30 coisas que você deve parar de fazer a si mesmo

Marc e Angel são dois escritores que mantém um blog de mesmo nome (Marc and Angel Hack Life, em inglês). Por lá você encontra dicas para uma vida mais produtiva, mais saudável. Uma vida melhor. Já faz um tempo que eu acompanho o trabalho deles, mas só agora decidi compartilhar com vocês um dos textos mais incríveis que li por lá.

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01. Pare de perder tempo com as pessoas erradas

A vida é muito curta para perder tempo com pessoas que sugam a sua alegria para fora de você. Se alguém quer você em sua vida, eles vão criar espaço para você. Você não deveria ter que lutar por um lugar. Nunca, jamais insista em aparecer diante de alguém que subestima o seu valor. E lembre-se, seus verdadeiros amigos não são as pessoas que estão ao seu lado quando você está vivendo seus melhores dias, mas sim aqueles que permanecem mesmo nos piores momentos.

02. Pare de fugir dos seus problemas

Encare-os de frente. Não, não vai ser fácil. Não há ninguém no mundo capaz de sair ileso de cada pancada que leve. Não é esperado que estejamos aptos a imediatamente resolver quaisquer problemas. Simplesmente não somos feitos desta forma. Na verdade, somos feitos para nos irritarmos, nos entristecermos, nos machucarmos, tropeçarmos e cairmos. E é por isto ser a razão mesma de viver – encarar problemas, aprender, se adaptar, e resolvê-los ao longo do tempo. Isso é o que efetivamente nos molda na pessoa que nos tornamos.

03. Pare de mentir para si mesmo

Você pode mentir para qualquer outra pessoa no mundo, mas você não consegue mentir para si mesmo. Nossas vidas melhoram apenas quando arriscamos encarar as oportunidades, e a primeira e mais difícil oportunidade que podemos encarar é sermos honestos conosco mesmos.

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04. Pare de colocar as suas necessidades em segundo plano

A coisa mais dolorosa é perder-se de si mesmo no processo de “amar” alguém demais, e esquecer de que você é especial, também. Sim, ajude aos outros; mas ajude-se também. Se existe um momento para correr atrás de sua paixão e fazer algo que realmente importa para você mesmo, este momento é agora.

05. Pare de tentar ser alguém que você não é

Um dos maiores desafios na vida é ser você mesmo em um mundo que tenta fazê-lo igual a todos os outros. Alguém sempre vai ser mais bonito, alguém sempre será mais esperto, alguém sempre será mais jovem, mas eles jamais serão você. Não mude para que os outros passem a gostar de você. Seja você mesmo e as pessoas certas vão amar quem você é de verdade.

06. Pare de se apegar ao passado

Você não pode iniciar o próximo capítulo da sua vida se você continua relendo o anterior.

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07. Pare de ter medo de cometer erros

Fazer algo e falhar é ao menos dez vezes mais produtivo do que não fazer nada. Todo sucesso deixa uma trilha de falhas atrás de si, e cada falha é um passo rumo ao sucesso. Você acaba se arrependendo muito mais das coisas que NÃO fez, do que daquelas que fez.

08. Pare de se repreender por velhos tropeços

Nós podemos amar a pessoa errada e chorar sobre as coisas erradas, mas não importa o quão erradas as coisas se tornem, uma coisa é certa, os enganos nos ajudam a encontrar a pessoa e as coisas que são certas para nós. Todos cometemos enganos, temos tropeços e nos arrependemos de certas coisas em nosso passado. Mas você não é seus enganos, nem seus tropeços, e você está aqui AGORA com o poder de definir o seu dia e o seu futuro. Toda e cada coisa que aconteceu na sua vida está te preparando para um momento que ainda virá.

09. Pare de tentar comprar felicidade

Muitas das coisas que desejamos são caras. Mas a verdade é que, as coisas que realmente nos satisfazem, são totalmente grátis – amor, risadas e trabalhar naquilo que nos apaixona.

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10. Pare de procurar a felicidade exclusivamente nos outros

Se você não está feliz com quem você é por dentro, você tampouco será feliz em um relacionamento de longo prazo com quem quer que seja. Você precisa criar estabilidade na própria vida em primeiro lugar, antes que possa compartilhá-la com mais alguém.

11. Pare de ficar ocioso

Não pense demais ou você criará um problema que nem existia, para começar. Avalie as situações e tome ações decisivas. Você não pode mudar o que se recusa a encarar. Progredir envolve assumir riscos. Ponto! Vocẽ não pode andar até a segunda base e manter o seu pé ainda na primeira.

