, que parece de limão, mas tem gosto de tamarindo. ~ Chaves vendendo suco

O senhor quer o que é de limão, o que parece limão, ou o que tem sabor de limão? ~ Chaves insistindo em fazer milagre com a água da chuva

Eu jamais me engano! Só me enganei uma vez: quando acreditei estar enganado! ~ Profº Girafales para os seus alunos

Já chegou o disco voador! ~ Chaves informando ao Seu Madruga que o Sr. Barriga havia chegado na vila

Ai, que burro! Dá zero pra ele! ~ Chaves mencionando algum de seus colegas de aula

Alguma vez eu lhe disse alguma mentira que não faltasse a verdade? ~ Chaves, sempre íntegro

Eu prefiro morrer do que perder a vida. ~ Chaves brincando com o Quico

A vida é labuta, disse a formiga. ~ Chiquinha sobre o trabalho

A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena. ~ Seu Madruga filosofando

Teria sido melhor ir ver o filme do Pelé. ~ Chaves descontente com o filme que foram todos assistir

Não há trabalho ruim. O ruim é ter que trabalhar. ~ Seu Madruga tirou as palavras da minha boca

Vola o cão arrependido, com as suas orelhas tão fartas, com seu osso roído e com o rabo entre as patas. ~ Chaves em sua apresentação para a Festa da Boa Vizinhança (o verso é repetido 44 vezes!)

Eu amo… O Seu Madruga ama… Nós dois nos amamos… ~ Dona Clotilde (a.k.a. Bruxa do 71) para o Seu Madruga

Ninguém tem paciência comigo… ~ Chaves e suas travessuras

Sem título

Minas anteninhas de vinil estão detectando a presença do inimigo. ~ Chapolin e seu “sentido Aranha”

Chega! Se eu quisesse ouvir idiotices, me bastaria as que eu mesmo digo! ~ Quico ensimesmado

Se aproveitam de minha nobreza. ~ Chapolin e suas indiscutíveis qualidades

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Em 30 anos de exibição no Brasil, aprendemos mais do que bater nos vizinhos ou desenhar porcos com letras “W”. Aprendemos também alguns conceitos filosóficos, por mais que não tenhamos reparado nisso.

Cinismo: A filosofia vive em um barril

Assim como Chaves, o filósofo pós-socrático Diógenes vivia em um barril. E todo o desprendimento do garoto com a vida não poderia ter outra influência senão o maior representante do cinismo. Não, não é o cinismo das tias que perguntam “E os ‘namorado’?” para sobrinhas encalhadas. Mas, sim, o conceito filosófico que foi levado ao extremo por Diógenes, que, segundo dizem, andava nu e “não tinha propriedade alguma para não ser propriedade de nada”, como lembra o filósofo Mario Sergio Cortella, no programa Agora é Tarde:


O Eterno Retorno: Nietzsche de calça jeans

Na obra A Gaia Ciência, Nietzsche propõe uma ideia mais perturbadora do que o amor de Dona Clotilde para o Seu Madruga. Ele sugere a possibilidade de termos de viver outras vidas repetidamente, fazendo as mesmas coisas que fizemos nesta. É o conceito do Eterno Retorno. Assim, imaginando que cada episódio da vila seja uma vida diferente, as ações que lá acontecem ocorrem repetidamente porque estão condenadas a este conceito. O pobre coitado do Seu Madruga, então, seria o melhor exemplo da ideia, uma vez que sempre é cobrado a pagar os mesmos 14 meses de aluguel; e sempre será condenado a apanhar da Dona Florinda, ainda que não tenha culpa. Se incorporasse a ideia proposta por Nietzsche, ele poderia tentar romper o ciclo de sofrimento para ficar bem consigo mesmo. Mas arrumar um emprego e enfrentar a mãe do Quico não parece uma opção.

