A economia explicando pessoas

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Como diz o Jim, pessoas são estranhas.

Confesso que sou um grande fã de Freakonomics. Tanto pela análise complexa de coisas que parecem, à primeira vista, totalmente caóticas ou não relacionadas, quanto pelo aspecto comportamental que algumas ferramentas da economia conseguem desvendar.

Há alguns anos, encanei que precisava entender de economia. Queria saber o que contribuía pra inflação, como eram pensadas as políticas públicas, por quais motivos o dólar subia ou descia… Achava que se entendesse tudo isso o mundo ia ficar um pouco menos estranho.

Aí encontrei dando sopa um livro gigantesco de introdução à economia, de um tal de Gregory Mankiw, mais de 700 páginas de tudo que eu precisava pra entender do funcionamento do nosso país.

Eis que me deparo com um capítulo introdutório que ia mudar minha vida. Economia não é sobre países, nações e comunidades (ok, TAMBÉM é).

É sobre pessoas.

Logo de cara Mankiw enumera os princípios da Economia, e 4 deles me fascinaram pois falam de gente. São as formas com que tomamos decisões e como lidamos com isso.

De repente, o que eu tentei entender indo atrás de textos e livros sobre Behaviorismo, encontrei em Economia!

São assim:

1.ENFRENTAMOS TRADE-OFFS NO NOSSO DIA A DIA

O tempo inteiro precisamos lidar com escolhas, “isso ou aquilo”, trabalhar para fazer carreira estável ou juntar dinheiro e viajar o mundo. Ter que escolher é a condição humana básica: para o bem ou para o mal quem escolhe somos nós (e a luta por igualdade social é permitir que todos possam escolher da mesma forma). Como o nome em inglês já explica, é tipo uma troca: troco desfrutar A para desfrutar B.

2. O CUSTO DE ALGUMA COISA É AQUILO QUE VOCÊ DESISTE PARA OBTÊ-LA

Essa é fácil e tem um nome simples: custo de oportunidade. Em toda escolha há a renúncia de algo (a outra escolha). Quase toda decisão profissional passa por esse princípio e fica muito evidente quando a gente diz estar em um dilema. Quem é da área criativa sabe muito bem a dor de cabeça de decidir viver como freelancer ou se submeter ao horário comercial em algum estúdio ou agência. Ambas as opções tem vantagens, mas você desiste de umas para escolher as outras.

3. AS PESSOAS RACIONAIS PENSAM NA MARGEM

Essa foi especial e me abriu muito os olhos. O próprio Mankiw descreve bem: “Se você está fazendo dieta, não vai deixar de comer a sopa. Vai provavelmente comer algumas colheradas a menos”. O mundo não é binário, de sim o não, disso ou daquilo, PT ou PSDB. Há uma gama enorme de fatores e quem procura fazer escolhas certeiras pensa em pequenos detalhes e ajusta as decisões com base nisso. No final das contas é até mais fácil, quem nunca ouviu que “para emagrecer não precisa fechar a boca, só comer com equilíbrio”?

4. AS PESSOAS REAGEM A INCENTIVOS

Meu favorito! Disso nasce a chamada Economia Comportamental, que explica como avaliamos cenários para tomarmos decisões. Incentivos não são elogios positivos para as coisas que fazemos, eles podem ser negativos. O Steven Levitt diz, por exemplo, no Freakonomics, que os EUA tiveram problemas na década de 70 com o afrouxamento do regime carcerário pois o incentivo para não se cometer crimes diminuiu.

Mesmo pensando em crimes, aquela máxima da sua avó “A ocasião faz o ladrão” é um pouco isso: em determinado momento, o incentivo de alguém para cometer algum delito é tão grande (e o incentivo para não fazê-lo tão pequeno) que o crime acontece.

Claro que não somos bonecos frente às condições ambientais que ditam todas as nossas ações (caso contrário, de que adiantaria discutirmos livre arbítrio?), mas elas influenciam diretamente a direção para que seguimos.

Não sei por que lembrei desse assunto esses dias, mas parece que nunca envelhece então talvez valesse um post!

~ Leonardo Amaral para o Update or Die!

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Este diagrama impressionante vai mudar a forma como você enxerga a economia mundial

Abaixo está um infográfico muito legal feito pelo HowMuch.net que demonstra a representação da economia mundial de uma maneira um pouco não ortodoxa. O modo como ele foi criado proporciona visualizar a produção econômica como um círculo. Este círculo é então subdividido em várias “bolhas” que representam a economia de cada país importante. E, em seguida, cada país-“bolha” é cortado em três pedaços, representando sua industrialização, seus serviços e sua agricultura.