12. Pare de pensar que você não está pronto

Ninguém realmente se sente 100% pronto quando uma oportunidade aparece. E isto acontece porque as mais grandiosas oportunidades na vida nos forçam a crescer além das nossas zonas de conforto, o que significa que não estaremos totalmente confortáveis, no início.

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13. Pare de se envolver em relacionamentos pelas razões erradas

Relacionamentos devem ser escolhidos com sabedoria. É melhor estar só do que em má companhia. Não há necessidade de pressa. Se alguma coisa deve ser, ela acontecerá – no seu tempo certo, com a pessoa certa e pela melhor das razões. Se apaixone quando estiver pronto, não quando estiver solitário.

14. Pare de rejeitar novas relações por que as antigas não funcionaram

Na vida você perceberá que existe um propósito em conhecer cada pessoa que você conhece. Alguns testarão você, outros te usarão, e outros te ensinarão. Mas, o que é mais importante, alguns despertarão o que há de melhor em você.

15. Pare de tentar competir com todo mundo

Não se preocupe com o que os outros fazem melhor do que você. Concentre-se em bater os seus próprios recordes todos os dias. O sucesso é uma batalha travada apenas entre VOCÊ e VOCÊ MESMO.

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16. Pare de ter inveja dos outros

A inveja é a arte de contar as bençãos alheias, ao invés das próprias. Se pergunte o seguinte: “O que é que eu tenho que todas as outras pessoas desejam?”

17. Pare de reclamar e sentir pena de si mesmo

As “bolas com efeito” da vida são jogadas por um motivo – para mudar o seu caminho numa direção que se destina a você. Você pode não ver ou entender tudo no momento em que isto acontece, e isso pode ser difícil. Mas pense naquelas “bolas curvas” negativas que foram jogadas para você no passado. Você frequentemente perceberá que no final elas te levaram a melhores lugares, pessoas, estados de espírito, ou situações. Então sorria! Deixe todos saberem que hoje você é mais forte do que era ontem, e então você será.

18. Pare de guardar rancor

Não viva a sua vida com ódio no coração. Você acabará machucando a si próprio muito mais do que as pessoas que você odeia. Perdoar não é dizer “o que você fez de errado comigo não tem importância”, é dizer “eu não vou permitir que o que você fez comigo seja a ruína eterna da minha felicidade”. Perdoar é a resposta… desapegue, encontre paz e liberte-se! E lembre-se, o perdão não é apenas para as outras pessoas, é para si mesmo também. E você deve perdoar-se, seguir em frente e tentar fazer melhor na próxima vez.

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19. Pare de deixar os outros te rebaixarem ao nível deles

Recuse-se em baixar os seus padrões de qualidade para acomodar aqueles que se recusam a elevar os deles.

20. Pare de perder tempo se explicando aos outros

De toda forma, seus amigos não precisam e seus inimigos não vão acreditar. Apenas faça o que seu coração aponta como o caminho certo.

21. Pare de fazer as mesmas coisas de novo e de novo sem uma pausa

A hora certa de respirar profundamente é quando você não tem tempo pra isso. Se você continuar insistindo no que está fazendo, você vai continuar obtendo o mesmo resultado. Às vezes, você precisa se distanciar um pouco para ver as coisas mais claramente.

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22. Pare de negligenciar a beleza dos pequenos momentos

Aproveite as pequenas coisas, pois um dia você pode olhar para trás e descobrir que elas eram as grandes coisas. A melhor porção da sua vida será composta dos pequenos e inomináveis momentos que você passa sorrindo junto de alguém importante pra você.

23. Pare de tentar alcançar a perfeição

O mundo real não recompensa o perfeccionismo, ele recompensa as pessoas que conseguem fazer as coisas.

24. Pare de seguir o caminho do menor esforço

A vida não é fácil, especialmente quando você planeja alcançar algo de valor. Não pegue o caminho mais fácil. Faça algo extraordinário.

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25. Pare de agir como se tudo estivesse bem, quando não está

É perfeitamente normal desmoronar por um breve período. Você nem sempre precisa fingir que é o mais forte, nem constantemente tentar provar que tudo está indo bem. Você tampouco deveria se preocupar com o que os outros pensam – chore se precisar – é saudável colocar suas lágrimas para fora. Quanto mais cedo você o fizer, mais cedo você estará apto a sorrir genuinamente de novo.

