Lua de mel inusitada

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Nada pode ser mais romântico que uma lua de mel e pouquíssimos lugares são mais românticos do que a Grécia. Então, a combinação desses dois pontos só poderia ser maravilhosa, né? Só que não.

Huma Mobin e Arsalaan Sever Bhatt, que são de Lahore, no Paquistão, planejaram a lua de mel, porém o marido não conseguiu o visto para entrar na Grécia e Huma teve que ir sozinha para a viagem romântica.

Apesar de pensar em desistir no começo, a noiva acabou indo e fez da situação triste uma diversão, tirando fotos hilárias como se o marido estivesse lá:

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~ Nathalia Salvado para o Vírgula.

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Pequenas maneiras de melhorar a sua vida

Às vezes é difícil saber por onde começar. Inúmeros programas são criados por profissionais mediante as necessidades da nossa sociedade, sempre ocupada demais para poder fazer as coisas no seu devido tempo. O mais interessante é que, quando você participa de algo, e chama outros para participarem também, o auxílio mútuo os auxilia a perseverar e atingir os objetivos. Já dizia o poeta “que ninguém é feliz sozinho”…

Abaixo selecionei e resumi alguns tópicos que merecem a atenção. Comece mudando aos poucos, uma coisa de cada vez. E continue fazendo isso pelo resto da sua vida!

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01. USE FIO DENTAL: Acredite ou não, numa pesquisa realizada nos Estados Unidos (eles adoram pesquisas, né?), mais da metade dos norte-americanos afirmaram não utilizar o fio dental todos os dias. Se você faz parte desta estatística (mesmo não morando nos Estados Unidos), construa esse pequeno hábito e melhore consideravelmente sua saúde. Você sabia que problemas dentários estão associados à doenças cardíacas e diabetes?

02. SUE BASTANTE: Não se discute atualmente que uma alimentação saudável é muito importante, e que, apesar disso, exercícios físicos também podem se transformar numa cura mágica para todo o seu corpo, auxiliando sua memória e concentração, reduzindo desordens do sono e doenças cardíacas, diminuindo a pressão sanguínea e o nível de colesterol, dentre muitas outras coisas. E o que é mais importante, uma pequena sequência de exercícios pode possuir enormes benefícios!

03. ESCREVA UM DIÁRIO: Estudos comprovam que, quando você exterioriza suas emoções e seus sentimentos, a vida torna-se mais leve para você. O fardo de suas costas é transportado para o papel. E não se preocupe com a sequência lógica, semântica, pontuação ou regras de ortografia. Escrever organiza nossos pensamentos, auxiliando-nos a refletir sobre o que ocorre à nossa volta.

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04. LEIA UM LIVRO: Nós lemos muito nos dias de hoje, MUITO, basta prestar atenção nas inúmeras horas que passamos diante de um computador. Mas comece (ou volte) a ler livros de ficção (mesmo que sejam e-books), pois este tipo de literatura consegue moldar em nós sentimentos de empatia e geralmente nos auxilia a sermos melhores conosco mesmos e com os outros.

05. “SEJA” UMA EQUIPE: Quando você pensa em networking, provavelmente se imagina tomando café com algum cliente, empregado ou chefe, pensando em seu próprio benefício e no de sua carreira. Mas, talvez você tenha perdido o real significado das relações dentro de uma empresa. Convide aquele colega de trabalho que você não conhece tão bem para um happy hour e crie laços de confiança com todos. Uma equipe unida é muito mais do que uma simples equipe.

06. VOLUNTARIE-SE: Engajar em trabalhos comunitários nos faz sentirmos melhor, e esse sentimento é sempre dobrado porque estamos auxiliando outras pessoas (ou causas) à melhorarem também! E uma notícia melhor ainda é que quanto mais você pratica este tipo de atitude, mais sente vontade de “arregaçar as mangas”, e quem ganha com isso é o mundo à sua volta.

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07. LIVRE-SE DAS COISAS MATERIAIS: Pode até parecer conselho de monge budista, mas já reparou em quanta coisa você acumula dentro de casa, e em quanta coisa você não usa mais? A dica é fazer uma limpeza anual em todos os cômodos, armários e gavetas da casa, e doar cada peça de roupa ou item doméstico “não utilizado à mais de um ano”. Se você não o usou até agora, pode ter certeza que nunca mais o utilizará para o resto da vida. Ou está pensando que será enterrado junto com eles assim como os faraós faziam? Alivie-se.

08. VIAJE: Nunca foi tão fácil e barato viajar. Digo “nunca” porque você não tem noção do quanto era dispendioso qualquer tipo de viagem há uns 20 ou 30 anos atrás. E não precisa ir muito longe. Apenas saindo de casa e deixando esse computador de lado você já contribui para o seu próprio melhoramento. O filósofo Alain de Botton gosta de afirmar que “a viagem nos expande” e que, o “melhor de nós mesmos não está necessariamente em nossos lares”.