Confira:

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À partir desse aglomerado de informações, você pode perceber algumas coisas interessantes:

  • Por exemplo, se comparar os Estados Unidos e a China, podemos verificar que a economia americana é muito maior do que a chinesa, mas os setores industriais são comparáveis ​​em tamanho e o setor agrícola da China parece ser um pouco maior. Os serviços são o que impulsionam toda a diferença.
  • O Reino Unido e a França têm proporções igualmente dimensionadas na economia global, mas a agricultura é uma fatia muito maior no bolo francês.
  • Mesmo que a Rússia seja considerada como uma espécie de ameaça global, sua economia produz menos do que a Itália. Coloque todos os diferentes países europeus em conjunto, e a produção Rússia continua pífia. [N. do E.: Talvez sua “pressão” deva ser analisada pelo contexto de utilização dos recursos, e não somente pela produção nacional]
  • É frequente ouvir alguma frase citando os gigantes asiáticos “China e Índia”, mas você pode ver aqui que esses dois países são muito diferentes economicamente.
  • A única nação africana nessa lista, África do Sul, tem uma economia menor do que a da Colômbia.

~ Tradução da matéria original publicada por Matthew Yglesias para a Vox.

Para entender o atual cenário político e econômico

Vai dizer que isso não acontece com você: não é possível dar um passo numa rede social sem tropeçar num textão falando do atual cenário político e econômico brasileiro. Cinéfilos, rockstars, blogueiros, filósofos, atores, jornalistas. Todo mundo quer dar o seu pitaco, expôr seu ponto de vista. E nada é tão simples que possa ser resumido num mísero parágrafo, não é mesmo?

Nós vivemos a era do textão. Ame ou odeie, ele funciona quase como um estado de espírito. Algo tão presente que é praticamente impossível viver alheio.

Mas se você está cansado do “Ver mais”, se é traumatizado com o “Continuar lendo”, se não aguenta mais a prática de exercícios localizados no dedo indicador, em scrolls que nunca chegam ao fim, chegou a hora de simplificar.

Reunimos alguns tuítes que explicam o atual cenário político e econômico melhor que qualquer textão. Sim: 140 caracteres, uma boa dose de despretensão e o mais fiel retrato do momento que vive o país.

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~ Spotniks.

O mundo está ficando melhor?

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A imprensa – e os seres humanos em geral – têm um viés forte baseado na negatividade. Notícias econômicas ruins ficam mais tempo na cobertura de um (tele)jornal do que uma boa notícia. As experiências negativas afetam as pessoas por mais e por mais tempo, do que as positivas! Portanto, é natural que situações atípicas como a incursão da Rússia na Ucrânia, ou a ascensão do terrorismo, ou o surto de Ebola, chamarem mais a nossa atenção do que, digamos, o fato de que a extrema pobreza caiu pela metade desde 1990, ou de que a expectativa de vida está aumentando, especialmente em países mais pobres. Mas vale a pena dar um pouco de atenção para esses últimos fatores. O mundo está ficando muito, muito melhor em toda uma variedade de dimensões. E aqui estão apenas alguns exemplos:

A pobreza extrema caiu!

Este é provavelmente o quadro mais importante nesta lista. A taxa extraordinária de crescimento econômico na Índia e na China – bem como o crescimento mais lento, mas ainda significativo em outros países em desenvolvimento – levou a um grande declínio na parcela da população mundial que vive com menos de US$ 1,25 por dia, a parcela de 52% da população 1981, caiu para 43% em 1990, e para 21% em 2010! Os índices ainda são altos, e mesmo assim, alguns especialistas em desenvolvimento estão argumentando que esse limite deveria ser aumentado para US$ 10-15 por dia, mas o que muito se debate é um sinal do enorme progresso feito nas últimas décadas.

A fome está diminuindo…

O mapa abaixo mostra o Índice Global da Fome – uma medida de desnutrição calculada pelo Instituto de Pesquisa de Política Alimentar Internacional – na maior parte dos países do mundo entre 1990 e 2014. O vermelho e o laranja demonstram países que possuem altos níveis de fome e desnutrição, enquanto os verdes têm taxas mais baixas. É encorajador ver o mundo gradualmente se tornar menos vermelho e mais verde ao longo dos últimos 24 anos.