26. Pare de culpar os outros pelos seus próprios problemas

A dimensão com que você conseguirá realizar seus sonhos depende da dimensão com que você assume responsabilidade pela própria vida. Quando você culpa os outros pelo que você está passando, você nega responsabilidade – você dá aos outros poder sobre aquela parte da sua vida.

27. Pare de tentar ser tudo para todos

Alcançar isto é impossível, e tentar apenas te levará ao esgotamento. Mas fazer uma pessoa sorrir PODE mudar o mundo. Talvez não todo o mundo, mas o mundo dela. Então estreite o seu foco.

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28. Pare de se preocupar demais

A preocupação não removerá os obstáculos do amanhã, mas removerá as delícias do dia de hoje. Um modo de verificar se algo vale o esforço de super ponderar a respeito é se fazer a seguinte pergunta: “Isso importará daqui a um ano? Três anos? Cinco anos?”. Se não, então não é nada que valha o esforço de preocupar-se.

29. Pare de focar naquilo que você não quer que aconteça

Foque naquilo que você quer que aconteça. Pensamento positivo está na dianteira de todo grande história de sucesso. Se você acordar toda manhã com o pensamento de que algo maravilhoso acontecerá na sua vida hoje, e você prestar muita atenção, você com frequência descobrirá que tem razão.

30. Pare de ser ingrato

Não importa o quão bom ou o quão ruins as coisas estejam, acorde todo dia grato pela sua vida. Alguém em algum lugar está desesperadamente lutando pela própria vida. Ao invés de pensar naquilo que falta, tente pensar em tudo aquilo que você já tem e que quase todo mundo sente falta.

~ Texto encontrado no Awebic.

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6 lembretes úteis para pessoas em crise

Uma tendência enlouquecedora dos eletrônicos de bolso é que quando a bateria está prestes a acabar eles gastam a maior parte da energia remanescente bipando e piscando, nos avisando para carregá-los.

Da mesma forma, o corpo humano tem vários elementos que se autossabotam. Por exemplo, quando o oxigênio falta, digamos ao tentar resgatar o tal eletrônico do fundo de uma piscina, o corpo entra em modo de alerta, aumenta o batimento cardíaco, e assim queima o pouco oxigênio disponível ainda mais rápido.

A mente também exibe esse tipo de tolice. Ela tem o hábito cruel de esconder a sabedoria bem quando mais precisamos. Há certas verdades que, quando estou em pânico, preciso realmente lembrar, e é bem nesse momento que isso é mais difícil. Então pode ser útil manter alguns lembretes bondosos à mão, já que da próxima vez que sentir pânico, vai ser difícil lembrar esses pontos.

1. O mundo já acabou mil vezes

A dynamite time bomb in a cardboard box with 1 second left on the timer

Não seria possível eu contar o número de vezes que meu mundo já acabou. Pelo menos algumas dúzias de vezes na minha vida me encontrei numa situação tão emaranhada e desesperadora que não conseguia nem mesmo acreditar que algum dia voltaria a ser feliz.

De alguma forma, durante cada um desses apocalipses pessoais, esqueci que em todas as vezes anteriores de alguma forma as coisas se ajeitaram, e aqueles problemas hoje não são nem mais relevantes.

Ainda assim, quando a catástrofe vem, ela sempre parece prometer a morte ou pelo menos uma desfiguração completa da totalidade da minha vida, e assim me sinto obliterado pelo desespero e pela indignação. Se ao menos eu lembrasse que quase todos os problemas que tenho já foram solucionados, exceto talvez dois ou três desenvolvimentos mais recentes… Mas é assim que a vida segue.

São os problemas que seguem indo para a forca, não eu.

Tenho certeza que seu mundo também já acabou muitas vezes. A mente em pânico subestima a escala da vida humana e assim calcula lá em cima a importância de qualquer problema em vista. Não se engane.

2. Os problemas são os mesmos que todos os seres humanos sempre tiveram

Men from different eras

Você nunca descobrirá um jeito de sofrer que já não tenha sido plenamente explorado. Coração partido, a morte de pessoas amadas, doenças e velhice, dor crônica, vergonha, dependência de substâncias, fracasso, pobreza e pesadelos introspectivos são reinos já desbravados consistente e exaustivamente pelas pessoas ao longo de milhares de anos, e em graus muitos piores com que hoje nos deparamos. No fundo, há apenas alguns poucos tipos de problemas humanos, e todos eles já foram confrontados e sofridos em algum momento.

