#HumanidadeLevadaPelaÁgua

“Seu nome era Aylan”. ATENÇÃO: Esta publicação contém imagens fortes.

Um menino de 3 anos de idade chamado Aylan Kurdi e seu irmão de 5 anos, Rihan, foram fotografados com o rosto virado para baixo na praia, na última quarta-feira de manhã (02/09/2015). Eles foram supostamente mortos depois que o barco que os levava à ilha de Kos, na Grécia, virou. Os irmãos estavam fugindo, junto com a família, da tensão que se instalou na Síria, tentando chegar ao Canadá, onde parentes moram.

Artistas de todo o mundo agora estão compartilhando tributos maravilhosos feitos à foto amplamente vista de Aylan sob a hashtag em turco #KiyiyaVuranInsanlik ou #HumanidadeLevadaPelaÁgua.

O inferno é a realidade em que a gente vive. ~ Khaled Yeslam
O inferno é a realidade em que a gente vive. ~ Khaled Yeslam
Procurando por um lugar seguro. ~ Mahnaz Yazdani
Procurando por um lugar seguro. ~ Mahnaz Yazdani
Um dos maiores problemas políticos da comunidade muçulmana são os governantes do mundo muçulmano que não se importam com a própria comunidade. ~ Umm Talha
Um dos maiores problemas políticos da comunidade muçulmana são os governantes do mundo muçulmano que não se importam com a própria comunidade. ~ Umm Talha
Nós estamos perdendo nossa humanidade e as pessoas vão morrer nas fronteiras. ~ Azzam Daaboul
Nós estamos perdendo nossa humanidade e as pessoas vão morrer nas fronteiras. ~ Azzam Daaboul
Não deixe a compaixão se afogar. ~ Tristan Fitzgerald
Não deixe a compaixão se afogar. ~ Tristan Fitzgerald
...porque delas é o reino dos céus. ~ Luciano Ramos
…porque delas é o reino dos céus. ~ Luciano Ramos
Agora vocês vêem? ~ Valeria Botte Coca
Agora vocês vêem? ~ Valeria Botte Coca
Deus esteja com você, pequeno anjo. ~ Gunduz Aghayev
Deus esteja com você, pequeno anjo. ~ Gunduz Aghayev
~ Murat Sayın
~ Murat Sayın

~ Compilado de imagens do BuzzFeed, Hypeness e Bored Panda.

15 práticas para 2015

Por mais que a mudança de ano seja uma construção onírica, vamos admitir: a maioria das pessoas fica mais aberta, tanto é que em vez de “Tenha um bom dia!” ou “Boa semana para você!”, expandimos nossa percepção: “Que você tenha um ótimo ano!”

Para aproveitar esse momento, convidamos várias pessoas para contar qual prática têm testado e que poderiam sugerir de coração para reorientar outras vidas. A lista abaixo é um compilado do que elas enviaram.

Esta não é uma lista de curiosidade, apenas para ler e compartilhar. Se você, por exemplo, realmente parar todo dia e não mais compartilhar inutilidades (duas das 15 práticas), é certo: sua vida vai ficar mais leve e sua presença mais benéfica às pessoas ao redor.

Vamos lá?

Para ilustrar, as novas tirinhas de André Dahmer na série "Para viver 120 anos"
Para ilustrar, as novas tirinhas de André Dahmer na série “Para viver 120 anos”

1) Escutar um a um

“O maior presente que podemos dar ao outro é nossa atenção” ~ Laurence Freeman

Começar a fazer uma coisa tão simples quanto realmente ouvir as pessoas, com interesse, sem pressa e julgamento, é uma coisa que pode, aos poucos, impactar toda a forma como vivemos, conduzimos as relações e vemos o mundo.

É simples. Todos tem o que falar. Quando sentimos que o outro tem algo a dizer, que tem alguma dificuldade, nós apenas ouvimos — paramos para isso, chamamos para um café, para um Skype, oferecemos nossa presença. Não fazemos como se fosse uma coisa que já fazemos (para um barzinho etc.), chamamos para fazer isso, explicitamente, especialmente, fazemos uma coisa nova.