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…e o trabalho infantil também!

Qualquer quantidade de trabalho infantil é demais para o trabalho infantil, e o ritmo em que ele está sendo reduzido não é rápido o suficiente para atender a meta de eliminar o trabalho infantil projetado pela Organização Internacional do Trabalho para o ano de 2016. Mas a taxa de declínio – reduzida em 1/3 entre 2000 e 2012 – não é trivial e merece ser comemorada.

A expectativa de vida aumentou.

A nível mundial, a expectativa de vida tanto para o sexo masculino quanto para o feminino, aumentou em seis anos de 1990 a 2012, mas os ganhos foram maiores em países de baixa renda, que percebram um aumento de cerca de nove anos para homens e mulheres. Ainda há uma desigualdade substancial entre países ricos e pobres; a expectativa de vida masculina é 16 anos mais elevada nos países de renda alta em comparação com as de baixa renda, e expectativa de vida feminina é 20 anos superior. Mas a diferença está lentamente se igualando.

A mortalidade infantil está decaindo.

A mortalidade infantil caiu quase pela metade desde 1990. Se você olhar para as regiões em desenvolvimento, os ganhos são ainda mais impressionantes. No leste da Ásia, América Latina, e no norte da África, a taxa de mortalidade de menores de cinco caíram mais de 2/3 no mesmo período, enquanto na África subsaariana caiu em 48%.

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A morte durante o parto é cada vez mais rara.

A mortalidade materna diminuiu 45% segundo a Organização Mundial de Saúde. E a queda têm sido especialmente dramática nos países africanos.

As pessoas estão ficando mais altas!!!

Este gráfico, retirado de uma pesquisa realizada por Gregory Clark, acompanha a altura dos esqueletos masculinos encontrados na Europa através de quase 2000 anos, e compara esses pontos de dados com as informações mais recentes. Por quase dois milênios, as alturas do sexo masculino permaneceram estáveis, mas com o advento da Revolução Industrial, elas começaram a subir abruptamente. Há muitos fatores determinantes para este aumento, mas padrões de nutrição e de vida em geral são os mais cruciais.

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Fumantes estão em baixa também!

De acordo com a Gallup (empresa de pesquisa de opinião dos Estados Unidos), após as Guerras Mundiais, uma grande maioria da população americana sempre foi fumante. Mesmo assim, já percorremos um longo caminho desde 1955, e enquanto naquela época 45% dos norte-americanos consumiam em média um maço de cigarros por semana, atualmente, esse percentual não é maior do que 21%.

As guerras estão em declínio.

Um século após o início da Primeira Guerra Mundial, pode ser difícil para as pessoas acreditarem que a guerra está em declínio. Mas, a longo prazo, as mortes por violência política organizada estão caindo, como enfatiza o psicólogo canadense Steven Pinker: “a taxa de mortes diretas e documentadas de violência política (guerra, terrorismo, genocídio e milícias locais) na última década é de apenas alguns centésimos de ponto percentual, uma número sem precedentes”.

E não é apenas Pinker quem faz tal afirmação, analistas como: John Mueller, Joshua Goldstein e John Horgan são persuasivos em dizer que o fim da guerra está próximo. “A guerra é apenas uma idéia”, escreve Mueller, “ao contrário de respirar, comer, ou fazer sexo, a guerra não é algo exigido pela condição humana, ou pelas forças da história. Assim, a guerra pode murchar e desaparecer, e esse processo parece estar à ponto de se iniciar.”

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As taxas de homicídio estão caindo por toda a parte.

Não é só a violência entre nações que está em declínio. Como a pesquisa do criminologista Manuel Eisner mostra, o homicídio em países europeus tem diminuído ao longo dos séculos. Eisner estima que no ano de 1200 e 1300, a Europa tinha uma taxa média de homicídios de cerca de 32 por 100.000 habitantes. Nos anos 1900, essa taxa havia caído para cerca de 1,4 para cada 100.000.

Nós reduzimos drasticamente a fabricação de armas nucleares.

Os estoques de armas nucleares mundial atingiu o pico em 1986 (+69,000 ogivas atômicas), e desde então o que se tem visto é um declínio acentuado dos americanos e russos neste tipo de armamento. Houveram alguns lapsos no regime de não-proliferação internacional, com o Paquistão e Coréia do Norte desenvolvendo armas, mas a África do Sul e as pós-URSS Belarus, Cazaquistão e Ucrânia desistiram voluntariamente deste aparato militar. Ponto pra eles!