A experiência da humanidade com o sofrimento é um recurso disponível para cada um de nós, uma vez que para cada problema humano clássico há um universo de literatura sobre as melhores formas de lidar com as coisas que os outros humanos encontraram, e nunca foi tão fácil acessar essa sabedoria.

3. O desespero vem de uma crise dos pensamentos sobre a vida, não de uma crise da vida

If tomorrow starts without me from Camille Marotte on Vimeo.

O sentimento de desespero cria uma ilusão convincente. Nos faz pensar que tudo está acontecendo ao mesmo tempo, mas isso não é bem possível. Enquanto que diversas condições de uma situação na vida podem ocorrer ao mesmo tempo – digamos acúmulo de dívidas ao mesmo tempo em que um relacionamento se desfaz – a vida ainda assim transcorre um momento de cada vez, e é bem raro que se precise fazer mais do que uma coisinha a cada momento.

Cada questão pode exigir que se lide com vários momentos difíceis, mas via de regra só se precisa lidar fisicamente com um momento particular de cada vez. A sensação de que “tudo está acontecendo ao mesmo tempo” é um fenômeno mental que não espelha a forma linear na qual se desenrolam os problemas concomitantes.

Os pensamentos mudam muito mais rapidamente do que os acontecimentos da vida, assim, um minuto de pensamentos preocupados nos fazem vivenciar mentalmente uma dúzia de problemas.

É fácil se perder nesse reino abstrato, pensando que demasiadas coisas estejam acontecendo “ao mesmo tempo” para que nos decidamos sobre o que fazer, mas quando estamos prontos para realmente lidar com um problema no mundo físico, podemos seguramente ignorar os outros por um instante, enquanto lidamos com aquele específico.

4. É matematicamente improvável que os problemas sejam tão ruins quanto parecem

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A maioria das pessoas parece ser pessimista. Eu mesmo certamente sofro dessa tendência e tenho paulatinamente me recalibrado para um âmbito mais otimista.

De uma perspectiva evolutiva, é fácil compreender porque tendemos a engendrar catástrofes a partir de nossas dificuldades. Se fugimos de todas as cobras porque alguma delas pode ser venenosa, é menos provável que morramos de mordida de cobra, ainda que passemos 85% do tempo fugindo de criaturas que deveriam estar fugindo de nós.

As tendências pessimistas ajudam na autopreservação de forma geral, ao longo de uma vida inteira de situações ambíguas, mas isso ao custo de elevar o estresse, e de nos fazer constantemente fugir das coisas sem necessidade.

Saber que se é pessimista é saber que as coisas geralmente são melhores do que parecem ser. Uma mente pessimista muitas vezes cria uma imagem mental da situação que é muito mais perigosa e difícil de resolver do que efetivamente se mostra na vida real.

E, para muitos entre nós, não se trata de pequenos exageros com relação a seriedade de nossos desafios. Nas muitas ocasiões em que percebi um erro no meu trabalho, geralmente isso se expandiu rapidamente até a certeza de que eu tinha cometido um erro, que eu seria descoberto e demitido, e que eu nunca mais conseguiria trabalhar nessa carreira. Em meio minuto sofro um filme mental inteiro com meu corpo se arrastando pelas calçadas num dia melancólico, entregando currículos para gerentes de restaurantes de fast food.

Se esse reflexo mental soa familiar – e se você entra em pânico frequentemente, é quase certo que soa – você provavelmente é um pessimista, e assim pode quase sempre contar com a situação ser bem mais fácil de lidar do que você inicialmente imaginou.

5. As coisas mudam bem rapidamente quando se começa a fazer e não pensar tanto

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A escuridão na mente da pessoa em crise vem do sentimento de desespero, e o desespero vem da crença de que nada que se faz importa. Embora esse sentimento seja comum, quase sempre não é verdadeiro.

Não importa o quão ruins acabem por ser as circunstâncias externas, provavelmente não serão tão terríveis quanto Auschwitz, e mesmo naquele local, você poderia deparar com a grande descoberta de Viktor Frankl — a descoberta de que ninguém pode nos tirar a liberdade de escolher como nos relacionamos com nossas circunstâncias.

Onde quer que se esteja, é possível fazer algo para tornar o resto do dia melhor, e isso quer dizer que não se está numa situação desesperadora. Não importa quão pequena seja a ação, uma vez que se reconheça que se é capaz de melhorar a situação, o sentimento de desespero não vai continuar, a não ser que se queira.