Para isso, não precisamos ser mestres e sempre saber o que fazer. Ouvimos e então falamos com o coração: “Olha, eu não sei o que é o melhor para se fazer, mas eu queria muito ajudar, de verdade, queria muito aprender. Podemos descobrir juntos como destravar isso…”

2) Parar cinco minutos a cada dia

“Numa era de velocidade, nada é mais revigorante quanto ir devagar. Numa era de distração, nada é mais luxuoso quanto prestar atenção. E numa era de constante movimento nada é mais urgente quanto se sentar quieto.” ~ Pico Iyer

Apenas sente. Exerça a liberdade radical de tomar nas mãos 5 dos 1440 minutos do seu dia. Faça a experiência, sente-se, pare, relaxe, respire. E se achar difícil, desconfie: de quanta liberdade você realmente desfruta?

3) Não compartilhar bobagem e conteúdos danosos

Vale para o Facebook, mas também para a vida: lembre-se que o tempo e a atenção, nossas e dos outros, são as coisas mais valiosas. Ao compartilhar algo, pense: isso poderá causar maior benefício e abertura ou maior dano e fechamento? Poderá ajudar a quem e de que forma? Com qual motivação estou fazendo isso — raiva, orgulho, inveja… ou compaixão, empatia, generosidade, cuidado?

Nós temos responsabilidade sobre o mundo e sobre as pessoas. Melhor lembrar o quanto antes que todos desejamos estar bem e nos apoiarmos nisso, enfim, mais e mais. Melhor parar de prejudicar e distrair os outros e a nós mesmos o quanto antes e de todos os jeitos.

4) Entender o dinheiro como energia

Assim como o tempo, os projetos para os quais direcionamos nosso dinheiro são (ou deveriam ser) os projetos em que realmente acreditamos. Nosso extrato diz muito sobre nossas crenças. Não adianta postar no Facebook sobre como nossos políticos erram ao direcionar a verba que lhes é confiada, mas não conseguir direcionar minimamente nosso próprio recurso financeiro.

10926447_698290126954874_5747940400964733391_n

5) Parar de ignorar a morte

A clareza de que a morte é certa e inesperada reorienta nossas prioridades e traz à tona o que realmente importa. Além de lembrar diariamente de que vai morrer, você pode começar a preparar tanto a logística do processo quanto sua mente, pode começar já a se despedir das pessoas queridas e não resistir tanto à realidade da impermanência — do corpo, das ideias, do jeito como passamos os fins de semana, de cada momento que parece estável…

Marcar o fim, ritualizar as passagens nos deixa mais confortáveis nesse mundo de despedidas. Pouco a pouco, vamos incorporar o hábito de falar abertamente sobre a morte, para que ela se torne cada vez menos um tabu.

6) Quebrar a diferença entre estranhos e conhecidos

Num grupo de estudos realizado em São Paulo, muita gente se surpreendeu com o quanto cada um sem querer acaba se estreitando em um grupinho de amizades. Ao se dispor a falar com estranhos sobre questões íntimas (relacionamento, trabalho, dinheiro, morte, tempo…), descobrimos que quase não fazemos isso, não colocamos nossas visões e ações na mesa para serem contestadas, entendidas, revisitadas, muito menos entre desconhecidos.

Olhe ao redor: é cada vez mais difícil para adultos abrirem novas amizades. No fundo, mais do que amigos, queremos ser parceiros de absolutamente cada e toda pessoa, então já podemos começar mesmo antes do primeiro “Oi”, ao não mais pensar em termos de estranhos e familiares.

7) Fazer um caderno de seres

Escreva o nome de todas as pessoas que você já encontrou na vida, adicione as recentes sempre e leia com alguma frequência. Isso nos ajuda a acompanhar, se alegrar e ajudar mais vidas, além de evidenciar quais relações precisamos pacificar, quais pessoas estamos excluindo ou olhando de modo inferior.

Assim que escrevemos um nome inteiro a cada linha, começa a parecer absurda nossa tendência a ver uma pessoa como “ex-namorada”, outra pessoa como “vizinho com quem nunca converso”, outra pessoa como “cliente de tal empresa”… E assim fica mais fácil ampliar a relação que temos com ela, unilateralmente, sem precisar necessariamente entrar em contato.

8) Parar de culpar pessoas e situações

Podemos nos debater e encontrar mil justificativas, mas a realidade é a seguinte: nosso sofrimento e nossa felicidade não surgem de algum evento externo, mas de uma presença interna. Tanto é que depois de alguns anos somos capazes de sorrir ao lembrar de uma situação que na época parecia completamente densa e intransponível — mesmo quando nada mudou, como no caso de uma relação paralela (“traição”) que deu origem a um outro casamento duradouro.

