“Você é a média das cinco pessoas com quem passa mais tempo”

“Diga-me com quem andas que te direi quem és”, falava minha mãe.

Talvez não quem é, mas certamente indica quem você vai se tornar.

Quantas vezes não chegamos com aquela ideia totalmente revolucionária, que tínhamos certeza que seria a coisa mais legal da vida, e um amigo nos joga pra baixo? Fazem você ficar com medo de tomar determinada decisão? Riem de você quando conta que vai começar uma dieta na segunda feira, e você até desiste de vergonha.

Ou o contrário, conta para aquele seu amigo que precisava perder uns quilinhos e recebe uma bela ajuda para mudar sua rotina?

Somos diretamente influenciados pelas opiniões, pontos de vistas e atitudes de nossos amigos. Obviamente, quanto mais próximos, maior a influência.

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Esquerda: Charles Chaplin e Albert Einstein. Direita: Brigitte Bardot e Pablo Picasso.

Li recentemente uma história sobre uma mulher formada em administração cujos cinco amigos mais próximos eram dois engenheiros do Google, um engenheiro da Eventbrite, um arquiteto, e seu pai, que era presidente de um clube de futebol. O texto conta que Jane, inspirada por como os amigos amavam seus empregos e como se sentiam realizados, resolveu começar a programar. Em nove meses, saiu do seu emprego provisório, fora da sua área de formação, e se tornou uma engenheira de software. Foi de nunca ter escrito um único código para programar todos os dias. E ainda aprendeu a falar chinês.

Pessoas tendem a acreditar que grande parte das suas ações é ditada simplesmente por sua própria vontade, mas ao longo da história podemos ver centenas de casos de sucesso onde amigos foram bem sucedidos juntos, um empurrando o outro pra frente, fazendo com que o sucesso de ambos fosse inevitável.

Na minha vida, tive sorte não de ter realizado algo mas de ter encontrado parceiros que me incentivaram a me tornar uma pessoa melhor e que tentaram melhorar as vidas dos outros.

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Henry Ford, Thomas Edison, Warren Hardin (presidente dos EUA) e Harvey Firestone.

Há alguns anos, trabalhando em uma empresa quase falida recém-absorvida por uma forte companhia emergente, tive a sorte de não ser demitido, uma vez que os objetivos da compradora não incluíam a minha área de especialização. Fui encaminhado para acompanhar um projeto de algo que nunca tinha visto na vida. Eu era o cabeludo que usava camisa de banda e calça larga, sem muito carisma. Não estava nem um pouco me importando com o que pensavam. O cara que eu iria acompanhar era a pessoa mais simpática que já conheci, o tipo que em alguns minutos tem a atenção de qualquer garota, cliente ou provável futuro amigo. Era bem feio, até as garotas falavam isso, mas nenhuma delas conseguia ficar longe do mojo do rapaz.

Nessa época, eu só andava com ele, pra cima e para baixo. Era tão impressionante a capacidade e o carisma que ele havia desenvolvido que comecei a observar os detalhes. A forma com que cumprimentava todo mundo, a voz enérgica, a postura sempre positiva, a prontidão e disposição para tudo.

Felizmente, hoje em dia, elogiam em mim essas mesmas características. Ainda estou longe de alcançar aquele grau de carisma e confiança, mas meu sucesso foi totalmente definido pela minha recente amizade com ele.

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Esquerda: Carl Sagan e Dalai Lama. Direita: Michael Jackson e Paul McCartney.

Entretanto, já vi o oposto acontecer.

Meu irmão é um cara dos mais inteligentes que conheci. No começo da idade adulta, enquanto eu andava com os nerds, ele se juntou aos “caras errados”. Em pouco tempo, perdeu todos os plurais do seu vocabulário e praticamente se forçava a falar errado – porque “é como meus amigos falam”. Se vestia mal e perdeu grandes oportunidades de trabalho por vícios causados por essas amizades. Parecia querer sempre se manter por baixo, ser menos do que podia ser. As amizades erradas o levaram para um destino muito diferente do que qualquer pessoa poderia prever. Para se igualar aos amigos, ele absorveu seus defeitos e abdicou de suas próprias qualidades.

Você deve estar se perguntando:

“Qual influência meus amigos têm sobre mim? Para onde estão me levando?”

Mas por que você não se pergunta o seguinte:

“Qual é a influência que tenho sobre meus amigos? Para onde eu os estou levando? Sou um bom amigo? Estou incentivando as atitudes certas? Intervindo e dando conselhos quando necessário?”

Somos peças importantes na vida de nossos amigos. Nosso objetivo conjunto deve ser sempre a busca de uma vida melhor. Procurar o apoio de novos amigos para alcançar sucesso é um caminho doloroso, mas em algum momento você acaba se afastando de quem não agrega mais nada.

Quer outro bom exemplo? Imagine Steve Jobs e Steve Wazniak sonhando com a Apple. Ou Bill Gates, Steve Ballmer e Paul Allen criando a Microsoft. Ou mesmo com todas as desavenças, Eduardo Saverin e Mark Zuckeberg do Facebook.

Poderia ter sido você e seus amigos.

~ Alberto Brandão para o Papo de Homem. Imagens do Awesome People Hanging Out Together.

Somos adultos, certo?

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Nós estamos enfraquecidos, distraídos, sem foco, desesperados por atenção, buscando em algum lugar uma coisa que a gente não acha nunca. A gente pensa que viu algo especial e aquilo dura menos que um segundo. Isso gera compulsão. Somos todos junkies.

