#TeveMuitaCopa

Utilizando uma série de técnicas para se extrair um sentido de um conjunto de textos, em um método conhecido como análise de conteúdo, a AG2 Publicis Modem, em parceria com a pesquisadora e professora do curso de comunicação social da UCPel Raquel Recuero, criou um infográfico interativo que destaca quais foram os principais temas e assuntos debatidos no Twitter durante os jogos do Brasil na Copa do Mundo.

Depois de remover o ruído e organizar o falatório digital, foi possível selecionar quais foram os principais momentos das partidas em que a seleção canarinha esteve em campo – como a desaprovação da vaia ao hino do Chile, a crítica à arbitragem durante o jogo contra a Holanda, a aprovação de Fernandinho como um possível titular e até mesmo a reprovação às vaias contra a presidente Dilma Rousseff, que aconteceram algumas vezes nos estádios.

A praticamente ausente cobertura midiática sobre o Exoesqueleto de Miguel Nicolelis também foi um assunto que chamou a atenção na rede social, assim como a grande defesa do goleiro Ochoa, os pênaltis defendidos por Júlio César, o abraço de David Luiz no oponente, e a vergonha da goleada no jogo contra a Alemanha.

Para Gabriela Silva, coordenadora de mídias sociais da AG2, a profecia de que a Copa poderia ser uma catástrofe para as empresas associadas ao evento acabou não se concretizando, e a participação mas mídias sociais foi bem significativa e, em geral, com repercussão positiva. “Em contextos desse tipo, análises profundas e focadas no comportamento do usuário são ferramentas-chave para tomada de decisões e direcionamento da abordagem dos conteúdos e interações”, enfatiza ela.

Sobre a escolha de acompanhar mais o Twitter, Raquel Recuero acredita que a rede foi a melhor ferramenta para circular informações durante o mundial, por não haver direcionamento de audiência. “Como o Facebook tem um grande direcionamento de audiência (aquilo que você publica não fica disponível imediatamente e para todos os seus amigos por conta do algoritmo), o Twitter acabou sendo a ferramenta mais apropriada para discutir o evento onde a instantaneidade e a velocidade da interação (para comentar o jogo ao vivo) são cruciais”, explicou, fazendo também uma referência a canais de chat das antigas. “Dava um aspecto quase “canal de IRC” para quem lembra dos “velhos” tempos da Internet brasileira”, brincou.

No site da AG2 é possível navegar por algumas das informações e observar os gráficos das análises de conteúdo relacional.

infografico-tevemuitacopa-ag2publicis

~BrainStorm9

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E agora?

Olá, querido!

140 caracteres ficaram pequenos, então respondo seu tweet por aqui.

“O povo vai voltar ficar caladinho”. Isso é uma triste certeza que você tem.

“A morte vai chegar a qualquer momento”, “homens usam mulheres e as descartam como coisas”, “empresários exploram o trabalho de seus empregados para ficarem ricos”… São outras tantas tristes certezas que nós temos…

Isso nos impede de seguir vivendo e amando as pessoas? Isso impede que você mesmo se apaixone e ame sua esposa? Isso tudo são “protestos” diários que a gente faz, para mostrar que somos diferentes.

A certeza triste não pode impedir ninguém de agir diferente do que esperam. Se você e eu vivemos e não desistimos dos nossos sonhos, nem de amar os outros, isso faz diferença? Que diferença isso faz?

Gosto de pensar que a pequena conquista nossa a cada dia, são os nossos 20 centavos.

Mas não posso nunca desprezar o esforço dos outros! Não acho que eles vão mudar tudo. Mas é bom saber que eles estão acordados. “O povo” vai ficar caladinho amanhã ou depois. Essas pessoas, não.

O mundo delas mudou com isso. E os filhos delas talvez sejam pessoas diferentes por isso também.

Se olharmos por fora e superficialmente, não vão conseguir muito. Mas é muito melhor do que ficar em casa e assistir novela.

Pense nos empresários que exploram os empregados, outra triste certeza que temos… Se você olhar para a exploração de agora, sentirá que não vale a pena lutar pelos direitos dos empregados, e adotará o famoso “se não gosta de ser humilhado, procure outro emprego”…

Mas pense nos trabalhadores do século XIX. Pense na diferença de antes e o que conseguiram hoje. Se você pensar no que falta, se olhar a montanha do progresso olhando só para cima, você sentirá um pouco de desânimo de lutar para chegar no topo. Vai querer ficar parado, “quietinho”, onde parou.

Você precisa pensar em tudo que já foi feito antes. Ver todo o caminho trilhado e toda a escalada. É preciso sonhar com o grande, com o fim da maldade, da guerra, da corrupção. Mas esse resultado depende de uma revolução muito maior. Uma revolução dos corações.

Mas até lá, a gente deve lutar para conseguir o pouquinho de cada vez… E se não puder lutar, torça, apoie, sonhe junto com aqueles que vão na frente e conseguem aquele “nada”, que juntando-se a todos os outros “nadas” se soma às conquistas daqueles que se atreveram a se atrever.