10247473_716935821756971_2364849552487174623_n

9) Cultivar compaixão consigo mesmo

A medida de compaixão que temos com os outros é exatamente a mesma medida que conseguimos ter com nós mesmos. Quando não temos compaixão conosco, não temos com mais ninguém. E se agimos como se tivéssemos, é provável que, em alguma medida, seja uma farsa, algo que demande grande energia e esforço, feito por entendermos que agir desse modo será bem percebido.

Muitas vezes nós somos nossos piores inimigos, principalmente quando buscamos algum tipo de autoestima (algo bem diferente de autocompaixão). Somos duros, impacientes, não aceitamos o ponto em que estamos e não confiamos em nosso potencial de transformação.

10) Agradecer e apreciar

Se você não tem a quem agradecer, desconfie: você não está olhando direito ou você está isolado.

É muito saudável agradecer (às vezes explicitamente) pelas coisas que geralmente tomamos como certas. Isso vale para o jantar preparado pelo marido ou pela esposa, para o garçom que nos serve, para alguém que me ajuda quando deixo algo cair, para o lixeiro, para o carteiro… enfim, oferecer um “Obrigado” de coração pelas pequenas gentilezas burocráticas que acontecem vez ou outra.

Abrir o olho da gratidão naturalmente desvela o universo de bondade no qual estamos imersos. E a bondade nos leva a apreciar a riqueza da nossa condição presente, seja ela qual for. Depois é mais fácil ver qualidades, elogiar, agir para que floresçam, desejar a felicidade de mais e mais pessoas (treinando na arte rara do amor genuíno), e criar relações a partir dessas qualidades amplas uns dos outros.

11) Boicotar iniciativas danosas

Pesquise e pare de apoiar pelo menos uma empresa ou marca que piora nossa vida ou age contra suas visões de bem-estar coletivo. Se você não boicota nenhuma organização, é fácil começar: pare, por exemplo, de tomar refrigerantes e instale um adblock no seu navegador de internet. Se você já boicota e quiser uma inspiração adicional, veja essa lista de corporações e a lista de boicotes do Eduardo Pinheiro.

12) Parar de falar mal dos outros

Por mais “espiritualizados” que alguns se considerem, ainda não superamos esse mal hábito coletivo de fofocar e falar mal, congelando as pessoas e nos afastando uns dos outros. Melhor ficar quieto ou experimentar um outro tipo de fofoca: “O outro está passando por tal obstáculo, o que podemos fazer?”

Além disso, podemos fazer o voto de evitar piadas, discursos e comportamentos que reforcem preconceitos contra grupos dos quais não fazemos parte. Podemos reconhecer o racismo, a homofobia ou o machismo e a cultura do estupro, por exemplo, e apoiar iniciativas focadas em reduzir o sofrimento.

13) Substituir o “Tudo bem?”

Ao retomar contato com alguma pessoa, veja se um “Como vai?” funciona sem que você se abra primeiro, não apenas listando fatos, mas falando de seu mundo interno sem pés atrás. Experimente brincar com a pergunta clássica, trocando-a por algo como “Você está sonhando e avançando em que direção?”, “O que você realmente tem feito?”, “Qual foi o momento mais importante dessa semana?”, “Aflito por algo?” ou o que fizer mais sentido na hora.

1912016_697799390337281_3786279078598768727_n

14) Não exigir

Exigir é talvez a ação que mais destrói uma relação. Exigir é um tipo de violência. Exigimos com o olhar, exigimos com atitudes indiretas, exigimos incessantemente até ao pensar nos outros. Quem somos nós para interromper uma pessoa no meio da rua e forçá-la em alguma direção? E o que muda quando essa pessoa vive conosco há 10 anos?

Guardem isso no coração: o outro é livre, o outro é criativo. Antes de ligar para a esposa (marido, filha, funcionário, amiga…), lembre-se que naquele exato momento a pessoa está seguindo com sua vida; antes do “oi”, depois do “tchau” e até durante a conversa, ela não é sua esposa. Melhor liberar o outro, dispensá-lo do trabalho de nos fazer feliz. E assim nos desobrigar de fazê-lo feliz, intensificando a alegria em ajudá-lo em seu florescimento, sem a sensação de cobrar ou pagar dívidas.