09. SEJA UM ARTISTA: Você consegue mensurar o que são 40.000 anos atrás? Pois é, desde esse época o homem faz “arte”, e devo dizer que não é das melhores. Mesmo assim, esse é um impulso pra você também fazer! Pode ser um rabisco, o desenho de uma casinha, sua família em forma de “palitinhos”, não importa. O auto desenvolvimento virá com o tempo, e você perceberá o quanto seu potencial é enorme, e quanto isso pode ajudar a exteriorizar sua forma de enxergar a vida. Quer mais motivos? Desenhar reduz o estresse e pensamentos negativos.

↬ Adaptado do original de Drake Baer, Richard Feloni e Kevin Loria para o Business Insider. Imagens da Getty Images.

“E se eu pudesse mudar algo?”

Cansei. Hora de recomeçar, mudar, fazer e refazer. Repensar.

Foi assim, num clique em um belo dia na volta de uma breve conversa com meu chefe. Ex-chefe, digo. Foi um clique mais que óbvio, mas coisas evidentes sobre nós mesmos não são tão fáceis de enxergar.

"Clique. Clique. Clique. Clique."
“Clique. Clique. Clique. Clique.”

Eu não gostava daquele emprego. Mas não podia largar. Tinha de pagar as contas e, talvez, assumir um status ou simplesmente atender as expectativas que os outros tinham em mim e, nessa brincadeira, passei dois anos me anulando e desperdiçando energia demais em coisas que não me acrescentavam nada, muito pelo contrário, apenas me desgastavam.

Culpa de uma grande dívida que nasceu nesta insanidade. Um apartamento.

E olha, caro amigo, pagar um imóvel com salário de assistente significa abdicar-se de quase tudo: não sair, freelar de madrugada e se virar com o que tem. No fim, tudo deu certo. Foi uma boa poupança que me rendeu uma grande viagem, mas com uma execução errada. Poderia ter tido disciplina e guardar essa grana de qualquer forma e sem tanto sofrimento.

Tentando ser positivo — não vou reclamar de tudo –, durante dois anos você conhece muita gente e as pessoas são, muito provavelmente, a máxima da vida. Um dos responsáveis pelo tal estalo foi o Fernando, um amigo com quem eu almoçava todos os dias. Nesse tempo, conversávamos muito sobre a vida e sobre o tempo que perdíamos ali e como não chegaríamos a lugar algum.

Entretanto, tínhamos um assunto predileto: viagens.

O cara viajou muito e despertou em mim esse antigo sonho. Conhecer lugares, gente, passar perrengue, ter histórias para contar. Comecei cada vez mais me sentir acorrentado, enquanto a vida acontecia do outro lado do vidro a prova de som e longe do ar condicionado.

Após me estabilizar, vender meus metros quadrados e ver que poderia seguir minha vida, pedi demissão e segui os passos de Amyr Klink:

Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor.

E o oposto.

Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser.

Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.

Fui lá, “simplesmente ir ver”.

Viajei por três meses pela Europa, acompanhado da minha câmera e com uma mochila cheia de sonhos. Essa viagem era a marca da minha mudança. A libertação total da insanidade de seguir padrões e regras que não me cabiam.

Pouco antes de partir, uma revista interessante caiu em minhas mãos, um exemplar da Você S/A (Edição 168) que dizia “Adeus, trabalho chato”.

Eu e um outro amigo falávamos sobre o assunto quando a vimos. Parecia sorrir para a gente. Levantamos e compramos, uma cada um. Além de “teoricamente ensinar” a como mudar de vida, ela trazia alguns exemplos, mas um grupo de cinco caras me chamou a atenção.

[…] Quatro trabalharam no setor financeiro e um no setor de tecnologia. Todos vinham tendo início de carreira promissor. No entanto, começaram a achar que os bons salários e os pacotes de benefícios não compensavam o cotidiano pesado. ‘Passamos a nos questionar se o que fazíamos era o que realmente queríamos da nossa vida.
[…]
Não queremos chegar à velhice e perceber que nos arrependemos de não ter feito coisas das quais tínhamos vontade.’

No fim das contas, fizeram uma expedição (Expedição 4×1) saindo de São Paulo em direção ao Alasca. No caminho, gravariam dois documentários: um deles com idosos, para saber do que se arrependem ou o que teriam feito de diferente na vida.

Aí me pegou.

Decidi produzir algo relevante durante minha própria expedição, uma vez que conheceria tanta gente, de tantos lugares e culturas diferentes.

Nasceu o If I Could:


Não coloquei nada no papel. Estava tudo na minha cabeça: como faria, como filmaria e como seria a edição.