Esse movimento pode não mudar o país. Mas isso vai significar muito no coração de quem participou, seja de corpo presente, gritando, lutando, seja por aqueles cujo coração estava junto com eles, rezando para que a polícia não os machuque, como eu fico.

Por fim, quero que se lembre do movimento “diretas já”. Não foram eles que terminaram com a ditadura. Eles só queriam poder votar diretamente. Hoje isso não parece nada, vendo como as pessoas disperdiçam seus votos.

Naquela época já havia tanta corrupção! Você lembra do “bolo” dos generais e tudo que eles roubaram, né?

Mas, pense. Imagine se aquelas pessoas deixassem de lutar, entrassem no clima do “daqui a pouco o povo volta a ser indiferente, deixemos os generais seguirem”.

É preciso ter cuidado para não exigir demais das pessoas. Não apoio essas pessoas porque acho que elas vão mudar o Brasil. Eu as apoio porque houve uma mudança no coração delas.

Gostaria que os professores, policiais, outras classes e tantas outras pessoas fossem unidos assim. Mas eles não são. Eles se acovardam e se separam, porque boa parte deles pensa como o seu tweet. E isso doí no meu coração.

Quando as pessoas se separam, porque uns ficam com preguiça de lutar, eles ficam fracos e ninguém os escuta. Nem sei se eles vão conseguir algo. O importante para mim, é saber que eu os escuto. E eu os escuto com amor.

E quer saber do que mais? Acho que no fundo no fundo… Seu coração quer ser convencido de que vale a pena lutar… Senão, por que você perderia seu tempo falando sobre isso? Até porque, como já dizia Allan Kardec, somente as ideias verdadeiras são combatidas… As falsas se destroem sozinhas…

Queria poder explicar melhor… Talvez eu possa, mas outro dia… Por enquanto, os sentimentos estão meio atropelados.

~ Francine Markova, em mensagem recebida por e-mail.

Você pode não ser você

Ela me falava d’O Estranho Caso do Cachorro Morto. No livro, o protagonista é Christopher Boone, um garotinho que sabe dizer todas as capitais do mundo e números primos até 7.507, mas não tem aptidão social alguma. Ele sofre da síndrome de Asperger.

“É como estar na mente de um autista”, afirmou minha amiga. Estávamos na seção de psicologia da livraria Cultura, uma de suas lojas favoritas. Ela dissecava conceitos científicos entre uma estante e outra. Falou das falhas das mandalas de Jung ao se deparar com o Livro Vermelho, mas apontou que apesar da falhas, ele era melhor que Freud. Eu ouvia tudo aquilo com fascínio e curiosidade.

Uma das mentes mais brilhantes que eu já conheci. Mas, assim como Chris Boone, ela tem problemas de relacionamento, apesar dos milhares de seguidores no Twitter e dos amigos de Facebook.

Para chegar ao status que hoje detém de webcelebridade, ela teve de se diminuir a cada tuíte. Em blocos de 140 caracteres – e eles vinham aos montes todos os dias –, deixava de lado sua inteligência para ser aquilo que esperavam dela: alguém vazio.

Chegamos a conversar sobre isso em um pub:

— Eu prefiro você fora do Twitter.

— Eu sou a mesma pessoa.

— Não é. Lá é como se você tivesse vivido todo esse tempo dentro de uma bolha. De repente, você sai da bolha e descobre um mundo fantástico demais para sua cabeça. Você é uma espécie de Alice, entende?

— Como assim?

— Você muda. Seu comportamento muda. Até seu vocabulário é diferente. Você finge ser bobinha e eu entendo: é preciso nivelar-se aos seus interlocutores. É preciso falar de igual para igual. Mas acho isso um desperdício. Você tem uma mente fascinante demais para se rebaixar a isso, para ser apenas um corpinho.

— Não é bem assim.

— Pode ser coisa da minha cabeça, mas prefiro conversar contigo, e não com sua arroba.

Jonathan Franzen publicou um artigo recentemente sobre novas tecnologias no New York Times. Em “Liking Is for Cowards. Go for What Hurts” (em tradução livre, “Gostar é para os covardes. Escolha o que dói”), ele pondera:

“Se você dedica sua existência a receber “likes” [no Facebook], e se você adota qualquer persona legal necessária para que isso aconteça, isto sugere que você perdeu a esperança de ser amado por quem você realmente é. E se você tiver sucesso em manipular outras pessoas para darem “like” para você, será difícil não sentir, em algum nível, desprezo por essas pessoas, porque eles caíram no seu truque.”

É a evolução do homem. Homo erectus, Homo sapiens, Homo arrobus.

Nessa evolução, as coisas fluem do avesso. O homem é desconstruído – de estratos de carne e osso e personalidade e a coisa toda. É a desfragmentação de quem realmente somos. Viramos avatares.

Você tem milhares de conexões no Facebook e ninguém com quem sair no fim de semana. Você é tendência no Twitter porque só fala coisa interessante mas não sabe conversar nem com seu vizinho.

Amanhã, quando você se olhar no espelho, pergunte-se quem você realmente é.

Autor: Rodolfo Viana. Fonte: Portal Homem.