15) Ter um sonho claro para 2015

Diferente de fazer um planejamento, apenas permita-se sonhar o que você gostaria que acontecesse de realmente relevante e positivo para este ano. E então bote no papel, liste 5, 10, 15 itens, coisas que te causam alegria só de pensar.

Por relevante e positivo, podemos entender as coisas que são mais condizentes com nossa aspiração fundamental por felicidade genuína, ainda que sejam simples — entrar em tal curso, fazer tal formação, iniciar um encontro semanal para chá, conversa e silêncio, ir a três retiros, se empoderar das finanças e fazer as mudanças de trabalho, cidade ou casa…

Ao sonhar, consideramos que as circunstâncias podem mudar a qualquer momento e que sito não é um problema. A lista pode sempre ser refeita, como um GPS que nunca se cansa de encontrar a melhor rota. Para algum lugar nós vamos de qualquer jeito, então é melhor que tenhamos algum direcionamento.

~ Gustavo Gitti reuniu este texto colaborativo escrito também por Fábio Rodrigues, Eduardo Amuri, Leiliane Abreu, Daniel Gisé, Marcos Bauch, Isabella Ianelli, Guilherme Valadares, Tatiana Monnerat, Mel Oliver, Rafael Peron, Paulo Carvalho, Vítor Barreto, Alan Nakano, Mirian Hasegawa e Daniela Godoi, para O Lugar.

[Nota do Editor: Já se passou 1/3 de 2015, mas é daí? Das suas “resoluções de Ano Novo”, quantas conseguiu colocar em prática até este exato momento? Não seria este mais um estímulo para tentarmos ser alguém melhor?]

O relógio está correndo, sua vida está com pressa. E você, está fazendo o que ama neste momento?

chaplin

Admito que não sou fã de rótulos estipulados por “gerações”, que, na minha opinião, são construídos para facilitar o entendimento comportamental da cada fase de uma sociedade. Acabamos dividindo e definindo tudo em pequenos blocos, que, nas entrelinhas, podem ser constatados pelas diferenças entre idades. Calma. É claro que a Era em que essas pessoas estão vivendo é totalmente diferente de outras que já foram vividas. Os avanços tecnológicos, os valores, os acessos e outros inúmeros fatores se modificaram no decorrer desta evolução, mas um importante ponto é que as outras “gerações paralelas” – que permanecem vivas – também estão acompanhando tais mudanças. Claro que com uma ótica totalmente diferente, sofrendo outros impactos e registrando outras impressões. Por isso, gostaria de deixar claro que este provocativo artigo não é direcionado apenas a alguma geração X, Y ou Z e, sim, para todos os seres humanos quem têm o prazer – ou a falsa sensação – de estar vivendo.

Para começar, a Box1824, empresa de pesquisa especializada em tendências de comportamento e consumo, fez um fantástico estudo que evidencia algumas das principais diferenças comportamentais desta atual fase que vivemos com algumas já vividas. Sem rotular, a ideia que gostaria que envelopasse este estudo da Box é a de que nem todos que – matematicamente – compõe uma “geração” são, de fato, condizentes com o comportamento esperado ou o que “deve” ser adotado por este bloco da massa. Por exemplo, eu tenho uma mãe – que não é “Y” – que domina uma recente tecnologia e já é viciada no consumo e na geração de conteúdo do iPad. Prática que eu, no entanto, mesmo sendo teoricamente um membro da “Geração Y”, ainda não me preocupei em exercer.

O estudo denominado “All Work and All Play” estabelece um interessante comparativo entre os diferentes objetivos, valores e destinos que os principais traços comportamentais das diferentes gerações construíram ao decorrer de um período. É estabelecida uma nova perspectiva proveniente deste atual modo com o qual temos levado a vida e, consequentemente, transformado o mundo. O vídeo me foi bastante inspirador e, na certa, vai lhe provocar uma porção de questionamentos que eu, como autor deste post, pretendo refletir ou complicar ainda mais ao decorrer deste artigo:


Apesar do fantástico trabalho da Box, seria bom que nos atentássemos a alguns fatos que implicam nesta divisão de “gerações”. Afinal, como exemplificado anteriormente, nem todos seguem a mesma linha de raciocínio proveniente destes blocos divisórios. É fácil notar que muitos colegas “de geração” ainda acreditam que o plano de carreira é apenas um sinônimo para o plano de vida. Sendo assim, acabam depositando todo o seu tempo em um enigmático e suspeito jogo de ambições e sacrifícios temporários que, no decorrer da partida, se convertem numa rotina a qual, infelizmente, após determinado período, é adequada e aceita como realidade. Como o vídeo ilustra, a “Geração X” se torna refém de distantes e ilustrativos sonhos pintados à ambição, sacrifícios e status. Daí, pare e pense um pouco: qual é o seu plano neste exato momento? Onde você trabalha? Qual a sua perspectiva? Você está vivendo o seu sonho?

Uma das melhores definições de insanidade que já li é o fato de sempre repetir exatamente as mesmas atitudes e – de modo totalmente absurdo – aguardar e gerar expectativa para diferentes resultados. Enxergar isso atualmente é muito simples: é só assistir os amigos reclamarem de seus trabalhos, cargos, salários, perspectivas, tempo, vida social e sonhos sem nem sequer – de fato – tentar mudar o rumo do jogo.

Após ter assistido este vídeo e ter misturado estas diferentes constatações de “gerações” a alguns traços comportamentais de nossa sociedade, me lembrei de uma provocativa constatação que Dalai Lama fez ao ser questionado sobre o que mais o surpreendia na humanidade:

“O que mais me surpreende na humanidade são os ‘homens’. Porque perdem a saúde para juntar dinheiro. Depois, perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem-se do presente de tal forma que não vivem nem o presente, nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer… E morrem como se nunca tivessem vivido.”

Acredito que a gente consiga evoluir muito com estas possíveis mudanças comportamentais.

Mas o mais difícil – além de encarar tudo isso – é tentar fugir destes “modelos de sucessos” que nossa sociedade tem cultivado. Pois no final, se você não está fazendo o que ama e está usando a sua vida como um ‘ensaio’, é melhor você repensar seus próximos passos, não acha?

Algo muito interessante que o vídeo coloca como uma das principais características comportamentais desta atual geração é a ideia de se tirar proveito da vida durante o ‘caminho’ e não se apoiar em um pretenso sucesso final. É permanecer ambicioso, mas de forma mais ponderada e “racional”. É saber que a vida é agora e não daqui a alguns distantes anos. É conseguir “praticar” o comportamento que lhe permite mudar de direção com rapidez e desapego. Vivendo melhor o presente sem a ilusão de que tem total controle sobre o futuro.

Praticar a conflitante teoria de uma vida plena parece ser bem utópico. Porque, afinal, é ir contra inúmeras e diferentes pressões. É apostar que ser uma solteirona convicta e não atender à machista pressão de que para ser feliz é necessário estar com alguém ou ter filhos, no fim das contas, acaba por exigir um pouco mais de esforço. É conseguir viver sem se importar com os antiquados julgamentos que vão rejeitar uma nova rota que foge o rebanho. É não ligar para estes “ácidos olhares” – que podem estar apenas invejando a forma como você está encarando tudo – e apenas praticar o que lhe faz feliz, deixando de lado o medo da imagem que os outros estão construindo sobre você.

Tendo em vista que você já leu até aqui – espero que as coisas estejam fazendo algum tipo de sentido -, eu gostaria de propor o seguinte “exercício”: tente estabelecer, mesmo que mentalmente, uma vida em que, ao invés de ter apenas 5 dias úteis, você consiga ter 7. Que você não se console com o “fim do expediente” ou com o “fim de semana”. Que você não se acostume a descarregar todas as frustrações coletadas durante a semana em válvulas de escape que a maioria acaba aderindo para amenizar e calar o pedido interno de mudança.

Você acha que conseguiria se adaptar a este novo formato de vida ou será que já se acostumou com a sua rotina de sobrevivência a ponto de ignorar o fato de que, talvez, você não esteja fazendo o que realmente ama?