Mais e mais países hoje são democracias!

Na década de 70, autocracias mantinham uma desvantagem sobre as democracias por uma margem considerável. Países do bloco soviético foram uniformemente ditatoriais, e os Estados Unidos pós-Guerra Fria não fizeram promoção da democracia uma prioridade, aliando-se com uma série de ditaduras brutais, como a Coréia do Sul, Chile e Grécia. Mas, depois da queda do Muro de Berlim, as ditaduras comunistas praticamente desapareceram, e muitos ditaduras em países europeus orientais foram substituídos por sistemas democráticos. Governos militares apoiados pelos Estados Unidos na América Latina perderam o poder, e uma série de ditadores africanos caiu. O resultado foi que, em 2013, a média de pontuação mundial da Polity IV Score – uma medida utilizada pelos cientistas políticos para rastrear a prevalência da democracia – foi maior do que jamais foi.

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Mais pessoas estão ficando na escola por um período maior de tempo…

Nós ainda temos muito o que fazer para melhorar o acesso à educação, mas, mesmo em países como a China e Índia, que estão em desenvolvimento, a média de anos de escolaridade (padronizado aqui como o ensino fundamental e médio”) têm vindo a crescer rapidamente.

…e a alfabetização se deu muito bem com tudo isso.

O aumento do acesso à educação tem, sem surpresa, relação com o aumento da alfabetização. Um grande progresso foi feito também por se reduzir as diferenças raciais na alfabetização. Em 1870, 80% dos afro-americanos com idades entre 14 anos ou mais eram analfabetos, e em 1950 esse número caiu para apenas 11%. Por volta de 1979, de acordo com dados do Centro Nacional de Estatísticas da Educação, a taxa mundial de analfabetismo caiu para 1,6%!

A Lei de Moore ainda está em curso.

A Lei de Moore – a observação empírica, idealizada pela presidente da Intel, Gordon Moore, de que o número de transistores em um chip dobrariam aproximadamente a cada dois anos – tem alimentado o crescimento extraordinário do poder da computação ao longo do último meio século. E, embora alguns analistas argumentem que o progresso será lento na próxima década (ou que ele já é), as últimas décadas de progresso exponencial foram extraordinárias, e, mesmo que a tendência não continue, otimistas do setor argumentam que ela pode.

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O acesso à internet está aumentando.

Neste ponto, o uso da internet é bastante universal em países desenvolvidos – que ocorreram muito, mas muito rapidamente – e enquanto ela é menos prevalecente nos países em desenvolvimento e no mundo em geral, as linhas de tendência estão indo na direção certa.

E a energia solar está ficando mais barata.

A mudança climática é uma grande área onde nós não estamos fazendo progresso, e as coisas estão ficando consideravelmente ruins. Não vamos “tapar o Sol com peneira”. Mas um ponto positivo é a diminuição do preço da energia solar, o que está alimentando a um rápido aumento na adoção deste tipo de tecnologia. O preço se divide entre os painéis solares (módulos fotovoltaicos utilizaods para gerar eletricidade) e os custos do “sistema”, que o engenheiro Brad Plumer explica como “todos os pequenos passos ao longo da cadeia produtiva da fábrica até quando ele é colocado no seu telhado”. Este último está ficando mais barato, ajudando a alimentar todo o processo.

Abaixo, um vídeo em inglês com toda a matéria:


↬ Tradução livre do Vox, indicação da Fuck*** Homepage.

O manifesto da Geração M

Prezadas pessoas velhas que comandam o mundo,

A minha geração quer se separar de vocês.

Diariamente, eu vejo um abismo cada vez maior entre as formas como nós entendemos o mundo — e o que queremos dele. Acho que temos diferenças irreconciliáveis.

Vocês queriam “negócios” grandes, gordos, lentos. Nós queremos comércio ágil, pequeno, em micro-escala.

Vocês transformaram política em um palavrãoNós queremos democracia profunda e autêntica ­— em todo lugar.

Vocês queriam fundamentalismo financeiro. Nós queremos uma economia que faça sentido para as pessoas — não só para os bancos.

Vocês queriam valores para os acionistas — gerado por CEOs valentõesNós queremos valor real, gerado por pessoas de caráter, dignidade e coragem.