O desespero é uma aflição de pensamentos confusos, e não tanto de circunstâncias confusas, e isso se torna mais claro quando se começa a agir sobre as circunstâncias. Várias vezes ao longo de minha vida vi um dia infernal se tornar tolerável no instante em que dou um peteleco em pelo menos um de meus dilemas. Isso destrói a miragem de uma catástrofe total, e assim fica difícil permanecer um mero participante passivo do dia ruim.

6. É mais tentador não fazer as coisas quando mais se precisa

Office Worker Falls Asleep Under Pile of File Folders

Esse é outro hábito de autossabotagem da mente humana normal. Há uma tendência para congelar quando as coisas começam a parecer que vão descarrilhar, por duas razões.

A primeira razão é que tememos piorar as coisas. O chão está sacudindo por toda parte, e em nosso evidente torpor de incompetência não queremos pisar no lugar errado. Mas a razão principal é que ao tomar a decisão de fazer algo, essa é a decisão de tomar responsabilidade pela situação que nos encontramos, e isso não é um reflexo natural para a maioria de nós.

Particularmente, quando acreditamos que nosso problema é culpa de outra pessoa, é tentador esperar que pessoa responsável assuma enfim sua responsabilidade. Isso não ocorre frequentemente, e no mais das vezes estamos mesmo errados sobre quem botamos a culpa, de todo modo. Sei que sempre quero que a culpa seja de outra pessoa, e não acho que eu seja a exceção aqui.

Acreditar que o outro é responsável é tentador porque nos deixa fantasiar um fim de deus ex machina para sua crise, a cavalaria que chega bem na hora, o que acaba sendo um filme bem ruim porque faz o protagonista de bobo, e, na verdade, nunca acontece na vida real.

Desafie a tentação de cruzar os braços e esperar por alguma forma de salvação por justiça cósmica – ou pelo menos lembre que haverá uma tentação de não fazer nada, bem no momento em que se devia estar fazendo alguma coisa.

~ David Cain. Este artigo foi publicado originalmente no Raptitude e traduzido por Eduardo Pinheiro, sob autorização do autor, para o Papo de Homem. Imagens do Getty Images.

Como sinais do câncer são ignorados no dia a dia

Quantas vezes a gente não ignora sinais de que alguma coisa não vai bem com o nosso corpo? Pode ser um simples resfriado ou algo muito mais grave. Tudo porque estamos ocupados demais para parar por alguns momentos e checarmos o que está errado. É dessa premissa que parte a campanha The Lump, que a AMV BBDO de Londres criou para a Cancer Research UK.

Um dia qualquer, uma pequena protuberância surge em uma rua do Reino Unido, mas passa despercebida. Com o passar dos dias, ela fica cada vez maior, mas segue ignorada pelos pedestres.

A mensagem é que é muito fácil não percebermos uma coisa porque estamos ocupados demais, mas detectar um câncer no estágio inicial pode salvar nossas vidas.


~ Amanda de Almeida para o B9.

Muito além de Marte: na pior das hipóteses, existe vida em dez trilhões de planetas. E isso não é o mais importante

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Um bebê recém-nascido não sabe que é um indivíduo. Acha que ele e a mãe formam uma entidade única. Talvez ache até que ele, a mãe e o mundo sejam uma coisa só.

Mas antes de seguir com esse raciocínio, queria passar a palavra para alguém mais qualificado que eu, o Richard Dawkins. “Vamos imaginar que o surgimento de vida em algum planeta seja algo estupidamente improvável”, ele me disse numa entrevista recente. “Mais improvável até do que você tirar uma quadra de ases num jogo de cartas, e todo mundo na mesa também sair com quadras. Mas sabe de uma coisa? Mesmo se a vida for algo tão difícil de acontecer, ainda assim ela seria abundante no Universo”.

Dawkins, professor emérito de biologia em Oxford e reformulador do darwinismo, entende de vida. Mas nem ele nem ninguém tem como dizer se o fenômeno é corriqueiro no Cosmos ou se não, se trata-se de algo raríssimo, que só aconteceu na Terra, ou, dando uma chance ao acaso, que só apareceu em um a cada um bilhão de planetas Cosmos afora.

Um em um bilhão parece pouco. Só que é menos ainda. É a chance de você ser atingido 500 vezes por um raio antes de morrer. É a probabilidade de você ganhar na megasena não uma vez, nem duas. Mas 20 vezes. Seguidas. Em outras palavras, é basicamente um sinônimo de “impossível”.