O texto “Eu sei, mas não devia”, da Marina Colasanti, foi um complemento necessário para fechar este raciocínio pelo simples fato de traduzir – em sábias palavras – inúmeras sensações internas que a gente tem, sabe, “mas não devia”. Recitado por Antônio Abujamra, você na certa vai demorar alguns minutos para recuperar o fôlego depois de dar o primeiro play:


Precisamos ter coragem de cultivar um comportamento onde o foco reside na experiência e não na possível – e distante – obtenção de “memórias ilustradas” que pretendemos colher no decorrer de um futuro e imprevisível caminho. É ser realista e aceitar que bom mesmo é viver “o agora” e não correr atrás de um delicado sonho sustentado em um pedestal de inseguranças e sacrifícios que vão lhe consumir parte da vida sem ter a certeza de chegar lá.

Espero que os inúmeros parágrafos não tenham atrapalhado o acesso aos dois fantásticos vídeos deste artigo, pois uma outra peculiar e atual característica comportamental da nossa sociedade é que consumimos, de modo cada vez mais superficial, todas as informações que nos são vomitadas nos mais diferentes tipos de mídia. Temos tanto acesso que, muitas vezes, nem sabemos como lidar com tanta informação. Por isso, temos a tendência de deixar as respostas com o Google no lugar de tentar aprender. Por este motivo, suspeito que poucas pessoas vão argumentar, espalhar ou formar qualquer opinião sobre este longo artigo. Afinal, a vida tem pressa e nem todo mundo vai ter “tempo suficiente” para ler esta fantástica sequência de baboseiras, não é mesmo?

~ Eduardo Cabral para o site Comunicadores.

Como aproveitar um dia de folga

Gerenciamento do tempo é uma das coisas mais difíceis hoje em dia. Pelo menos pra mim, é.

Temos uma rotina de incontáveis coisas e situações e o tempo só querendo a gente o tempo todo, gritando por nossa atenção. É o Facebook, o Twitter, o vídeo de só 5 minutos no Youtube, uma passada de olho na timeline do Instagram. É mãe ligando, chefe pedindo refação porque o cliente reprovou, a Ana Maria Braga chamando aquela reportagem de dicas de decoração que sua irmã disse ser legal.

Isso porque você ainda nem saiu de casa.

Talvez gerenciamos o nosso tempo bem demais, já que estamos aí, fazendo tudo isso ao mesmo tempo e ainda levando o cachorro para passear e tirando selfies no espelho do elevador indo pra academia. Nossa geração conseguiu acelerar tanto que, em 24 horas, fazemos 72.

Faz muito sentido quando temos um domingo sem nada na agenda ou o feriado abençoado de meio de semana — que não emenda — e tudo o que queremos é uma hibernação repentina.

Ficar de preguicinha, colocar as séries de TV em dia, ficar de pijama o dia todo, ver filmes, dormir de conchinha, zerar — finalmente! — o jogo preferido da vez. Um feriado de quarta-feira, descompromissado, acaba servindo só para o seu relógio, que está fazendo hora extra nos dias normais, chegar no zero a zero.

Mas e se encarássemos esse feriado, esse dia solitário, como algo especial? Se tratássemos o dia como “Parabéns! Você é o humano 105.373.322.919! Você acaba de ganhar um dia a mais de vida. Como quer gastá-lo?”

Eu sei como gostaria de gastar esse dia. Adoraria fazer coisas que nunca fiz antes e acharia fantástico se você fizesse o mesmo. Uma coisa que te dê medo, qualquer coisa que nunca pensou em fazer antes. Algo que, lá no fundo, você sabe que seria marcante na sua própria história.

Enfrente algo

117147768

Eu morro de pavor — fobia mesmo — de altura. Tenho medo até de elevador panorâmico.

Imagine o que significaria na minha vida pular de paraquedas. É um Muro de Berlim que eu quebraria, algo significativo de verdade que eu poderia planejar uma semana antes — afinal, com o tanto de tempo que temos, dá pra tirar meia horinha para isso — e usaria esse dia para algo significativo para mim.

Você, que sempre teve vontade de fazer um almoço especial para demonstrar para sua família o quanto você os ama, mas nunca teve coragem ou tempo para preparar. Um feriado de meio de semana ou um domingo. Aí é perfeito!

Tire uns minutinhos daquelas 36 horas e escolha a receita. Entrada, prato principal e sobremesa (por favor). Compre os ingredientes e surpreenda todo mundo. Se tiver muito medo ou nenhuma habilidade, faça um teste escondido antes. Ninguém nasce sabendo cozinhar e poucas coisas são tão deliciosas quando alguém gosta do que você fez com suas próprias mãos.