Filosofia do Absurdo: Albert Camus só quer evitar a fadiga

Olhando pelos olhos do escritor e filósofo Albert Camus, o carteiro Jaiminho poderia ser um revoltado. Sempre com a desculpa de “evitar a fadiga”, o habitante mais ilustre de Tangamandapio poderia, na verdade, ter tomado consciência da inutilidade de seu trabalho e criado, assim, uma metáfora sobre a vida moderna, na qual as pessoas são obrigadas a realizar tarefas sem sentido. A ideia está no ensaio O Mito de Sísifo, que apresenta os conceitos da filosofia do absurdo, no qual Camus faz uma referência à lenda grega do mortal que prendeu a morte e, como castigo dos deuses, foi obrigado a rolar uma pedra morro acima, que, ao chegar no topo, despencaria novamente. E seguia assim por toda a eternidade. Para Camus, a solução, no lugar do suicídio, seria a revolta. E quem paga são os outros habitantes da vila que precisam procurar por suas próprias cartas.

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Nada é mais difícil que unir a América Latina: nem o futebol consegue isso, que o digam os brasileiros com Pelé e os argentinos com Maradona. O Chaves do Oito e o Chapolin Colorado conseguiram: são idolatrados de Tijuana a Ushuaia, mesmo com 30 anos sem gravar um episódio.

Vários experts em televisão já explicaram os motivos: é uma comédia que não subestima a inteligência do espectador, mesmo sendo uma criança; é um local que faz parte da infância rural/suburbana de muita gente; são relações de poder que se refletem no cotidiano; os trejeitos se repetem.

Acima de tudo isso existe um sentimento estranho de fraqueza e auto-ironia que une a nós, latino-americanos, como nenhuma outra coisa. A fraqueza das nossas posses, das nossas instituições, a fraqueza da justiça e das pessoas desfavorecidas; a auto-ironia de saber debochar de si próprio como alternativa de resignação às derrotas constantes.

Tudo isso nos une, de Tijuana a Ushuaia; sempre vai ter um vizinho com uma bola que queremos e não podemos ter, sempre vamos apanhar por algo que não fizemos, às vezes seremos expulsos da nossa vila por um crime que não cometemos, e sempre terá Acapulco para irmos nos divertir mesmo sem pagar 14 meses de aluguel.

Essas contradições são tipicamente latino-americanas. Bolaños pode não ser o melhor roteirista do mundo, nem do seu país. Poderia ter ideias que não condizem com a sua prática – mas qual outro conseguiria trazer realidades tão caras a nossa situação política e social?

E que outro professor nos ensinou as histórias de Colombo, de Fausto, de Napoleão, de Chopin, de Guilherme Tell e até astronomia básica – “não são pedras, são aerólitos!” – de forma tão divertida e tão grudenta, para não esquecermos nunca?

Sempre vão ter aqueles para dizer que é apenas uma valorização da “cultura trash“, do “ruim divertido”, o “ruim cult“. Assim como os estádios da América Latina, repletos de cachorros em campo, sinalizadores, arquibancadas de madeira, papel higiênico no gramado – ora, não gostam? Fiquem com sua assepsia de arenas multiuso e comédia hospitalar. Ninguém é obrigado a gostar. Respeitem quem se identifica com aquilo que está perto da sua realidade, ou é difícil encontrar uma criança abandonada com um saco de roupas, na sua esquina?

Bolaños se despede com a contradição maravilhosa de ter a sua morte anunciada no intervalo da sua vida, em uma das tantas reprises que o representam como completo no SBT. Bolaños se despede como nós, na dúvida entre a morte e a não-morte, na comoção e no choro generalizados daqueles que, mais que admiraram, mais que amaram, sentiram o que Chaves sentia.

Bolaños se despede para seu descanso merecido, enquanto aqui seguimos fazendo suco de tamarindo com a água da chuva.

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…traduzida em desenho:

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original

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A dubladora de Chiquinha gravou uma mensagem de despedida para o Chaves, dê o play abaixo:

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No final do episódio da viagem para Acapulco/Guarujá, um dos mais famosos e queridos pelos fãs de Chaves, Roberto Bolaños canta uma música composta por ele mesmo, “Boa Noite Vizinhança”. Creio que seus versos são o modo mais apropriado de dizermos “até breve” a alguém que alegrou e inspirou tantas gerações ao longo de décadas: “Prometemos despedirmos, sem dizer adeus jamais…”

~ Este artigo é uma junção dos posts publicados pelos sites: YouPix, Impedimento, Exame, Pensar Enlouquece, UOL Entretenimento, Sem Profetada, Galileu, Circus Circus, comentários no Jovem Nerd e Designerd. E um agradecimento super especial à Kelyanne Costa, a colaboradora Premium deste blog, sem a qual este post não seria possível.