Pegava pessoas andando nas ruas, relaxando em parques ou, então, gente que conheci durante a viagem. Abordava-as e explicava rapidamente: “estou fazendo um filme, é apenas uma pergunta, quer participar?”.

Queria pegar a reação da pessoa já filmando. A maioria topou.

A intenção do filme é fazer as pessoas questionarem a própria vida, gerar uma reflexão, ainda que breve, sobre o que cada um anda deixando de lado, sobre o real valor daquilo que seguem priorizando.

Dentre tantas pequenas histórias de cada um, você pode se identificar com uma ou apenas perguntar a si. Cada um tem sua própria história, desafios e momentos com relação ao próprio trabalho, hábitos, relacionamentos… a vida. Há algumas coisas que a gente não o tem poder de mudar, mas para todas as outras existe uma boa desculpa para não ser feita também.

Então, lhe pergunto: se você pudesse mudar alguma coisa na sua vida, o que seria?

~ Filipe Trabbold para o Papo de Homem.

Conheça o mundo através do Instagram

Cuidado, isso pode causar wanderlust.

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1. @alexstrohl ~ Feitas nos arredores de Vancouver, Canadá, as imagens de Alex são puras e lindas. ★★★★☆
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2. @wattsabi está constantemente viajando, mas são os detalhes de suas fotos a sua verdadeira joia. ★★★☆☆
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3. @thedavidkeller é um fotógrafo que utiliza o Instagram para compartilhar o maravilhoso mundo que o cerca ao redor do Brooklin, em Nova Iorque. ★★★★☆
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4. @jaredchambers vive em Los Angeles, Califórnia, oferecendo nostalgia aos baldes. ★★★★☆
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5. @michaeljspear apresenta um canto inexplorado dos Estados Unidos: o lado selvagem do Alasca. ★★★★☆
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6. @redblueox é pai de três crianças na capital de Indiana, Estados Unidos. Suas imagens demonstram as beleza de sua cidade, e de seus filhos. ★★★☆☆
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7. @jethromullen é correspondente para a CNN em Hong Kong. ★★☆☆☆
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8. @dearleila nos encanta com suas imagens de Londres, Inglaterra. ★★★☆☆
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9. @thiswildidea ~ Se você ainda não seguia o adorável Instagram de Theron Humphrey, agora você vai seguir. Ele mora em Idaho, Estados Unidos, e viaja pelo país na companhia de sua cadela, Maddie. ★★★★★
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10. @hellopoe é fotógrafa e diretora de arte neozelandesa. ★★★★☆
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11. @patrickkolts nasceu no Iowa, mas agora, vivendo em Nova Iorque, ele nos mostra os detalhes do Brooklin. ★★☆☆☆
Sem título #12
12. @parisinfourmonths resolveu morar por algum tempo em Paris, na França, seguindo seus sonhos e explorando a cidade que amava, mas que conhecia tão pouco. Depois de quatro meses, ela decidiu fincar suas raízes ali mesmo, e diz que tem muito sorte por causa disso! E quem não teria? ★★★☆☆
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13. @palila se descreve como “metade oceano, metade aventura”, e é justamente isso que você encontrar no Instagram dela. ★★★☆☆
Sem título #14
14. @anne_parker demonstra, na simplicidade de suas imagens, o grande amor por suas viagens. ★★☆☆☆
Sem título #15
15. @fursty vive no noroeste do Pacífico, mas as imagens de suas viagens é que produzem os efeitos e sentimentos mais impressionantes sobre nós. ★★★☆☆
Sem título #16
16. @mattiastyllander possui um conceito único. E cuidado! Parece que as cores vão saltar da sua tela! ★★★★☆
Sem título #17
17. @ourwildabandon nos leva à uma emocionante viagem pelo Canadá, na companhia de Jill e Kyla! ★★☆☆☆
Sem título #18
18. @dwellstudio ~ Christiane Lemieux é fundadora e diretora criativa da DwellStudio, uma loja de decoração em Nova Iorque. Além disso, nunca se cansa de fotografar o mundo! ★★★☆☆
Sem título #19
19. @billyjackbrawner3 possui um “olhar” diferente sobre o Texas. Confira! ★☆☆☆☆
Sem título #20
20. @mattjnovak ~ Percebeu que a maioria das indicações aqui são de diretores de arte? Matt não é diferente com suas fotografias de nova Iorque. ★☆☆☆☆
Sem título #21
21. @serjios alerta: “a vida não é o quê você vê, mas ‘como’ você vê”. ★★★★☆
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22. @seanryanpierce é um constante andarilho, e leva seus seguidores junto com ele. ★★★★☆
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23. @mariannehope mora na Holanda. Conheça a Europa com ela! ★★★★☆

~ Vi no BuzzFeed. [As “estrelinhas” de classificação expressam a opinião do proprietário deste blog]

Você é uma cidade?