Vocês queriam uma mão invisível — ela se tornou uma mão digital. Os mercados de hoje são aqueles onde a maioria das transações são feitas de maneira literalmente robóticaNós queremos um aperto de mão genuíno, com confiança de ambos os lados.

Vocês queriam crescimento — e rápido. Nós queremos desacelerar — para nos tornarmos melhores.

Vocês não se importaram com quais comunidades teriam seus crescimentos impedidos, ou com quais vidas afundariamNós queremos uma maré alta que levante todos os barcos.

Vocês queriam a vida em tamanho extra grande: McMansões, McCarrões, McComida. Nós queremos humanizar a vida.

Vocês queriam condomínios fechados e anti-comunidades cheias de muros. Nós queremos uma sociedade sedimentada em comunidades autênticas.

Vocês queriam mais dinheiro, crédito e influência — para consumir sem parar. Nós queremos fazer bem feitas as coisas que realmente importam.

Vocês sacrificaram aquilo que tem significado pelo que é material: vocês venderam as coisas que nos tornaram o que somos, em troca de bugigangas, cacarecos e aparelhos triviais. Nós não estamos à venda: estamos aprendendo a novamente fazer aquilo que tem significado.

Há um abalo tectônico chacoalhando o cenário social, político e econômico. Os últimos dois pontos acima são os que expressam isso de forma mais concisa. Eu odeio rótulos, mas vou aplicar um falho e imperfeito: Geração “M”.

O que significa esse “M”? Primeiramente, significa movimento. Tem um pouco a ver com idade, mas principalmente tem a ver com um número cada vez maior de pessoas que estão agindo de maneira muito diferente. Elas estão fazendo algo que em inglês eu chamo de meaningful stuff that matters the most — as coisas significativas que mais importam. Estes são o segundo, terceiro e quarto “M”s.

A Geração M é paixão, responsabilidade, autenticidade e desafio às modas antigas. Em todo lugar que eu olho, vejo uma explosão de negócios, ONG’s, comunidades open-source, iniciativas locais e governos seguindo estes preceitos. Quem pertence à Geração M? Obama, um pouco. Larry e Sergey, do Google. Os caras do Threadless, do Etsy, do FlickrEvBiz e a turma do Twitter. Tehran 2.0. O pessoal do Kiva, do Talking Points Memo e do FindtheFarmerShigeru MiyamotoSteve JobsMuhammad Yunus e Jeff Sachs são como os avôs da Geração M. E há muito mais de onde estes inovadores vieram.

A Geração M não é apenas algo bacana, é vitalmente necessária. Se você acha que os M’s soam idealistas, pense de novo.

A grande crise não vai embora, mudar ou “morfar”. Ela é a boa e velha crise antiga, e está crescendo.

Vocês falharam em reconhecê-la pelo que ela realmente é. Ela está, como eu apontei repetidamente, nas nossas instituições: as regras pelas quais nossa economia é organizada.

Mas elas são as suas instituições, não as nossas. Vocês as fizeram. E elas estão quebradas. É isso que eu quero dizer:

“…Por exemplo, a indústria automobilística cortou tanto a sua produção que os inventários estão começando a encolher — mesmo frente a uma demanda historicamente baixa por veículos automotores. À medida que a economia se estabiliza, apenas diminuir o ritmo desse encolhimento de inventário vai aumentar o produto interno bruto, ou o PIB, que é a produção total de produtos e serviços da nação.”

Se livrar do estoque de SUV’s construídas com tecnologia de 30 anos de idade vai aumentar o PIB? E daí? Não poderia haver um exemplo mais claro para ilustrar como o conceito de PIB é completamente falho, uma instituição obsoleta. Nós não precisamos de mais iates terrestres abarrotando as ruas: nós precisamos de uma indústria automobilística do século 21.

Eu estava brincando (parcialmente) sobre a separação lá no início do texto. É assim que eu vejo a coisa: cada geração tem um desafio, e este, penso eu, é o da nossa: pagar o pato da geração anterior, e criar, no lugar, uma prosperidade compartilhada de maneira autêntica e sustentável.

Qualquer um, jovem ou velho, pode responder a esse chamado. A Geração M tem mais a ver com quem você é o que você faz do que com quando você nasceu. Então a questão é essa: você ainda pertence ao século 20, ou está no 21?

Com amor,

Umair e Edge Economy Community

Original em The Generation M Manifesto. Tradução de Fabio Bracht. Fonte: Papo de Homem.