“Pergunta rápida, internauta. Você sabia que o seu organismo é capaz de produzir uma droga muito mais forte do que a heroína?

Essa droga é natural, não tem quaisquer efeitos colaterais.

As pessoas pagam caro pra caralho, sonhando alcançar os mesmos estados físico-psíquicos que a endorfina nos proporciona. As endorfinas nada mais são do que poderosos analgésicos bioquímicos produzidos pelo cérebro – um dos descobrimentos científicos mais relevantes do homem. A massagem, os esportes, a música e, principalmente, fazer o que temos vontade são os principais geradores de endorfinas.

Endorfina nos faz sentir bem. A droga da felicidade é, em suma, fazer o que temos vontade. Somos viciados nisso.” – Guilherme Nascimento Valadares

Eles sabem disso. As coisas são projetadas para disputar nossa atenção e nos dar pequenas agulhadas de endorfina. Tudo brilha, tudo pisca, tudo diz “hey, vem cá, olha pra mim”, seguido de um “bom garoto” após a obediência. E é claro… a gente obedece.

~ Luciano Ribeiro, para o Papo de Homem.

A moça que roubou toda a beleza do mundo & outras histórias

Em O Escafandrista, o escritor mineiro Louraidan Larsen compartilha “as histórias que ouve nas ruas, as conversas com desconhecidos, as surpresas da vida”. Segundo ele, “tudo contado aqui aconteceu. Até aquilo que invento: aconteceu, mesmo.”

Conheci faz pouco tempo essas histórias, e me apaixonei. São lindas, curtas, singelas, poderosas. Tudo aquilo que a melhor literatura deveria ser. Abaixo, três narrativas aleatórias:

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A sala de estudos da biblioteca pública no centro da cidade estava cheia, lotada. Fui caminhando até o final, avistei um lugar, uma mesa sobrando, cheguei. Havia uma garrafa d’água vazia. Uma caneta marca-texto e uma apostila escrita “Prova de Língua Portuguesa”. Olhei para um lado, para o outro, e perguntei a uma moça sentada próxima. “Sabe se tem alguém aqui?”. Ela disse que já estava lá há um bom tempo e ninguém havia aparecido.

Resolvi sentar, até que reclamassem o direito à mesa. Quando fui arredar para o canto as coisas, vi um bilhete pequeno, em cima da apostila, escrito com letras de fôrma, letra de homem: “Oi! Todo mundo queria sentar aqui e ficaram reclamando que você saiu e demorou muito a voltar. Se não fosse eu, que te defendi, iam tirar seu material daqui. Mas só fiz isso pq vc roubou toda a beleza do mundo e não deixou para as outras mulheres”.

Esperei, esperei. Fiquei uma hora, duas, as pessoas foram esvaziando o lugar. Vontade era conhecer a pessoa ladra de belezas, entregar o recado, ver sua reação. Em vão. A biblioteca fechou, e não apareceu. A apostila, a garrafa d`água, a caneta: tudo ficou lá. O bilhete também. Até a luz se apagar – mas a sala de estudos, vazia, dormiu, naquele dia, sabendo que nela estiveram pessoas, conversas, histórias, romances, poesias e toda a beleza do mundo.

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Estava na fila de um supermercado, quando um rapaz bem magro, de braços finos, veio me perguntar se podia pagar pra ele. Carregava arroz, óleo, macarrão e leite de soja. Sou ex-presidiário, começamos a conversar. Por que você foi preso? Homicídio. Você matou alguém, é isso? Sim, matei um homem que roubou minha tia.

Almir ficou preso por 2 anos e 7 meses. Havia saído da cadeia na semana anterior. Na mão, entre as compras, tinha uma bíblia pequena. Leu pra mim o salmo 92. “(…) Os justos florescerão como a palmeira (…)”.

Antes de nos despedirmos, ele me contou que a sobrinha ia se casar. Sobrinha que faz enfermagem. Vai ser uma honra ver você lá, se puder ir, disse. E me entregou anotado em um papel o telefone do pai, que mora próximo a ele. Você pode ligar, já está convidado. E saiu.

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Eu estava em pé, de frente pra menina sentada de camisa rosa e cabelo preso. Parecia nervosa, escrevendo no celular. “Vou sentir muita saudade. Mas sei o quanto você…”, e apagou, enquanto mexia no cabelo, e olhava para as pessoas no ônibus. Até que voltou a escrever: “Vou sentir muita saudade. Sei que vc já não estava mais satisfeita”.

Nesse momento, o moço que estava ao seu lado levantou. Ela, então, esperou a senhora com bolsas pegar o lugar do rapaz, para continuar: “Vou sentir muita saudade. Sei que vc já não estava mais satisfeita. Vai ser difícil acostumar toda manhã sem vc”. E parou pra pensar. Fez que ia apagar toda a mensagem, mas voltou a digitar: “Vou sentir muita saudade. Sei que vc já não estava mais satisfeita. Vai ser difícil acostumar toda manhã sem vc. Mas o importante é que está feliz, então, eu fico feliz tb. Gosto muito de vc,”.

Com o celular na mão, mais uma vez ela se interrompeu. Olhou pro movimento dos carros na rua… Mas decidiu terminar: “Vou sentir muita saudade. Sei que vc já não estava mais satisfeita. Vai ser difícil acostumar toda manhã sem vc. Mas o importante é que está feliz, então, eu fico feliz tb. Gosto muito de vc, quero te levar pra sempre na minha vida. Vc me fez chorar dentro do ônibus lotado”. Ponto. Ela chorou. E enviou.

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Alex Castro para o Papo de Homem.