Livre-se de algo

pic1-620x412

Não aguenta mais o tanto de CD’s inúteis que a vida pré-MP3 te fez comprar? Esse é o dia certo para arrumar as tralhas, jogar tudo fora ou vender em um sebo qualquer. O mesmo com os filmes, livros e aquele tanto de papel que você acumulou da faculdade.

Livre-se disso. Dê uma arrumada na casa, mude os móveis de lugar. Você vai dormir com dor no corpo todo e morto de cansado, mas, ao apagar as luzes, estará completamente renovado.

Crie algo

93885737

Há anos você diz que vai escrever um roteiro de longa-metragem, começar um romance, criar o seu blog. Os amigos já cobram e você sempre arruma uma desculpa. Desligue o modem, a TV, o celular e enfrente a página em branco. Escreva algo novo para alguém, nem que seja para você mesmo, mas coloque essa roda em movimento. Vai que tem um bestseller aí louco para nascer, uma série, um filme!

As possibilidades são infinitas e a desculpa do tempo não cola mais.

Aprenda algo

Quer aprender uma língua nova? Quer aprender a tocar Ukulele? Quer aprender a fazer embaixadinha?

Você pode.

Esse cara aí em cima ensinou no TED que aquela história de 10.000 horas para aprender alguma coisa é balela. Você só precisa de 20 horas para aprender algo. O Messi precisou dessas 10.000 horas para ser o que ele é e você não precisa ser o Messi. Procure uma vídeo-aula ensinando cantonês, ou alemão, um site colaborativo como o Livemocha, um lugar que te ensine algo em um dia, como os cursos do Cinese.

O Ukulele tem quatro cordas, não é tão difícil.

Nós temos tempo. Nós fazemos o nosso tempo e podemos usá-lo para assistir 33 temporadas de Doctor Who ou aprender algo novo — não que você não aprenda com o Doutor, Alons-y! — fazer algo que você nunca fez.

Se nós já fizemos uma ode à preguiça, hoje quero que você vença o monstro da procrastinação e produza algo. Não para o seu chefe, não para a empresa que você trabalha, não para seu parceiro ou parceira. Para você. O que você gostaria de fazer e nunca “teve tempo”?

~ Pedro Turambar para o Papo de Homem. Imagens do Getty Images.

 

Porque escrevo

167609236

Porque sim.

Porque a literatura é política. Porque o viver é político. Porque o não-ceder é político.

Porque o machismo & a homofobia, o racismo & o elitismo ainda definem nossa cultura & nossa sociedade, nossa língua & nossa sexualidade, e precisam ser combatidos todo dia, sempre, sem trégua.

Porque escrever serve para mudar o mundo. Chacoalhar as mentes. Arregaçar os olhos. Destruir os preconceitos. Estimular a empatia.

Porque não vale a pena escrever o que já foi escrito, dizer o que já foi dito, pensar o que já foi pensado.

Porque as pessoas que nadam contra a corrente, que foram censuradas & silenciadas, oprimidas & esquecidas, precisam saber que não estão sozinhas.

Porque as pessoas que mandam, que querem nos convencer que a sua maneira é a única maneira, que não há outro jeito de viver exceto o delas, precisam saber que sua opinião não é unânime, que nem todo mundo acreditou, que alguém fincou o pé.

Porque as pessoas que obedeceram todas as regras que lhes impuseram & trilharam todos os caminhos que lhes mandaram, que hoje se sentem tristes & frustradas, precisam saber que havia escolha, que sempre houve escolha, que ainda há escolha, que podem escolher uma nova vida, um novo caminho, que dá tempo.

Porque todas as forças do mundo & da sociedade, dos pais & do trabalho nos impelem a conformar & aceitar, a obedecer & respeitar.

Porque ser as pessoas que queremos ser é o maior desafio das nossas vidas, uma luta surda & diária, interna & implacável, contra nossas mesquinharias e egoísmos, nossas fraquezas e vaidades.

Porque basta uma distração para pisarmos em uma armadilha, para sermos tragados pela correnteza, para acabarmos em outra vida, percorrendo outro caminho.

Porque ser quem queremos ser é a mínima obrigação que devemos a nós mesmos.

Porque se não somos quem queremos ser, então não somos nada.

E é por isso que eu escrevo.

~ Alex Castro, para o Papo de Homem. Imagem do Getty Images.