Ou seria apenas um quarteirão vazio, varrido pelo vento?

Quem gosta de viajar talvez já tenha pensado nisso: as pessoas são como cidades. Quando nos envolvemos com elas, quando passamos a conhecê-las intimamente, é o equivalente a caminhar sem mapa por ruas nas quais nunca pisamos, por bairros que não sabíamos existir. O prazer desse passeio inaugural é irreproduzível. Você poderá voltar às mesmas ruas muitas vezes, deve fazê-lo na verdade, mas nenhum outro momento terá a surpresa daqueles instantes iniciais, quando os nossos olhos são puros e o nosso coração é virgem outra vez. Pode-se amar uma cidade a vida inteira, mas é impossível descobri-la duas vezes.

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A imagem das pessoas como cidades me ocorreu na semana passada, enquanto conversava com uma amiga que está redescobrindo o mundo. Falávamos de novos relacionamentos, sobre a luz fresca que eles despejam sobre a nossa vida, de como nos despertam a totalidade dos sentidos. Então surgiu a ideia de que as pessoas são como cidades ensolaradas e coloridas – às vezes sombrias e chuvosas – que vão sendo exploradas à medida que as conhecemos. Ou à medida que consintam em ser devassadas.

Se eu olhar para o meu passado – e você para o seu – descobriremos ter passado por diferentes geografias humanas.

Havia uma moça, aos 19 anos, que era uma tempestade em movimento. Enquanto estivemos juntos, eu descobria, a cada passo, ruas sombrias que me assustavam, placas com direções contraditórias, terrenos abandonados e hostis. Na cidade que era ela, quanto mais eu andava mais perdido me sentia. Consegui espantar o medo do que via em troca do prazer de estar ali, mas isso não foi suficiente. Antes que eu tivesse tempo de fazer um mapa, de ensaiar a mais elementar das compreensões, ela se foi. Só fui revê-la anos depois, ainda impenetrável, ainda perturbadora. Com o passar do tempo, eu, que me julgava um amante da sombra, descobri os prazeres da luz – e o fascínio daquilo que é, ao mesmo tempo, transparente e intraduzível.

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Uma mulher de imensa delicadeza entrou na minha vida e a encheu de sol. Mais que uma cidade, ela me pareceu um país inteiro. Andei tanto por suas ruas, me perdi tanto descobrindo, que não notei que havia ficado sozinho. Tive de deixar a cidade que eu amava e aquilo foi como um exílio. Passaram-se anos antes que eu encontrasse outra pessoa tão marcante, outra cidade tão nova e diferente da minha, outro lugar de onde não queria me afastar. Explorei essa nova cidade com a urgência de quem nunca vira nada semelhante, arfando e rindo, tomado pela alegria e o colorido do que ia percebendo. Nunca me senti tão acolhido, nunca fui tão feliz. Mais que uma cidade, havia uma festa ao meu redor. Quando, ao final, as luzes se apagaram, eu havia me tornado outro homem – suavizado pela experiência tranquila de amor, capaz de entender, finalmente, o que me cabe e o que me completa.

Como sabem os amantes das viagens, uma cidade leva a outra. Explorar é explorar-se. Conhecer é conhecer-se. Cada experiência nos prepara para a outra. Cada mudança antecipa a outra que está por vir. Assim, aos trancos, cheguei à cidade onde me encontro. Não a havia antecipado. Quando a vi, me pareceu tão linda que não me cabia, mas fui ficando, como um usurpador ou um clandestino. Tornou-se o meu lugar. Às vezes descubro uma esquina nova, de vez em quando me perco na beira do Rio, fico. Gosto do que conheço, sinto que há muito mais a descobrir. Percebo, meio encantado, que esta cidade cresce à frente dos meus passos, ao meu redor, comigo. Há nela algo de inesgotável que reage a mim. É a minha cidade. Cuido dela, que me faz feliz.

Minha amiga me faz notar, porém, que nem todas as pessoas são cidades. Algumas serão vastos continentes gelados. Outras, apenas becos sem saída.

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Posto diante dessa imagem poderosa, me pergunto quem sou eu. Um quarteirão deserto e árido? Uma praça com bancos coloridos? Uma cidadezinha preguiçosa plantada num vale? Uma metrópole à beira mar, varrida pelo vento e pela sirene dos navios? Eu não sei. Não sabemos, na verdade. E nem nos cabe dizer. Na verdade, temos de ser descobertos, nomeados e mapeados. É pelo olhar amoroso do outro que nos revelamos. É no olhar do outro que nos re-conhecemos. Como uma cidade. Um país. Um mundo que o outro queira habitar – e transformar em sua casa.

~ Ivan Martins para a Revista Época. Imagens: Getty Images.