Mas isso aqui na Terra. Porque no céu a história é outra. É que, se um em um bilhão é algo menor do que parece, o espaço sideral é maior. Bem maior do que parece. As estimativas mais humildes indicam que existem 10 trilhões de bilhões de estrelas no Universo observável (ou 1022 , o número 1 seguido de 22 zeros, caso você prefira uma notação mais científica). Um mundo assim, com 10.000.000.000.000.000.000.000 de sóis, destrói qualquer estatística. Assim: se a vida surgiu em um único planeta por sistema solar (como parece ter sido o caso neste sistema solar aqui), e só um em cada bilhão de sistemas solares teve essa sorte, existiriam dez trilhões de planetas com vida.

Mais: se entre esses supostos planetas com vida só um em um milhão abrigar seres inteligentes, teríamos dez milhões de civilizações sobre as nossas cabeças. Como o Dawkins mesmo disse naquela entrevista: “Nossos cérebros não sabem lidar com grandezas na ordem de bilhões e bilhões”.

Mas tem outra coisa com a qual o nosso cérebro não sabe lidar: o próprio conceito de “vida”. Por instinto, nós teimamos em achar que somos entidades à parte no Universo. Que nós estamos aqui, e o Universo está “lá fora”. E aí que a gente volta aos bebês do primeiro parágrafo. Nos primeiros meses de vida, passamos a entender que somos indivíduos, entidades únicas, apartadas das nossas mães, e do mundo, e do Universo.

Ilusão. Os átomos que formam o seu corpo sempre estiveram aqui na Terra. E vão continuar por aqui, independentemente do que você faça com eles até o dia que o seu coração parar de bater. O autor do Gênesis traduziu bem essa ideia, na cena em que Deus diz a Adão que ele terá de trabalhar pesado, e suar para que a terra produza algum alimento “até que você, Adão, volte para a terra, pois do pó você foi feito, e em pó irá se transformar” (Gen. 3:19). Três mil anos depois, o astrônomo britânico Martin Rees refinou o raciocínio. Diante da descoberta de que todos os átomos mais complexos que o hidrogênio e o hélio foram forjados no interior de estrelas, ele escreveu que “somos todos, literalmente, cinzas de estrelas mortas há muito tempo”.

Logo, nós somos o chão. Nós somos as estrelas. Somos o espaço e o tempo. E a vida consciente talvez seja o Universo se olhando no espelho, e descobrindo que ele próprio é um indivíduo.

~ Alexandre Versignassi para a SuperInteressante.

O que aprendi com o silêncio

Compartilho com você um vídeo precioso da entrevista com Márcia Baja, no canal do lugar no YouTube:


Pare tudo por meia hora e deixe que sua mente ganhe clareza sobre a prática do silêncio:

A meditação não é um processo no qual vamos abandonar a vida ou criar algum tipo de vida paralela, mas ao contrário: ela vai nos tornar muito vivos. Porque ela vai nos colocar no coração das experiências. Não vamos mais ter uma sensação de estar lidando com coisas externas que tem poder sobre nós. Ela vai nos mostrar como as coisas acontecem e como participamos delas. Então a meditação eu diria que é científica, não tem nada de religioso nisso.

Sobre as relações:

Precisamos penetrar nessas regiões escuras da nossa carência, da nossa solidão, dos nossos desejos, dos nossos medos todos… e iluminar isso para que a gente não jogue isso em cima do outro, quando o encontrar.

Sobre o esforço para se tornar alguém:

Se você quiser evitar esse obstáculo da identidade, do esforço, das metas, você tem de ir direto para esse ponto onde você vai relaxar de você mesmo, relaxar disso que você acha que é.

E sobre as qualidades naturais que surgem espontaneamente da sabedoria:

Quando você olha para as coisas desde essa região livre, sem aflições, sem apegos, você vê a confusão das pessoas. Você vai ver as pessoas no mesmo lugar onde você estava, aí brota compaixão. […] Essas qualidades naturais de amor, de compaixão, de generosidade, de paciência, de conduta adequada, de energia disponível, constante, jorrando do seu coração, habilidades potencializando tudo e todos… Você se vê às vezes surpreso de sentir isso jorrando de seu coração sem você fazer esforço nenhum, simplesmente porque você está silenciado nesse lugar de sabedoria olhando para as coisas.

~ Gustavo Gitti em texto recebido por e-mail.